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Paulo Garcia: a história provavelmente o “absolverá” | Renan Accioly[/caption]
O julgamento justo da história se faz no futuro, não no presente, quando as emoções às vezes não permitem avaliações racionais, até frias. Paulo Garcia deve deixar a Prefeitura de Goiânia mal avaliado pela população. Trata-se de um julgamento justo e preciso? Não mais. A imagem cristalizada do petista não corresponde ao final de sua gestão — que melhorou muito.
Por que Paulo Garcia ficou com uma imagem negativa? Primeiro, porque comunica-se mal. O marketing só funciona quando o gestor acredita na ideia. A impressão que se tem é que o petista “basta-se”, não precisa ouvir ninguém. Não há profissional que consiga construir uma imagem iluminada para quem não acredita nos poderes da publicidade. Segundo, o prefeito passa a imagem de que é cínico, com seu sorriso irônico de raposa, quando, na verdade, é mais tímido do que cínico e arrogante.
Terceiro, ao não fazer a crítica de seu antecessor, por uma lealdade paga com deslealdade e oportunismo, acabou por assumir problemas que não foram gerados por sua gestão. O sucateamento dos caminhões que recolhem lixo se deu por que Iris Rezende acabou com a terceirização e não renovou a frota.
Um repórter do Jornal Opção colheu uma impressão curiosa e contraditória de um jovem que trabalha num restaurante nas proximidades da Praça do Sol, no Setor Oeste. O jornalista perguntou: “O que achou da reforma da Praça do Sol?” O garoto respondeu de maneira exclamativa: “Ficou belíssima! É uma das praças mais bonitas de Goiânia! Maravilha!” O repórter inquiriu: “Como avalia a gestão do prefeito Paulo Garcia?” O pós-adolescente respondeu sem hesitar: “Péssima! Uma das piores da história”.
Quer dizer: por mais que tenha trabalhado — os vereadores, inclusive os de oposição, reconhecem que construiu várias obras (o deputado Virmondes Cruvinel, do PPS, diz que recapeou a Avenida Flamboyant, no Parque das Laranjeiras, o que era uma reivindicação antiga) —, a população não reconhece seus méritos. Porque cristalizou-se uma imagem ruim, que se tornou pedra difícil de ser dissolvida. O fato é que, quando puder ser avaliado com isenção e sem as paixões do momento político, Paulo Garcia certamente serão mais bem-visto pelo goianiense. O petista deveria registrar em livro, com a inclusão de fotografias, o que fez em Goiânia. Será um primeiro passo para que possa ser avaliado com justiça, talvez até mais cedo do que imagina.
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Elias Vaz, Andrey Azeredo, Dra. Cristina e Wellington Peixoto | Fotos: Câmara Municipal e reprodução[/caption]
Os candidatos a presidente da Câmara Municipal de Goiânia já estão articulando, mas, para colocar o bloco na rua, estão esperando o término do segundo turno. O prefeito eleito terá um papel decisivo na escolha do dirigente do Legislativo. De qualquer maneira, há um consenso: se vão apostar na renovação dos métodos, na contenção do fisiologismo, é preciso arrancar Anselmo Pereira, do PSDB (ou do PG, Partido do Governo), da presidência. O tucano é a figura-símbolo que impede a mudança e a moralização no Legislativo municipal.
O PMDB está colocando três nomes na disputa: Clécio Alves, Wellington Peixoto e Andrey Azeredo. O terceiro, embora inexperiente em termos de articulação política, é competente tecnicamente. Conta com o trunfo de ser o vereador “de” Iris Rezende. Wellington Peixoto é irmão de Bruno Peixoto, um deputado hábil nas tratativas de bastidores. A aposta do PSB é Elias Vaz. A principal aposta do PSDB é Cristina Lopes. Se quiser mudar a Câmara, e não apenas encenar, o tucanato aposta na vereadora, que é ética e respeitada.
Peemedebistas do alto escalão mandam avisar ao senador Ronaldo Caiado, do partido Democratas, que só poderão apoiá-lo para governador de Goiás se ele se filiar ao PMDB, em 2017. Mesmo assim, ressaltam que não lhe darão garantia total de que será o candidato a governador. O que se comenta entre membros do Democratas é que Caiado, com o apoio de Iris Rezende, vai se filiar ao PMDB e vai trabalhar para convencer Daniel Vilela a ser seu vice.
O PSB nacional convidou o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, para se filiar a ser candidato a vice numa chapa com o PSDB na cabeça.
O candidato a presidente do PSB é o tucano Geraldo Alckmin, governador de São Paulo; Marconi e o político paulista, aliás, estão cada vez mais afiados.
Marconi, Alckmin e João Dória conversam com frequência sobre gestão e sobre política nacional. O PSD tem convidado Marconi Perillo com frequência para se filiar.
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Daniel, Maguito Vilela e Caiado[/caption]
No início da campanha de Iris Rezende, no primeiro turno, o presidente do PMDB em Goiás, deputado federal Daniel Vilela, ficou ligeiramente afastado. Porém, como percebeu que havia estagnado, o peemedebista convocou o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, e Daniel Vilela para ajudá-lo.
Articulado, Daniel Vilela aproximou-se dos iristas, no segundo turno, e começou fazer um trabalho de qualidade, ao lado de Maguito Vilela e Gustavo Mendanha, o prefeito eleito de Aparecida de Goiânia. Daí começou um ligeiro confronto com o senador Ronaldo Caiado, que, no momento, se apresenta como super-irista.
Ocorre que Ronaldo Caiado e Daniel Vilela querem disputar o governo em 2018 e, por isso, buscam se cacifar junto de Iris Rezende. Um procura enfraquecer o outro. Aliados do senador afirmam que, nas pesquisas de intenção de voto, Caiado está bem à frente de Daniel Vilela. A sugestão é simples: o mais jovem deveria abrir espaço para o mais velho, aceitando ser o seu vice. O problema é que Daniel avalia que Caiado tem teto e que ele, sim, tende a crescer, ao se tornar mais conhecido do eleitorado.


