Paulo Garcia: a história provavelmente o “absolverá” | Renan Accioly Data:23/05/13
Paulo Garcia: a história provavelmente o “absolverá” | Renan Accioly

O julgamento justo da história se faz no futuro, não no presente, quando as emoções às vezes não permitem avaliações racionais, até frias. Paulo Garcia deve deixar a Prefeitura de Goiânia mal avaliado pela população. Trata-se de um julgamento justo e preciso? Não mais. A imagem cristalizada do petista não corresponde ao final de sua gestão — que melhorou muito.

Por que Paulo Garcia ficou com uma imagem negativa? Primeiro, porque comunica-se mal. O marketing só funciona quando o gestor acredita na ideia. A impressão que se tem é que o petista “basta-se”, não precisa ouvir ninguém. Não há profissional que consiga construir uma imagem iluminada para quem não acredita nos poderes da publicidade. Segundo, o prefeito passa a imagem de que é cínico, com seu sorriso irônico de raposa, quando, na verdade, é mais tímido do que cínico e arrogante.

Terceiro, ao não fazer a crítica de seu antecessor, por uma lealdade paga com deslealdade e oportunismo, acabou por assumir problemas que não foram gerados por sua gestão. O sucateamento dos caminhões que recolhem lixo se deu por que Iris Rezende acabou com a terceirização e não renovou a frota.

Um repórter do Jornal Opção colheu uma impressão curiosa e contraditória de um jovem que trabalha num restaurante nas proximidades da Praça do Sol, no Setor Oeste. O jornalista perguntou: “O que achou da reforma da Praça do Sol?” O garoto respondeu de maneira exclamativa: “Ficou belíssima! É uma das praças mais bonitas de Goiânia! Maravilha!” O repórter inquiriu: “Como avalia a gestão do prefeito Paulo Garcia?” O pós-adolescente respondeu sem hesitar: “Péssima! Uma das piores da história”.

Quer dizer: por mais que tenha trabalhado — os vereadores, inclusive os de oposição, reconhecem que construiu várias obras (o deputado Virmondes Cruvinel, do PPS, diz que recapeou a Avenida Flamboyant, no Parque das Laranjeiras, o que era uma reivindicação antiga) —, a população não reconhece seus méritos. Porque cristalizou-se uma imagem ruim, que se tornou pedra difícil de ser dissolvida. O fato é que, quando puder ser avaliado com isenção e sem as paixões do momento político, Paulo Garcia certamente serão mais bem-visto pelo goianiense. O petista deveria registrar em livro, com a inclusão de fotografias, o que fez em Goiânia. Será um primeiro passo para que possa ser avaliado com justiça, talvez até mais cedo do que imagina.