A União Europeia oficializou nesta quinta-feiraa, 4, a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e outros produtos de origem animal para o bloco. A medida passa a valer a partir de 3 de setembro e foi justificada pelas autoridades europeias com base em questionamentos relacionados ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal brasileira.

Com a decisão, produtos como carne bovina, carne de frango, mel, peixes, ovos e animais vivos destinados à alimentação poderão deixar de ser comercializados com os países do bloco europeu caso o Brasil não consiga atender às exigências estabelecidas pela Comissão Europeia até a data prevista.

A oficialização da medida ocorre cerca de um mês após a União Europeia anunciar a retirada do Brasil da lista de países aptos a exportar produtos de origem animal ao bloco. Na época, ao Jornal Opção, a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa) classificou a situação como um “fator de atenção” para a pecuária goiana.

Em nota enviada ao Jornal Opção em maio, a pasta afirmou que a União Europeia não está entre os principais destinos das exportações de carne bovina de Goiás, mas reconheceu a importância estratégica do mercado europeu para o setor. A secretaria também destacou que acompanha os desdobramentos da medida e ressaltou que o estado possui capacidade sanitária reconhecida, estrutura produtiva competitiva e experiência em rastreabilidade, fatores considerados relevantes para a adaptação às exigências internacionais.

A preocupação ocorre porque Goiás figura entre os maiores produtores de carne bovina do Brasil e possui papel importante nas exportações do agronegócio nacional.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil foi excluído da lista por não apresentar informações consideradas suficientes para comprovar o cumprimento das regras do bloco relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária. O governo brasileiro, por sua vez, contestou a decisão e iniciou negociações para tentar reverter a medida antes da entrada em vigor do veto.

O Jornal Opção procurou o Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados no Estado de Goiás (Sindicarnes) para comentar os possíveis impactos da decisão para a cadeia produtiva goiana. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.

A reportagem também encaminhou questionamentos ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para obter esclarecimentos sobre as medidas adotadas pelo governo federal após a oficialização do veto e sobre os possíveis reflexos para o agronegócio brasileiro e goiano. Até o momento, a pasta não respondeu aos questionamentos.

O espaço segue aberto para manifestações.

Entenda a decisão da União Europeia

A decisão foi publicada pela Comissão Europeia e tem como base novas regras sanitárias adotadas pelo bloco para a importação de produtos de origem animal. Segundo as autoridades europeias, o Brasil não apresentou garantias consideradas suficientes para demonstrar o cumprimento integral das exigências relacionadas ao uso de determinados antimicrobianos na produção animal.

A medida afeta não apenas a carne bovina, mas também outros produtos de origem animal exportados pelo país. Embora entre em vigor apenas em setembro, a oficialização do veto amplia a preocupação do setor agropecuário brasileiro, que busca reverter a decisão por meio de negociações diplomáticas e técnicas conduzidas pelo governo federal.

O tema ganhou relevância porque a União Europeia é considerada um mercado estratégico para o agronegócio. Apesar de não ser o principal destino da carne brasileira em volume exportado, o bloco europeu costuma absorver produtos de maior valor agregado e possui forte influência sobre padrões sanitários adotados por outros mercados internacionais.

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