Mais de 570 mil brasileiros já pediram bloqueio de sites de apostas; saúde mental lidera motivos
26 maio 2026 às 18h52

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A Plataforma Centralizada de Autoexclusão, criada pelo Governo Federal para restringir o acesso a sites de apostas esportivas e jogos online, já foi utilizada por 574 mil brasileiros desde o lançamento, em dezembro de 2025. A ferramenta permite que usuários solicitem o bloqueio voluntário em todas as plataformas autorizadas a operar no país.
Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, cerca de 70% das pessoas que aderiram ao sistema optaram pelo bloqueio por tempo indeterminado. Entre aqueles que escolheram prazo determinado, a opção mais selecionada foi o período de um ano.
O sistema funciona de forma integrada e impede simultaneamente o acesso às contas vinculadas ao CPF do usuário, além de bloquear novos cadastros e suspender o envio de publicidade relacionada a apostas. De acordo com o ministério, 41% dos pedidos de autoexclusão foram motivados pela perda de controle sobre o jogo ou por impactos na saúde mental. Ao todo, 207 mil usuários afirmaram enfrentar problemas emocionais relacionados às apostas.
Outros motivos citados foram medo de vazamento de dados pessoais, apontado por 18% dos usuários, e dificuldades financeiras, mencionadas por 12%. Já 13% afirmaram que decidiram aderir à plataforma de maneira preventiva e voluntária. Para solicitar o bloqueio, o usuário deve informar dados pessoais e escolher se deseja a restrição por prazo determinado — entre um e 12 meses — ou permanente.
Além da exclusão dos sites, a plataforma reúne informações sobre saúde mental, orientações de prevenção e links de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) voltados para pessoas afetadas pelo uso compulsivo de apostas online. O sistema também oferece testes de autoavaliação desenvolvidos em parceria com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e o Ministério da Saúde.
Em nota, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o governo busca enfrentar os impactos das apostas com medidas baseadas em evidências. “Estamos criando instrumentos modernos para enfrentar um problema contemporâneo com respostas concretas, baseadas em evidências e orientadas pela proteção da população”, declarou.
A plataforma faz parte da estratégia federal para ampliar políticas de prevenção relacionadas aos impactos das apostas esportivas e jogos online. O governo também anunciou investimento de R$ 6 milhões para a realização da primeira pesquisa nacional sobre apostas e saúde mental no âmbito do SUS.
O estudo será conduzido pela Universidade Federal de São Paulo e deve mapear os efeitos das apostas no cotidiano da população brasileira. A previsão é que os resultados sejam divulgados ainda neste ano. Pessoas que precisarem de ajuda podem procurar atendimento em unidades básicas de saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou outros serviços especializados disponíveis pelo SUS Digital.
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