Fundo britânico reforça interesse em terras raras de Goiás
28 agosto 2026 às 19h35

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O fundo britânico Appian Capital acompanha oportunidades no setor de minerais críticos no Brasil e mantém as terras raras no radar, embora ainda não tenha projetos imediatos voltados à exploração desses elementos. A movimentação ocorre em meio ao aumento do interesse internacional pelas reservas brasileiras e, em especial, por Goiás, único estado do país com uma mina de terras raras atualmente em operação.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta sexta-feira, 28, a prioridade atual da Appian está voltada para minerais ligados à transição energética, como o níquel, além de insumos estratégicos como o grafite. De acordo com Milson Mundim, executivo da gestora no Brasil, o grupo acompanha as oportunidades relacionadas às terras raras no país.
O interesse ocorre em um cenário no qual o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, mas conta com apenas uma mina em operação, localizada em Goiás. O mercado global é amplamente dominado pela China, que concentra cerca de 90% da produção, considerando etapas como processamento, refino e aplicação tecnológica.
A movimentação do fundo britânico ocorre pouco mais de dois meses após o conselheiro político britânico Simon Fairweather afirmar, em entrevista ao Jornal Opção, no dia 13 de junho, que o Reino Unido tem interesse em estabelecer parcerias com Goiás para a exploração de terras raras.
Na ocasião, Fairweather apontou o interesse britânico justamente em um momento de intensificação da disputa internacional por minerais críticos, considerados estratégicos para a transição energética, setores de alta tecnologia e a indústria de defesa.
A crescente relevância geopolítica desses recursos também chegou ao Congresso Nacional, que discute a criação de uma política nacional para minerais críticos e terras raras, incluindo a possibilidade de estabelecer limites à participação estrangeira em projetos no país.
Atualmente, a Appian concentra parte de seus investimentos na mina subterrânea da Atlantic Nickel, em Itagibá, na Bahia. O projeto prevê aporte de R$ 3,3 bilhões para ampliar em 30 anos a vida útil da operação e elevar a produção anual de 15 mil para 24 mil toneladas de níquel contido.
No primeiro semestre de 2026, a empresa registrou receita de R$ 833 milhões, crescimento de 33% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda chegou a R$ 339 milhões, alta de 82% na mesma comparação.
Outro empreendimento do fundo no Brasil está relacionado à exploração de grafite no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, por meio da Graphcoa. O projeto, que concluiu o estudo definitivo de viabilidade, prevê investimentos de R$ 700 milhões e capacidade de produção superior a 50 mil toneladas anuais de concentrado.
O grafite é um insumo essencial para a fabricação de baterias de veículos elétricos e para outras tecnologias relacionadas à transição energética.
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