Memorial do Césio-137 pode ganhar endereço no Centro de Goiânia; veja local
28 agosto 2026 às 16h25

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A Rua 77, atrás do Mercado da 74, no Centro de Goiânia, será sugerida como local para a instalação do Memorial e Museu do Césio-137. A proposta será apresentada ao prefeito Sandro Mabel (UB) pelo vereador Lucas Kitão (Mobiliza), que afirmou ao Jornal Opção, nesta sexta-feira, 28, que o espaço pretende preservar a memória do acidente radiológico de 1987, homenagear vítimas e profissionais que atuaram na época e funcionar também como ponto cultural e turístico da capital.
“É uma iniciativa nossa para poder fazer uma reparação histórica com a nossa cidade”, afirmou Kitão.
Segundo o vereador, a escolha da região será sugerida ao Executivo durante as discussões para implantação do memorial. O projeto prevê ainda a participação de artistas goianos na produção de obras que retratem diferentes momentos da tragédia.
“Nós temos que cuidar das memórias de Goiânia, enaltecer os guerreiros que participaram dos cuidados durante o acidente do Césio-137, que não foi nada programado, pelo contrário, pegou todo mundo de surpresa e nós pagamos muito caro por isso até hoje. Foram centenas de pessoas afetadas, muitas mortes, e uma história que nós não queremos repetir. Mas nem por isso nós temos que esquecer. Esse é o motivo do memorial”, afirmou.

Espaço deve reunir memória, cultura e turismo
Além de preservar a história do acidente, Kitão pretende transformar o memorial em um espaço cultural e turístico. Segundo ele, artistas goianos já demonstraram interesse em contribuir com trabalhos relacionados ao episódio.
“Já estamos recebendo contato de grandes artistas goianos que querem participar desse memorial, fazer obras que retratam as fases que nós passamos, tudo o que aconteceu, inclusive para servir de conscientização, para que isso nunca mais aconteça”, disse.
A implementação do espaço ainda dependerá de regulamentação da Prefeitura de Goiânia. De acordo com Kitão, a intenção é buscar recursos por meio de emendas parlamentares e estabelecer parcerias com o Executivo e outras instituições.
“Aí depende agora de um decreto que a prefeitura vai fazer para organizar a implementação dele. Nós vamos captar recurso, investir em emendas parlamentares que vão poder ter este papel, tudo em parceria com o Executivo. Essa é a ideia”, declarou.
O vereador afirmou que pretende acompanhar as diferentes etapas de implantação e articular a participação de órgãos municipais, estaduais e federais.
“Nós vamos participar de todas as fases, vamos fazer essa articulação com os órgãos do município, do Estado. Nós temos uma Secretaria de Estado forte da Retomada, entidades que podem colaborar com a gente, o próprio Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], o Cnen [Comissão Nacional de Energia Nuclear], que está lá com uma sede bem próxima daquela área”, disse.
Segundo Kitão, a criação do memorial por lei também abre caminho para a previsão de recursos nas próximas peças orçamentárias e para a busca de parceiros.
“Essa é a missão nossa agora. Com a lei instituída, nas próximas leis orçamentárias a gente pode captar recursos e buscar parceiros como o Sistema S, o Senac e tantos outros”, explicou.
“Não é porque foi uma tragédia que devemos esquecer”
Ao comentar o acidente, Kitão avaliou que Goiânia e os órgãos públicos não estavam preparados para enfrentar uma ocorrência daquela dimensão em 1987.
“Era algo inesperado. Eu realmente acredito que o povo não estava preparado, os órgãos também não, não tinha a conscientização necessária”, afirmou.
O parlamentar também criticou a forma como o material radioativo permaneceu no antigo Instituto Goiano de Radioterapia.
“Muitas agências reguladoras e órgãos fiscalizadores foram omissos, porque o material nuclear não poderia ficar abandonado naquele hospital. Mas, no fim de tudo, apesar da tragédia, ainda serviu para alertar sobre esses riscos e mudar os protocolos de segurança”, completou.
Para Kitão, o memorial também pode contribuir para combater o preconceito relacionado ao acidente e manter a história conhecida pelas próximas gerações.
“Não é porque foi uma tragédia que devemos esquecer. Isso vai servir inclusive para quebrar o preconceito, tentar reparar historicamente as famílias das vítimas e enaltecer o trabalho de quem foi essencial na reorganização”, afirmou.
“Que não seja esquecido para as próximas gerações. Isso inclusive vai ser um ponto turístico, igual a gente vê no Museu do Holocausto. Aconteceu, infelizmente, mas a história está aí para contar e nós vamos fazer a nossa parte”, concluiu.
Acidente completa 39 anos em setembro
O acidente radiológico com o Césio-137 ocorreu em setembro de 1987, em Goiânia, após um aparelho de radioterapia abandonado nas antigas instalações do Instituto Goiano de Radioterapia ser retirado do local e posteriormente desmontado.
A cápsula encontrada no equipamento continha material radioativo que acabou sendo manipulado e distribuído entre diferentes pessoas, provocando contaminação em diversos pontos da capital.
O episódio é considerado um dos mais graves acidentes radiológicos ocorridos fora de instalações nucleares. Quatro pessoas morreram nas semanas seguintes em decorrência da exposição à radiação, enquanto centenas tiveram algum nível de contaminação ou precisaram de acompanhamento.
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