A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) divulgou estudo técnico sobre os efeitos das novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. A medida, anunciada em maio de 2026 e oficializada nesta quarta-feira, 15, prevê tarifas de 25% sobre uma ampla lista de produtos e 12,5% sobre itens que supostamente seriam resultado de trabalho forçado ou escravo.

Em 2025, o chamado “tarifaço” já havia afetado significativamente as exportações brasileiras, com queda de 22% nos valores enviados aos EUA entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. Naquele período, as exportações caíram de US$ 24 bilhões para US$ 18,7 bilhões. A decisão da Suprema Corte norte-americana, em fevereiro de 2026, suspendeu as barreiras e permitiu a recuperação dos números.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que as novas tarifas impactem 4.187 produtos brasileiros, cerca de 37% das exportações para os Estados Unidos, que somaram US$ 14,9 bilhões em 2025. A indústria de transformação responde pela maior parte desse montante, enquanto a agroindústria representou US$ 4,2 bilhões. O Global Trade Alert aponta que o Brasil, atualmente o 11º país mais taxado pelos EUA, passará a ocupar o 2º lugar, atrás apenas da China. A média da tarifa sobre produtos brasileiros subiria de 11,7% para 29,7%.

Apesar da abrangência das medidas, a lista de isenções divulgada pelo governo norte-americano incluiu produtos estratégicos para o Brasil, como carne bovina, café, ferro-gusa, petróleo, suco de laranja, minérios, medicamentos, frutas tropicais, aeronaves civis, computadores, smartphones, semicondutores e determinados produtos de madeira e metais. Essas exceções devem reduzir o impacto direto sobre a pauta exportadora nacional.

O estudo da Fieg calcula que, considerando elasticidade-preço da demanda, o efeito médio da tarifa de 25% pode variar entre 15% e 30% por produto. Já os itens sujeitos à tarifa de 12,5% podem sofrer redução adicional de 10% a 15%. No total, estima-se uma queda de 10% a 15% nas exportações brasileiras, o que representa US$ 360 milhões por mês ou US$ 4,3 bilhões por ano.

No caso de Goiás, os Estados Unidos são um mercado relevante. Em 2025, o estado exportou US$ 641 milhões, com crescimento contínuo nos últimos anos. Durante o tarifaço de 2025, as exportações goianas se estabilizaram, registrando apenas 3% de queda em relação aos meses anteriores. Após a suspensão das barreiras em fevereiro de 2026, os números voltaram a crescer, alcançando patamares superiores aos de 2025.

A Fieg aponta que, com as novas barreiras, o impacto para Goiás deve ser menor do que para o Brasil como um todo. Isso porque produtos-chave da pauta goiana, como carnes e soja, foram incluídos na lista de exceções. Ainda assim, as tarifas podem frear a tendência de crescimento das exportações estaduais, mantendo o valor próximo de US$ 80 milhões por mês.

O governo norte-americano sinalizou que a lista de produtos pode ser alterada conforme negociações bilaterais. Entre os temas estratégicos estão terras raras, sistema de pagamentos Pix, taxação de empresas de internet e desmatamento. O governo brasileiro, por sua vez, pode recorrer ao mecanismo de barreiras recíprocas para retaliar e pressionar os EUA, já que setores nacionais têm pleiteado o uso desse instrumento.

A pauta de terras raras e minerais críticos deve ganhar destaque nas negociações, com possibilidade de cooperação ou de maiores investimentos norte-americanos no setor, especialmente em Goiás. A Fieg explica em nota que o cenário político e comercial entre Brasil e Estados Unidos permanece imprevisível, o que pode alterar os efeitos das barreiras nos próximos meses.

O estudo conclui que é necessário acompanhar de perto o desenrolar das negociações bilaterais, já que não se pode descartar a possibilidade de novas isenções ou até da suspensão das barreiras, dependendo do contexto político e das relações entre os dois países.

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