Com a chegada das férias escolares e do período de estiagem, a tradicional brincadeira de soltar pipas volta a ocupar ruas, praças e campos em Goiás. Mas, junto com a diversão, cresce também o número de ocorrências envolvendo a rede elétrica. Levantamento da Equatorial Goiás mostra que, apenas no primeiro semestre de 2026, mais de 70 mil unidades consumidoras tiveram o fornecimento de energia interrompido por causa de pipas enroscadas na fiação.

Os dados revelam que o problema se concentra principalmente na Região Metropolitana de Goiânia. A capital lidera o ranking estadual com 63 ocorrências, seguida por Aparecida de Goiânia (32), Senador Canedo (23) e Trindade (14). Juntas, as quatro cidades respondem por cerca de 55% de todos os registros relacionados ao problema em Goiás.

Segundo o gerente de Relacionamento com Clientes da Equatorial Goiás, André Abraão, a brincadeira é saudável, mas exige cuidados para evitar acidentes e prejuízos à população. “A orientação da Equatorial é sempre procurar uma área livre, sem a presença de redes de energia. Se a pipa ou a linha entrar em contato com a rede elétrica, jamais tente recuperá-la”, alerta.

Gerente de Relacionamento com Clientes da Equatorial Goiás, André Abraão | Foto: Reprodução

Férias e tempo seco aumentam ocorrências

Os números mostram que os registros aumentam justamente durante o período mais seco do ano, quando as condições climáticas favorecem a prática. Em abril foram contabilizadas 32 ocorrências, número 45% maior que o registrado em março. Em maio houve um salto para 129 casos, enquanto junho fechou com 112 registros. Nos primeiros dias de julho, outros 19 episódios já haviam sido contabilizados.

Além da maior circulação de crianças e adolescentes durante as férias, a distribuidora identifica que as interrupções acontecem principalmente entre 15h e 20h, horário em que a brincadeira é mais frequente.

Como uma pipa pode provocar apagões

O problema ocorre quando a linha da pipa atinge os chamados alimentadores, cabos principais que saem das subestações e abastecem bairros inteiros.

Ao tocar esses equipamentos, a linha pode criar um caminho para a corrente elétrica, provocando curto-circuito e fazendo com que os sistemas automáticos desliguem a rede para evitar acidentes maiores.

Embora, em média, cada ocorrência afete entre 150 e 250 consumidores, alguns casos têm impacto muito superior. Um único incidente registrado em Formosa deixou 5,5 mil clientes sem energia, enquanto outro, em Goiânia, interrompeu o fornecimento para quase 5 mil consumidores.

Cerol e linha chilena aumentam o perigo

A concessionária afirma que o maior risco está no uso de cerol e linha chilena, materiais proibidos pela legislação goiana. Além de aumentarem significativamente o risco de acidentes graves com motociclistas, ciclistas e pedestres, esses materiais também podem cortar cabos da rede elétrica e provocar interrupções no fornecimento de energia.

A Lei Estadual nº 20.454/2019 proíbe a fabricação, comercialização e posse desses produtos em Goiás. As multas variam de R$ 200 a R$ 2 mil para pessoas físicas e ultrapassam R$ 3 mil para estabelecimentos comerciais, podendo haver fechamento em caso de reincidência.

Orientações para brincar com segurança

A Equatorial Goiás recomenda:

  • Soltar pipas apenas em locais abertos e longe da rede elétrica;
  • Nunca utilizar cerol ou linha chilena;
  • Não usar materiais metálicos na estrutura da pipa;
  • Nunca tentar retirar pipas presas em fios ou postes;
  • Manter crianças sob supervisão de um responsável.

Caso ocorra algum incidente envolvendo a rede elétrica, a orientação é isolar o local, não tocar em fios ou objetos em contato com a rede, acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 e comunicar a Equatorial Goiás pelo 0800 062 0196.

Segundo André Abraão, a concessionária mantém monitoramento permanente do sistema e equipes preparadas para restabelecer o fornecimento, mas reforça que a prevenção continua sendo a principal forma de evitar acidentes. “A Equatorial monitora as redes e faz o restabelecimento assim que identifica qualquer ocorrência, mas o mais importante é garantir a segurança. Procure um local aberto, onde não exista rede elétrica, e faça da brincadeira aquilo que ela deve ser: um momento de diversão, e não de perigo”, completa.

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