Férias de julho mostram que trânsito de Goiânia pode ser mais eficiente também no resto do ano, diz engenheiro
15 julho 2026 às 17h45

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A redução dos congestionamentos durante as férias escolares demonstra que Goiânia pode ter um trânsito mais eficiente ao longo de todo o ano, desde que haja organização, fiscalização e investimentos em mobilidade urbana. A avaliação é do engenheiro de transportes MarcosRothen, que afirma que grande parte dos problemas enfrentados diariamente poderia ser minimizada com mudanças no comportamento dos motoristas e ações mais efetivas do poder público.
“As férias diminuem muito o número de pessoas nas ruas e praticamente acabam com a confusão em frente às escolas. Isso mostra que é possível melhorar a mobilidade durante o restante do ano, desde que haja organização”, afirma Rothen.
As férias escolares alteram significativamente a dinâmica do trânsito nas grandes cidades. Em Goiânia, o período é marcado pela redução do fluxo de veículos, menor tempo de deslocamento e diminuição dos congestionamentos, principalmente nos horários de pico.
A capital possui uma das maiores frotas do país. Segundo levantamento do Instituto Mauro Borges (IMB), realizado em 2024, Goiânia reúne cerca de 1,37 milhão de veículos, o equivalente a aproximadamente dois automóveis por habitante. Dados do IBGE de 2025 colocam a cidade na sexta posição entre as capitais brasileiras com maior concentração de veículos.
Para Rothen, embora o número elevado de carros influencie diretamente na mobilidade, a desorganização no trânsito agrava ainda mais o problema.
“As pessoas param o carro em qualquer lugar, estacionam em esquinas, em fila dupla e até no meio da rua. Cada veículo parado de forma irregular atrapalha dezenas de outros. Falta empatia no trânsito de Goiânia”, destaca.

Escolas concentram gargalos
De acordo com o Censo Escolar 2024, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Goiânia concentra milhares de unidades de ensino, especialmente em bairros como Setor Bueno, Jardim América, Setor Oeste, Setor Coimbra, Setor Central e Jardim Goiás. Durante o período letivo, essas regiões registram intenso movimento provocado pelo embarque e desembarque de estudantes.
Na avaliação do engenheiro, as escolas também precisam assumir responsabilidade pela organização desse processo.
“As escolas têm que organizar o desembarque dos alunos. Não é aceitável que os pais parem em fila dupla e que isso seja tratado como algo normal. A prefeitura precisa fiscalizar e aplicar multas. Enquanto houver tolerância, as escolas não terão incentivo para mudar.”
Segundo Rothen, existem exemplos em outras cidades onde funcionários das próprias instituições orientam os pais e agilizam o embarque e desembarque, reduzindo significativamente os congestionamentos.
“Em outras cidades, os alunos podem ser deixados até uma quadra antes da escola, porque há equipes organizando a chegada. Aqui, muitas vezes as pessoas param no meio da rua e ninguém orienta o fluxo.”
Prioridade ao automóvel
Para o especialista, a política de mobilidade da capital ainda privilegia o transporte individual em detrimento do coletivo e dos pedestres.
“Hoje o poder público incentiva muito mais o uso do automóvel. A preocupação é aumentar a velocidade dos carros, sem olhar para o transporte coletivo, para os pedestres e para os demais usuários das vias.”
Ele defende que a engenharia de tráfego seja utilizada para equilibrar os interesses de todos os modos de transporte.
“A engenharia de trânsito precisa pensar no todo. É melhorar a sincronia dos semáforos, impedir estacionamento em esquinas, organizar os cruzamentos e distribuir os atrasos de forma equilibrada. Não dá para favorecer apenas os carros.”
Transporte coletivo e estacionamento
Outra medida apontada por Rothen é o fortalecimento do transporte coletivo. “A prefeitura investiu nos terminais, o que é importante, mas não aumentou a oferta de ônibus. Em muitos lugares a frequência é baixa e existem bairros sem atendimento adequado. Às vezes é mais rápido ir caminhando do que esperar um ônibus.”
O engenheiro também defende mudanças na política de estacionamento da cidade. “Em Goiânia é possível estacionar gratuitamente o dia inteiro em áreas centrais. Isso incentiva o uso do carro. O estacionamento deveria ser rotativo, com cobrança e limite de tempo. Essa é uma medida adotada em diversas cidades e que estimula o uso do transporte coletivo.”
Até 30% menos veículos nas ruas
Segundo Rothen, a melhora perceptível durante as férias ocorre principalmente pela redução da circulação de veículos. “Normalmente, nesse período, entre 20% e 30% dos veículos deixam de circular. É por isso que as pessoas sentem tanta diferença no trânsito.”
Para o especialista, o cenário das férias serve como exemplo de que Goiânia pode ter uma mobilidade mais eficiente durante todo o ano, desde que haja planejamento, fiscalização e investimentos que priorizem a circulação de pessoas — e não apenas dos automóveis.
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