Ranking Crítico revela os 10 maiores ficcionistas de Goiás; veja os nomes
12 julho 2026 às 19h48

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Um dossiê literário trouxe à tona uma análise inédita sobre a ficção goiana, estabelecendo um ranking crítico dos dez maiores ficcionistas do estado. O estudo não mede fama, mas sim a permanência narrativa dos autores, cruzando critérios como qualidade estética, relevância histórica, originalidade, consistência de obra e influência.
O levantamento aponta que a ficção goiana vai além do sertão e do regionalismo, abrangendo alegoria política, humor contemporâneo, densidade psicológica, oralidade, experiência urbana e voz feminina.
A matriz de leitura estabeleceu seis critérios de pontuação. “Estética” corresponde a 25% e avalia prosa, cena e intensidade. “Crítica” representa 20% e considera fortuna crítica, prêmios e circulação. “História de Goiás” soma 15% e mede o peso na tradição. “Originalidade” também vale 15% e observa invenção formal. “Obra” equivale a 15% e analisa consistência e maturidade. “Influência” fecha com 10% e avalia repercussão e permanência.
No topo da lista está José J. Veiga, com nota final de 9,72. Ele é mestre da alegoria política e do estranhamento cotidiano, sua obra universaliza a ficção goiana ao revelar medos coletivos e comunidades fechadas. Entre seus títulos estão Os Cavalinhos de Platiplanto, A Hora dos Ruminantes e Sombras de Reis Barbudos.
Logo atrás aparece Bernardo Élis, com 9,61, narrador do sertão em sua dimensão social e trágica, autor de Ermos e Gerais, O Tronco e Veranico de Janeiro. Edival Lourenço ocupa a terceira posição com 9,18, representante da ficção contemporânea marcada por humor, crítica e ironia urbana.
O núcleo máximo da ficção goiana é formado por Veiga, Élis e Lourenço, considerados os de maior alcance e força narrativa. A tradição expandida reúne Hugo de Carvalho Ramos, Antônio José de Moura, Eli Brasiliense e Miguel Jorge. Ramos, com 9,07, é visto como fundador da ficção goiana, apesar da obra breve Tropas e Boiadas. Moura, com 8,84, destaca-se pela densidade psicológica. Brasiliense, com 8,73, expande a literatura para o norte goiano, hoje Tocantins. Miguel Jorge, com 8,58, traz urbanidade e experimentação formal.
O fechamento necessário do ecossistema literário é composto por Carmo Bernardes, Heleno Godoy e Maria Helena Chein. Bernardes, com 8,41, é o narrador da oralidade e da memória popular. Godoy, com 8,19, mais lembrado pela poesia, garante lugar pela elaboração formal de sua prosa. Chein, com 8,03, representa a voz feminina, consolidando sensibilidade e maturidade narrativa.
Em sua conclusão, o dossiê aponta que a ficção goiana não se resume a uma linha única. Ela é simultaneamente sertão e alegoria, cidade e cerrado, riso e violência, oralidade e forma. Estes dez autores tornaram Goiás narrável como experiência literária, compondo um mapa múltiplo e diverso da produção ficcional do estado.
1 – José J. Veiga
Ele nasceu em 2 de fevereiro de 1915 na fazenda Morro Grande, situada entre Corumbá e Pirenópolis, em Goiás, e viveu a infância no ambiente rural até perder a mãe, passando então a ser criado por tios na antiga capital do estado, Cidade de Goiás. Essa formação marcada pelo interior goiano deixou traços profundos em sua produção literária, que frequentemente retrata cenários rurais e pequenas comunidades, refletindo costumes e modos de vida locais.
Mais tarde, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou Direito e construiu sua trajetória como escritor e jornalista, mas manteve sempre uma ligação intensa com suas origens, sendo reconhecido como um dos grandes nomes da literatura brasileira. Sua obra combina elementos do realismo fantástico com o regionalismo, características que revelam a influência de sua vivência no interior de Goiás.

2 – Bernardo Élis
Ele nasceu em 15 de novembro de 1915 em Corumbá de Goiás e faleceu em 30 de novembro de 1997, sendo lembrado como um dos grandes nomes da literatura brasileira e o único escritor goiano a integrar a Academia Brasileira de Letras. Sua produção literária abrange poesia, contos e romances, sempre marcada por forte influência regional e pela representação da vida no sertão goiano, com destaque para os contrastes sociais e culturais da região.

Além de sua obra, desempenhou papel relevante na vida cultural do estado, participando de encontros literários e incentivando a criação artística local, o que consolidou sua posição como figura central da literatura regionalista no Brasil.
3 – Edival Lourenço
Ele nasceu em 13 de agosto de 1952 em Iporá, Goiás, e construiu uma trajetória marcada pela literatura e pela atuação cultural. Formado em Direito e aposentado da Caixa Econômica Federal, onde trabalhou na área de comunicação e promoção cultural, destacou-se como poeta, cronista e romancista, recebendo prêmios de grande relevância como o Prêmio Jabuti e o Troféu Jaburu.
Além de sua produção literária, exerce papel ativo na vida cultural goiana, sendo presidente da União Brasileira de Escritores de Goiás e secretário de Estado da Cultura, além de integrar a Academia Goiana de Letras. Participou de mais de quinze antologias, consolidando-se como uma das vozes mais expressivas da literatura contemporânea do estado.

4 – Hugo de Carvalho Ramos
Ele nasceu em 21 de maio de 1895 na antiga Vila Boa de Goiás, hoje Cidade de Goiás, e desde muito jovem demonstrou talento literário, escrevendo seus primeiros contos aos quinze anos. Em 1917 publicou Tropas e Boiadas, obra que se tornou referência do regionalismo brasileiro ao retratar com sensibilidade o cotidiano do sertão goiano e explorar dimensões psicológicas de seus personagens.
Sua trajetória foi marcada por crises emocionais que culminaram em sua morte precoce em 1921, mas, apesar da brevidade de sua vida, deixou um legado que permanece como marco da literatura goiana e da tradição regionalista no Brasil.

5 – Antônio José de Moura
Ele nasceu em 30 de julho de 1944 em Mambaí, Goiás, e construiu uma carreira marcada pela literatura e pelo jornalismo, área em que atuou por mais de duas décadas. Formado em Direito pela Universidade Federal de Goiás, destacou-se como romancista com obras como Dias de Fogo e Sete Léguas de Paraíso, além de se dedicar à poesia e ao ativismo em prol da valorização da literatura goiana.
É membro da Academia Goiana de Letras e recebeu prêmios importantes, entre eles o Félix de Bulhões, consolidando-se como uma das vozes mais representativas da produção literária do estado.

6- Eli Brasiliense
Cujo nome de nascimento era Eli Ribeiro Brasiliense, veio ao mundo em 18 de abril de 1915 na cidade de Pium e faleceu em Goiânia em 5 de dezembro de 1998. Reconhecido como escritor, professor, filólogo e romancista, destacou-se por sua contribuição ao regionalismo goiano, tornando-se uma figura de grande relevância na literatura do estado.
Atuou como redator-chefe da Folha de Goyaz e presidiu a Academia Goiana de Letras, além de publicar obras marcantes como Pium, Bom Jesus do Pontal e A Cidade Sem Sol e Sem Lua, que reforçam sua importância no cenário literário brasileiro.

7. Miguel Jorge
Miguel Jorge é um dos escritores responsáveis pela modernização da literatura goiana. Além de romancista, atua como poeta, dramaturgo, jornalista e professor, desenvolvendo uma obra marcada pela experimentação formal, pela reflexão existencial e pela valorização da linguagem como elemento central da narrativa.
Sua ficção desloca o foco do regionalismo tradicional para os ambientes urbanos, a subjetividade e as transformações da sociedade contemporânea. Ao explorar novas formas narrativas, Miguel Jorge ampliou o repertório estético da literatura produzida em Goiás. No ranking, ocupa a sétima posição como símbolo da sofisticação formal da prosa goiana.

8. Carmo Bernardes
Carmo Bernardes (1915–1996) tornou-se referência por registrar literariamente a cultura popular do cerrado goiano. Sua escrita preserva expressões linguísticas, costumes, histórias orais e modos de vida do interior, transformando a oralidade em elemento central de sua narrativa. Seu trabalho é frequentemente associado à valorização da identidade cultural de Goiás.
Ao retratar personagens comuns e o cotidiano rural com autenticidade, Bernardes construiu um importante patrimônio literário e documental sobre o estado. Sua contribuição vai além da ficção, alcançando também a preservação da memória cultural goiana. Por isso, ocupa a oitava posição no ranking.

9. Heleno Godoy
Heleno Godoy é um dos principais intelectuais da literatura goiana contemporânea. Embora seja amplamente reconhecido como poeta, também desenvolveu uma obra ficcional caracterizada pelo rigor formal, pela elaboração estética e pela reflexão sobre a própria linguagem. Seus textos apresentam forte preocupação estrutural e dialogam com tendências modernas da literatura brasileira.
Professor universitário, tradutor e pesquisador, Heleno exerceu influência tanto na produção literária quanto na formação de novos escritores e estudiosos. No ranking, aparece como representante da vertente mais intelectualizada da ficção goiana, em que a narrativa se constrói por meio da experimentação formal e da consciência estética.

10. Maria Helena Chein
Maria Helena Chein consolidou-se como uma das principais vozes femininas da ficção goiana contemporânea. Sua obra é marcada pela sensibilidade, pela construção cuidadosa dos personagens e pela abordagem de temas ligados às relações humanas, à memória e à experiência feminina, contribuindo para ampliar a diversidade da literatura produzida em Goiás.
Ao longo de sua trajetória, construiu uma produção consistente que conquistou reconhecimento entre críticos e leitores. Sua presença no ranking representa não apenas o fortalecimento da participação feminina na literatura goiana, mas também o reconhecimento da qualidade literária de sua obra, caracterizada pela maturidade narrativa e pela permanência de seus textos.

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