Inteligência artificial na segurança pública: chegou a hora de mostrar a que veio
27 junho 2026 às 21h00

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Aliada ou retrocesso? Quando se fala em uso da tecnologia, há opiniões em vários sentidos e em diversos campos. Se levarmos esse assunto para o campo da educação, por exemplo, há quem defenda que o uso da tecnologia auxilia e torna o ensino ainda mais atrativo. Mas há aqueles que defendem que a quantidade de ferramentas existentes hoje tem contribuído para uma geração que tem uma inteligência um tanto discreta.
Na saúde, os argumentos até que são mais positivos do que negativos. Afinal, a tecnologia, aliada à ciência, tem contribuído com avanços significativos para levar à cura de algumas doenças que, até então, eram tidas como incuráveis. Já é possível debater sobre a cura do HIV ou até mesmo sobre o surgimento de células cancerígenas, com resultados promissores.
Na área da segurança pública, um caso nesta semana chamou atenção e despertou um alerta importante: como as gigantes dessa área devem estar cada vez mais em sintonia com as forças policiais. O que seria uma conversa privada com um chatbot se tornou peça-chave para impedir a concretização de um assassinato.
A história começa a ficar um pouco pesada a partir deste momento: um homem, de 36 anos, foi preso pela Polícia Civil do Espírito Santo sob a suspeita de tramar a morte do próprio filho, de apenas 8 anos, para não pagar a pensão alimentícia à ex-companheira. As investigações apontaram que ele utilizava o ChatGPT como uma espécie de diário, onde registrava as intenções, dúvidas e todo o planejamento do crime. De acordo com os registros, o objetivo era matar a criança no último dia 20 de junho.
Os mecanismos de monitoramento utilizados pela OpenAI, que é a empresa responsável pelo ChatGPT, foram cruciais para solucionar o caso. Isso porque as mensagens chamaram a atenção dos sistemas de segurança da plataforma, que acionaram o FBI, nos Estados Unidos. A informação foi compartilhada com as autoridades brasileiras, o que permitiu que a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) localizasse e prendesse o homem um dia antes da data em que o homicídio seria executado.
Aos policiais, o homem confessou o plano. O episódio traz à tona uma informação pouco difundida, mas extremamente valiosa e necessária: embora as conversas com os chatbots sejam amplamente privadas, empresas como a OpenAI mantêm sistemas destinados a identificar conteúdos que indiquem risco iminente à vida, terrorismo, exploração infantil ou outras ameaças mais graves. Caso a situação se encaixe em um desses parâmetros, os protocolos internos permitem que as informações sejam encaminhadas às autoridades competentes, sempre dentro das exigências legais e quando há risco concreto à segurança das pessoas.
O episódio mostra que a tecnologia vem tomando um espaço importante no dia a dia das pessoas, principalmente na área da segurança pública. Atrevo-me a dizer que é um acerto quem consegue fazer uma leitura antecipada sobre isso. Daniel Vilela tem enxergado isso com maestria ao utilizar a Inteligência Artificial como uma aliada no combate ao crime.
O programa IA contra o Crime é o olho de toda uma corporação que não consegue estar presente em todos os lugares, mas que condiciona toda a cidade em metros quadrados de um espaço em que funciona a sala de monitoramento. A partir daí, é possível viabilizar que a equipe mais próxima possa ir atender aquela ocorrência. Ao mesmo tempo em que as câmeras também conseguem percorrer o trajeto feito pelo suspeito e, com a sua capacidade até mesmo de fazer um reconhecimento facial a longa distância, fazer com que ele seja localizado o mais rápido possível.
O projeto é ambicioso e tem a expectativa de ultrapassar as barreiras das grandes cidades, pois os crimes também ocorrem em municípios pequenos. Muitas vezes, as pequenas cidades servem como base do crime organizado, e a tecnologia ajuda a mudar essa realidade geográfica que foi escrita há muitos anos.
São 4.435 câmeras espalhadas por todo o Estado. Para dar conta de tanta imagem a ser produzida 24 horas por dia, sete dias por semana, está no radar a construção de 22 Centros Integrados de Inteligência, Comando e Controle (CIICCs).
Um feito que pode exemplificar isso é a prisão de cinco suspeitos por um roubo de carro na região Noroeste de Goiânia, que foram localizados após o confronto de informações. Eles publicaram nas redes sociais um vídeo com um fuzil. Em seguida, os suspeitos aparecem dentro de um carro, ostentando a arma de grosso calibre.
A Polícia Militar de Goiás prendeu cinco homens neste domingo (21/6), no Setor Jardim Liberdade, região Noroeste de Goiânia, após exibirem um fuzil em vídeo publicado nas redes sociais. A rápida localização do grupo foi possível com apoio da plataforma IA Contra o Crime, que identificou o veículo utilizado pelos criminosos e auxiliou as equipes na operação.
O modelo do veículo foi identificado e suas características foram inseridas no sistema de inteligência artificial, juntamente com o horário das postagens realizadas pelos criminosos na sexta-feira. A ferramenta mapeou a rota percorrida pelo carro. Embora o veículo tenha permanecido sem ser localizado por cerca de 24 horas após a divulgação do vídeo, um alerta foi criado na plataforma e, assim que voltou a circular, foi identificado pelas equipes policiais, que realizaram a abordagem.
É claro que o uso da tecnologia leva à reflexão sobre a invasão da privacidade das pessoas e o abuso que se pode ter em cima dessas inteligências artificiais. O Brasil ainda patina quando se fala em regulamentação da IA. Em Goiás, isso já é uma realidade, com uma Lei Complementar que traz, em seus vários aspectos, diretrizes que perpassam desde a criação para finalidade lícita até a atração de pesquisadores, desenvolvedores e empresas inovadoras, além da criação de um Núcleo de Ética e Inovação em Inteligência Artificial. O objetivo é a promoção do uso responsável, transparente e sustentável da IA em Goiás. As diretrizes desse núcleo são revisadas em determinado período para acompanhar as transformações tecnológicas que acontecem em todo o mundo.
Em um mundo moderno, onde todos sabem que a tecnologia já está presente, não tem como não pensar e planejar o funcionamento dela para benefício da comunidade. Tem o jeito certo de ser construída e azeitada para que a IA mostre o seu lado cada vez mais positivo e produtivo para qualquer um. A tecnologia deve ser vista como uma aliada no processo de criação de um bem-estar coletivo, mas sem deixar as pessoas de escanteio.
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