Livro de Richard Evans examina as ações dos principais seguidores do nazismo de Hitler
04 julho 2026 às 21h01

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O historiador britânico Richard J. Evans, professor da Cambridge, é autor da melhor história geral do Terceiro Reich — do início ao fim. Felizmente, há uma edição completa, publicada em três volumes, com 2715 páginas, pela Editora Planeta.
Procede que há livros isolados — assim como biografias escritas por Ian Kershaw, de Hitler, e Peter Longerich, de Himmler e Goebbels — de excelente qualidade. Mas, quando se trata de uma história totalizante, não há nenhuma tão relevante e incontornável quanto a de Richard Evans.
A trilogia “A Chegada do Terceiro Reich” (660 páginas, tradução de Lúcia Brito), “O Terceiro Reich no Poder” (1023 páginas, tradução de Lúcia Brito), “O Terceiro Reich em Guerra” (1038 páginas, tradução de Lúcia Brito e Solange Pinheiro), além da pesquisa rigorosa e de sua amplitude, é muito bem-escrita. Richard J. Evans tem pegada de escritor.

Quando se fala de nazismo, há quem pense, talvez por inocência, que todas as decisões eram tomadas, de maneira isolada, pelo chanceler-ditador Adolf Hitler (1889-1945).
Paladinos, executores e instrumentos
A Alemanha era um sistema totalitário, com um ditador normatizando a vida dos cidadãos. Mas Hitler era auxiliado por uma plêiade de líderes e militantes convictos, alguns com boa formação intelectual (até o grande filósofo Martin Heidegger chegou a se impressionar com o Führer), que, em conjunto, organizaram a Alemanha a partir dos princípios nazistas. Nem todos eram meros funcionários administrativos; portanto, obrigados a obedecer às leis nazistas. Muitos deles elaboraram a legislação à qual todos os demais eram obrigados a seguir.

Além de Hitler, são citados Joseph Goebbels, Hermann Göring e Heinrich Himmler (o articulador direto do Holocausto, ao lado de Hitler). Mas quatro homens sozinhos não conseguem gerir um país, notadamente uma nação da dimensão da Alemanha.
(O historiador Robert Gellately, ex-professor de Oxford, é autor de um livro excepcional: “Apoiando Hitler — Consentimento e Coerção na Alemanha Nazista”, Record, 517 páginas, tradução de Vítor Paolozzi. O ex-professor de Oxford diz que, obviamente, havia coerção na Alemanha nazista, mas havia também muito apoio tão ostensivo quanto consentido. Os alemães no geral sabiam do Holocausto. O mesmo Gellatelly escreveu outro livro extraordinário, “Lênin, Stálin e Hitler — A Era da Catástrofe Social”, Record, 796 páginas, tradução de Vítor Paolozzi. Os três ditadores eram cruéis, adeptos da violência extrema contra adversários e até aliados. Mas havia alguma gradação. Na estrutura de poder, na União Soviética, temia-se mais Stálin do que Hitler, na Alemanha.)

A estrutura de poder, do campo institucional — por exemplo, os formuladores das leis — ao militar, além da operação do dia a dia da administração pública, do nazismo precisa ser divulgada de maneira mais ampla. Certo, há alguns livros, mostrando, por exemplo, os generais de Hitler e alguns nazistas de proa. Mas a maioria concentra-se em Göring, Goebbels e Himmler (dos dois últimos há biografias do balacobaco da lavra de Peter Longerich)
Por isso, é muito bem-vinda a edição do livro “Seguidores de Hitler — Os Rostos do Terceiro Reich” (Crítica, 672 páginas).

O chefão era Hitler, claro. Richard Evans lista os “paladinos”: Hermann Göring, Heinrich Himmler, Ernst Röhm, Joachim von Ribbentrop, Alfred Rosenberg e Albert Speer; os “executores”: Rudolf Hess, Franz von Papen, Robert Ley, Julius Streicher, Reinhard Heydrich, Adolf Eichmann e Hans Frank; e os “instrumentos”: Wilhelm Ritter von Leeb, Karl Brandt, Paul Zapp, Egon Zill, Ilse Koch, Irma Grese, Gertrud Scholtz-Klink, Leni Riefenstahl e Luise Solmitz.
No site da Editora Planeta, que abriga o selo Crítica, pode ser lido um trecho do livro de Richard Evans. Interessantíssimo. A publicação do livro está prevista para 30 de julho deste ano.
Confira a sinopse da editora
“Um estudo biográfico do círculo íntimo de Hitler que oferece uma nova maneira de enxergar os horrores do regime nazista.Por que tantos alemães participaram dos crimes da Alemanha nazista? Como passaram a apoiar Hitler e segui-lo quase até o fim?

“Por muito tempo, os nazistas foram apresentados como pouco mais do que psicopatas ou criminosos. Em sua nova obra, o renomado historiador Richard J. Evans recorre a uma vasta quantidade de evidências recentes para remover a aura de mito e lenda dos rostos por trás do Terceiro Reich e apresentar uma visão mais realista dos nazistas, vistos como seres humanos perturbadoramente semelhantes a nós.

“Evans traça retratos complexos, renovados e muitas vezes surpreendentes dos homens e mulheres que criaram e serviram à Alemanha nazista, começando pelo próprio Hitler e avançando por figuras centrais como Göring, Goebbels e Himmler, executores diretos das ordens de Hitler, como Eichmann e Heydrich, propagandistas como Leni Riefenstahl, agentes de escalão inferior, como a notória Irma Grese, além de simpatizantes anônimos e companheiros de jornada que ajudaram o regime de inúmeras maneiras.
“‘Seguidores de Hitler’ é uma obra perturbadora e brilhantemente escrita, que permite ao leitor compreender a dinâmica e os valores do Terceiro Reich e refletir sobre o quão longe pessoas são capazes de ir quando não há restrições morais.”
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