Lista do The Guardian com 100 melhores romances perde relevância ao excluir Machado de Assis e Clarice Lispector
23 maio 2026 às 21h00

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Nenhuma lista sobre os melhores romances de todos os tempos pode excluir “O Vermelho e o Negro”, de Stendhal; “Ilusões Perdidas”, de Balzac; “Evguiêni Oniéguin” (romance em versos), de Púchkin; “Pais e Filhos”, de Ivan Turguêniev; “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis; “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos; “O Deserto dos Tártaros”, de Dino Buzzati; “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, “Perto do Coração Selvagem”, de Clarice Lispector, e “Homem Invisível”, de Ralph Ellison.
Por que excluir Louis-Ferdinand Céline? Por que era nazifascista? De fato, era. Homem abominável, permanece como um escritor excepcional.

Machado de Assis: autor de romances excepcionais, como “Dom Casmurro” | Foto: Reprodução
Tal lista, altamente excludente, pode até ser séria, mas é amplamente redutora.
Mais: o que dizer de uma lista que inclui uma autora italiana do segundo time, Elena Ferrante (não é ruim, esclareça-se), mas exclui escritores italianos de primeira linha, como Dino Buzzati, Natalia Ginzburg, Italo Calvino e Alberto Moravia.
A culpa é do “Guardian”? A rigor, não. Porque a lista foi formatada por 172 intelectuais. Cada um deles pôde arrolar até 10 livros. Ao final, fez-se a lista com os “100 melhores romances de todos os tempos”.

A “Folha de S. Paulo” nota que “a lista acabou privilegiando obras e autores de séculos passados, principalmente trabalhos produzidos no século 20”. Os “eleitores” deram prioridade a autores da Europa e dos Estados Unidos.
A regra básica: os livros deveriam ter sido publicados em inglês, mesmo em tradução. Ressalte-se que Machado de Assis, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa e Clarice Lispector foram traduzidos para a língua de Shakespeare e Edna O’Brien.

“Middlemarch — Um Estudo da Vida Provinciana”, de George Eliot (Mary Ann Evans), é um romance notável. Mas colocá-lo em primeiro lugar é menosprezar escritores como Proust, Joyce, Virginia Woolf e os não citados André Gide e Natalia Ginzburg. Entre outros e outras.
“Amada”, de Toni Morrison, merece o segundo lugar? Sim. Mas eu o trocaria o belo e doloroso romance por “A Canção de Solomon”, que merece nova tradução pela Companhia das Letras.

Melhores romances de todos os tempos segundo o The Guardian
Middlemarch
George Eliot, 1871
Amada
Toni Morrison, 1987
Ulysses
James Joyce, 1920
Ao Farol
Virginia Woolf, 1927
Em Busca do Tempo Perdido
Marcel Proust, 1913
Anna Kariênina
Liev Tolstói, 1878
Guerra e Paz
Liev Tolstói, 1867
Jane Eyre
Charlotte Brontë, 1847
Orgulho e Preconceito
Jane Austen, 1813
Madame Bovary
Gustave Flaubert, 1856
O Grande Gatsby
F. Scott Fitzgerald, 1925
A Casa Soturna
Charles Dickens, 1853
Emma
Jane Austen, 1815
Mrs Dalloway
Virginia Woolf, 1925
Moby Dick
Herman Melville, 1851
1984
George Orwell, 1949
Cem Anos de Solidão
Gabriel García Márquez, 1967
Persuasão
Jane Austen, 1817
A Vida e Opiniões de Tristram Shandy
Laurence Sterne, 1759
O Morro dos Ventos Uivantes
Emily Brontë, 1847
Retrato de uma Senhora
Henry James, 1881
O Mundo se Despedaça
Chinua Achebe, 1958
Os Filhos da Meia-Noite
Salman Rushdie, 1981
Os Vestígios do Dia
Kazuo Ishiguro, 1989
Lolita
Vladimir Nabokov, 1955
Dom Quixote
Miguel de Cervantes, 1605
O Processo
Franz Kafka, 1925
Os Irmãos Karamázov
Fiódor Dostoiévski, 1880
Fogo Pálido
Vladimir Nabokov, 1962
Frankenstein
Mary Shelley, 1818
A Primavera sa Srta, Jean Brodie
Muriel Spark, 1961
O Deus das Pequenas Coisas
Arundhati Roy, 1997
David Copperfield
Charles Dickens, 1850
Wolf Hall
Hilary Mantel, 2009
Grandes Esperanças
Charles Dickens, 1861
O Conto da Aia
Margaret Atwood, 1985
O Homem Invisível
H. G. Wells, 1897
A Época da Inocência
Edith Wharton, 1920
Seus Olhos Viam Deus
Zora Neale Hurston, 1937
A Canção de Solomon
Toni Morrison, 1977
Coração das Trevas
Joseph Conrad, 1899
A Montanha Mágica
Thomas Mann, 1924
Housekeeping
Marilynne Robinson, 1980
O Quarto de Giovanni
James Baldwin, 1956
O Carnê Dourado
Doris Lessing, 1962
O Leopardo
Giuseppe Tomasi di Lampedusa, 1958
Feira das Vaidades: Vanity Fair
William Makepeace Thackeray, 1848
A Metamorfose
Franz Kafka, 1915
Um Delicado Equilíbrio
Rohinton Mistry, 1995
Vasto Mar de Sargaços
Jean Rhys, 1966
A Amiga Genial
Elena Ferrante, 2011
A Taça de Ouro
Henry James, 1904
O Trânsito de Vênus
Shirley Hazzard, 1980
Orlando
Virginia Woolf, 1928
As Ondas
Virginia Woolf, 1931
Mansfield Park
Jane Austen, 1814
O Som e a Fúria
William Faulkner, 1929
Desonra
J. M. Coetzee, 1999
Não me Abandone Jamais
Kazuo Ishiguro, 2005
Howards End
E. M. Forster, 1910
Os Anéis de Saturno: Uma Peregrinação Inglesa
W. G. Sebald, 1995
Meio Sol Amarelo
Chimamanda Ngozi Adichie, 2006
Dentes Brancos
Zadie Smith, 2000
O Bom Soldado
Ford Madox Ford, 1915
A Cor Púrpura
Alice Walker, 1982
O Mestre e Margarida
Mikhail Bulgákov, 1967
O Homem Sem Qualidades
Robert Musil, 1930
Meridiano de Sangue
Cormac McCarthy, 1985
Crime e Castigo
Fiódor Dostoiévski, 1866
Judas, o Obscuro
Thomas Hardy, 1895
Kindred: Laços de Sangue
Octavia E. Butler, 1979
Nosso Amigo em Comum
Charles Dickens, 1865
Austerlitz
W. G. Sebald, 2001
Condições Nervosas
Tsitsi Dangarembga, 1988
O Olho Mais Azul
Toni Morrison, 1970
Drácula
Bram Stoker, 1897
O Arco-íris
D. H. Lawrence, 1915
Uma Casa para o Sr. Biswas
V.S. Naipaul, 1961
Proclamem nas Montanhas
James Baldwin, 1952
Rebecca
Daphne du Maurier, 1938
Os Buddenbrook
Thomas Mann, 1901
Fim de Caso
Graham Greene, 1951
Adeus às Armas
Ernest Hemingway, 1929
O Talentoso Ripley
Patricia Highsmith, 1955
A Vegetariana
Han Kang, 2007
A Outra Volta do Parafuso
Henry James, 1898
A Linha da Beleza
Alan Hollinghurst, 2004
Ragtime
E. L. Doctorow, 1975
A Mão Esquerda da Escuridão
Ursula K. Le Guin, 1969
O Quarto de Jacó
Virginia Woolf, 1922
Vida e Destino
Vasily Grossman, 1980
A Educação Sentimental
Gustave Flaubert, 1869
As Cidades Invisíveis
Italo Calvino, 1972
O Mundo Conhecido
Edward P. Jones, 2003
O Retorno do Nativo
Thomas Hardy, 1878
Pedro Páramo
Juan Rulfo, 1955
Ardil-22
Joseph Heller, 1961
A Estrada
Cormac McCarthy, 2006
O Mensageiro
L. P. Hartley, 1953
Minha Antonia
Willa Cather, 1918



