Banco Itaú cria site, o Factópoles, para se defender do portal Metrópoles
04 julho 2026 às 21h01

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O portal Metrópoles, do ex-senador e empresário Luiz Estevão, e o Banco Itaú, das famílias Setúbal e Moreira Salles, estão em guerra aberta.
O Metrópoles está publicando uma série de reportagens sobre o Itaú. Para se defender, o Itaú criou o site Factópoles.
Qual o motivo da batalha, cada vez mais feroz, entre o banco e o portal jornalístico? O que se sabe é que terminará na Justiça.
Piauí e reportagem sobre Luiz Estevão
No texto “Itaú cria site ‘Factópoles’ para rebater reportagens do Metrópoles” (quarta-feira, 1º), Mariana Barbosa, colunista do UOL, apurou que “a principal motivação para os ataques do Metrópoles ao Itaú seria uma reportagem que a revista ‘Piauí’ estaria preparando sobre o portal e seu dono, o empresário e ex-senador Luiz Estevão”.

A “Piauí” faz reportagens especiais, quase sempre longas e muito bem apuradas, sobre personalidades da República, não necessariamente com mandato. A repórter do UOL, ao mencionar “ataques” — palavra mais forte do que “críticas” ou “informações” —, parece fazer a defesa do Itaú.
Diz-se “parece”, sugerindo dúvida, porque, no geral, o texto de Mariana Barbosa é objetivo e expõe as “opiniões” dos dois lados da contenda.
Mariana Barbosa diz que, em 2021, João Moreira Salles — sócio do Itaú — “deixou a função de publisher e financiador” da Piauí, que “passou a ser bancada por um fundo patrimonial do Instituto Artigo 220”. Pode ser.
Entretanto, o exemplar que está nas bancas — vende bem em Goiânia — mantém João Moreira Salles como fundador e membro do conselho editorial da “Piauí”. Não há nenhuma referência a um publisher, presidente ou diretor-geral.
Seguro, clientes, Itaú e Metrópoles
Metrópoles tem publicado uma série de denúncias contra o Itaú. Uma das últimas aponta o banco como sonegador de impostos, ou seja, de não pagar tributo à Prefeitura de São Paulo.

Mas a denúncia que ganhou mais destaque, tanto no Metrópoles quanto no “Estadão” e no UOL, é outra.
O Metrópoles publicou uma reportagem na qual apresenta um acordo do Itaú com o Ministério Público de Minas Gerais e o Instituto de Defesa do Consumidor, em 2025, a respeito de “cobrança de seguro não reconhecida por clientes”.
O Itaú informa, assinala Mariana Barbosa, que “o MP listou 31.024 reclamações de clientes em todo o país, com um desconto pelo seguro. Na notificação judicial enviada ao Metrópoles, o banco alega que os valores descontados equivalem a R$ 4 milhões ao longo de 14 anos — ou menos de R$ 11 milhões com atualização monetária”.
O Metrópoles exibe “uma projeção que considera o desconto indevido de todos os clientes do Itaú no período”, anota Mariana Barbosa. De acordo com o site, “o banco ‘teria’ tirado ou ‘levado’ R$ 16 bilhões ou R$ 33,6 bilhões de seus clientes de forma indevida. Segundo o Metrópoles, o Itaú teria se utilizado de ‘artimanhas’ para ‘ludibriar clientes’ e ‘esconder cobranças’” (usa-se o material do UOL).
Segundo o Metrópoles, o Banco Central “teria atestado a ‘ilegalidade das cobranças” do Itaú.
Em notificação extrajudicial, mencionada pela colunista do Universo Online, “o Itaú diz que os valores de R$ 16 bilhões ou R$ 33,6 bilhões ‘não constam do acordo, não foram apurados, auditados, homologados ou reconhecidos, tampouco decorrem de qualquer liquidação individualizada”.
O Itaú sustenta que “a informação sobre o Banco Central atestando a ilegalidade da cobrança é ‘factualmente incorreta e juridicamente insustentável’” (as aspas enquadram o texto do UOL e as aspinhas a posição do banco dos Setúbal e dos Moreira Salles).
O Itaú postula que, ao contrário do que sugere o Metrópoles, não cometeu crimes. O banco assegura que “não reconheceu nem confessou irregularidades ao firmar o TAC” com o Ministério Público de Minas Gerais.
A novidade de toda a quizília nem é o fato de o Itaú apresentar sua defesa de maneira tão explícita, e sim o de ter criado um site, o Factópoles — uma referência direta ao Metrópoles —, para expor sua posição de maneira mais ampla e contundente. A defesa da instituição financeira parece ser feita por experts dos ramos jornalístico e advocatício.
O Metrópoles parece que está sozinho na empreitada. O “Estadão”, que recentemente foi criticado pelo portal de Luiz Estevão (teria recebido empréstimo mediado por um aliado de Daniel Vorcaro, do Banco Master), parece alinhado com o Itaú, assim como o UOL.



