Quer falar sobre poder? Vamos falar então sobre o quarto número primo, o número sete. Podem dizer o que for, mas esse camarada é o cara. Só na bíblia católica existem mais de 360 passagens que o citam, mais que qualquer outro número. O próprio Deus em pessoas (gostou?) levou sete dias para fazer esse mundão aqui e no último descansou. O cara é bíblico. É tido como o número da perfeição. Não é preciso muito esforço para realmente dar-lhe crédito. Quantas são as notas musicais? Quantos dias da semana? Os pecados capitais, as principais cores do arco-íris. Não é pouca coisa. Isso para nos contentarmos com exemplificações mais leves. Mas também posso pegar pesado para te convencer. Posso ser um dos bastardos inglórios quando é necessário. Também sei pegar pesado e enterrar suas dúvidas a sete palmos. Bota fé não? Então segura essa: Quantos são os anões da Branca de Neve? Quantas vidas tem um gato? E digo mais, no Dragon Ball, quantas são as esferas do dragão? São quantos os livros da saga Harry Potter?

Esse número guarda seus segredos a sete chaves, e não são poucos. Imagine então juntar mais de um e fazer uma dupla, um par. Setenta e sete. Aí então a coisa começa a ficar mais punk rock. E não é que 1977 ficou conhecido como o ano do punk? Foi o ano do “faça você mesmo” e do lançamento do primeiro disco do The Clash, do lendário “Never Mind the Bollocks” do Sex Pistols e do icônico “Rocket to Russia” dos Ramones. Os caras pintaram o sete. Para encerrar esse capítulo sonoro do ano da graça de 1977, registro que foi o ano em que o Pink Floyd lançou o disco “Animals”, o Queen arrebentou tudo com a música “We Are The Champions”, David Bowie lançou “Heroes”, em Recife foi criado o bloco Galo da Madrugada, em Porto Rico foi criada a banda Menudos e o Elvis morreu de arritmia cardíaca. Ufa, também não era pra menos, mesmo que ainda haja alguma controvérsia sobre sua morte. Elvis Vive!

Foi o ano da novela Locomotivas e de Lucélia Santos com touca de crochê, bolsa de plástico e pulseira de medalhinhas. Nos cinemas, Star Wars fazia a cabeça da molecada, tornando-se à época o filme de maior bilheteria de todos os tempos, ao mesmo tempo em que os “Embalos de sábado à noite” e John Travolta arrastavam multidões para as pistas de dança. Enquanto isso, na sala da justiça histórica, a filha da dona Clotilde, a cearense Rachel de Queiroz, metia o pé na porta e assumia a cadeira 5 da Academia Brasileira de Letras, tornando-se a primeira mulher eleita pela entidade. A força estava com ela.

Se juntarmos dois números sete em outra perspectiva, como em sete do sete, ou seja, sete de julho, novas janelas se abrem para iluminar sua carga simbólica no universo dos números cabalísticos. Foi em um sete do sete que aconteceu o primeiro Fla x Flu, isso em 1912. Pensando bem, nem é muito bom ficar falando em futebol, não é? Mudando de assunto, você já ouviu falar sobre um disco voador que teria caído em 1947 num rancho próximo à cidade de Roswell, no Novo México, quando o exército americano teria resgatado o corpo de alguns extraterrestes? Pois então, isso ocorreu em um sete do sete. Sentiu o peso? O Cazuza, a Clarice Lispector, o Syd Barrett (fundador do Pink Floyd), o Arthur Conan Doyle (pai Sherlock Holmes), todos morreram em um dia sete de julho. De anos diferentes, logicamente. “Mas morre gente todo dia, Barão”, você pode me dizer. Isso é verdade. Morre mesmo. E esses que citei morreram no dia sete do sete. Só estou falando. Eu acho sinistro, se você não acha, paciência.

Tem também aquelas pessoas que nascem no dia sete do sete. Vou confessar uma coisa, sou cagão e tenho medo desse povo. São meio bruxos, têm pactos com o mistério e aura cor de abacate quântico (que é aquele abacate adocicado e sem linhas). Mexo com esse tipo de gente não. Até o signo deles me mete medo. Câncer. Dizem que são tímidos, esquisitos, muito fechados e retraídos. Que gostam de ficar sozinhos e que pensam diferente da maioria das pessoas. Gostam de ler, estudar, aprender e aumentar seus conhecimentos. Que tipo de gente é essa? Seguidores do ET Bilu? É para dominar nossas mentes, dominar o mundo, sentar no banco do motorista. Sabe quem nasceu num sete do sete? O Ringo Star. Agora me responda uma coisa, ele é o melhor baterista do mundo? Não é não. Mas foi parar onde? Nos Beatles. Tem que ter muita magia por trás disso. Pode pesquisar. Vodu, cabeça de bode, magnetismo trifásico, sei lá. Eu heim!

Se você ainda não se convenceu da força do número sete vamos elevar o nível, mudar de fase. Vamos acrescentar mais dois setes em nossa equação e nos concentrarmos no dia sete do sete de setenta e sete. Pira? Uma fileira de sete. Uma gangue deles. Veja isso: 7.7.77. É de meter medo. Parecem soldados em posição de sentido e batendo continência para o nascer do sol em um alinhamento cabuloso com o campo magnético da Terra. Vasculhei a internet em busca de fatos relevantes, que tenham alterado o curso da humanidade, e que tivessem ocorrido no dia sete do sete de setenta e sete. Não os encontrei. Passei horas rastreando sites, blogs, redes sociais e não os encontrei. Nada impactante o suficiente que merecesse algum destaque. Súbito me dei conta de que nesse dia forças ocultas muito poderosas agiram para que todas as energias se concentrassem no nascimento de alguns seres especiais. Não dava para perder tempo com erupções, terremotos, furacões ou qualquer outra calamidade natural.

A minha teoria é a de que na quinta-feira do dia sete do sete de setenta e sete ocorreu uma espécie de rachadura no tecido espaço-tempo no entorno do campo gravitacional da Terra e provocou uma espécie de redemoinho cósmico. Embora o evento pareça ter proporções abissais, ninguém se deu conta. Houve uma espécie de entorpecimento em escala mundial provocado pelo aparecimento de milhares de bebês em praticamente todos os quadrantes do planeta. O índice de fofura foi tão alto que os sistemas de inteligência das grandes potências entraram em estado de alerta. Temiam a chamada Onda Reversa, que normalmente segue esses eventos fofos com uma grande carga de euforia, provocando conflitos, rebeliões, revoltas e/ou festas que duram dias seguidos. Houve casos em outros tempos de pessoas que morreram por não conseguirem para de dançar. Mas essa é outra história.

Dentre esses milhares de bebês que vieram ao mundo nesse dia, a maioria não tinha outra função que não fosse servir de distração. Sim, embora lindos e fofos não passavam de…bebês. Alguns outros tantos, porém, vieram predestinados. São mais do que os primeiros indivíduos da chamada geração Xennials. São seres únicos, iluminados. Uma secreta legião de mestres curadores que em 2026 está completando 49 anos. Se você convive com alguém que tenha nascido no dia 7 de julho de 1977, da próxima vez que vocês se encontrarem haja com naturalidade, não demonstre nervosismo, não entre em pânico e tente não olhar fixamente em seus olhos. Você pode se apaixonar. Sei do que estou falando. Aconteceu comigo e agora estou preso em um universo paralelo, num eterno loop temporal. Quem assistiu ao filme Feitiço do Tempo sabe do que estou falando. A diferença é que não quero que termine. Talvez eu seja a marmota, pode ser. Mas uma marmota feliz.

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