25 de maio e a toalha para atravessar a fronteira final
25 maio 2026 às 16h09

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Faltam 220 dias para acabar o ano e aproximadamente 12.900 dias para a próxima visita do Cometa Halley. Trinta e cinco anos. Poder afirmar isso, e não ter medo de errar, é algo maravilhoso. Revela o quanto o ser humano é engenhoso, meticuloso e criativo. Sim, às vezes me entusiasmo e aposto algumas fichas na humanidade. Não que o Halley se importe conosco. Ele nos visitou em 1986 e voltará em 2061, queiramos ou não. Ele tá nem aí.
Embora seja tão antigo quanto o próprio cosmos, o Cometa Halley está nessa órbita visível aos nossos olhos a dezenas de milhares de anos. Ainda assim, o primeiro registro documentado de sua passagem data de 25 de maio de 240 antes de Cristo, feito por astrônomos chineses do Período Qin, que o descreveram como uma “estrela vassoura”. Bonitinho, não é mesmo?
Foi um astrônomo inglês chamado Edmond Halley, tão cabeção quanto Isaac Newton, seu amigo, que percebeu haver um padrão nos relatos da aparição de um cometa muito semelhante ao longo da história. Halley o tratou como um viajante regular. Depois de muita paciência, observação e matemática, afirmou que o cometa retornaria em 1758. Quando isso aconteceu, Halley já estava morto, mas sua previsão se confirmou. Deram seu nome ao cometa. Acho justo. E você?
Halley, o cometa, varrendo a imensidão do universo, nos fez olhar para as estrelas e imaginar fronteiras a serem transpostas. Mas antes, um passo pequeno de cada vez, ainda que grande para a humanidade. Em 25 de maio de 1961, o então presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy, anunciou no Congresso a criação do Programa Apollo, com a meta de colocar o homem na Lua antes do fim da década. Antes dos russos, queria dizer.
E chegaram em 1969, com a Apollo 11. Voltaram outras vezes, até que, em 1972, desistiram. Não sei se ficou sem graça, não era mais novidade, se já não havia mais grandes descobertas a fazer ou se simplesmente os russos tinham sido batidos e aquilo já não fazia mais sentido. Enfim, os olhos se voltaram para outras aventuras.
Em 25 de maio de 1977, uma dessas aventuras conquistou um espaço disputado por todos, em todas as partes do planeta: o imaginário coletivo. Estreou nos cinemas o primeiro filme de uma saga que ensinou gerações inteiras que o universo pode ser dividido em luz e sombra, rebeliões e impérios, esperança e opressão. Era Star Wars, filme de George Lucas, com locações na Tunísia, Guatemala, Estados Unidos e Inglaterra, vencedor de seis Oscars.
É difícil, ainda hoje, dizer que alguns personagens dessa aventura não nos impressionem e conquistem. Darth Vader, Luke Skywalker, Princesa Leia, o sábio Yoda e, principalmente, a dupla de robôs R2-D2 e C-3PO. Bom, não sei você, mas eu adoro. E olha que devo confessar ser de outro tempo. Minha nave era outra e se chamava Enterprise, “audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve”.
Se você sabe do que estou falando, ou tem mais de cinquenta anos, ou é nerd. Ou os dois. Se for o caso, parabéns pelo seu dia. É que 25 de maio é o Dia do Orgulho Nerd, celebrado nessa data justamente por causa da estreia de Star Wars em 1977. Mas 25 de maio é também o Dia da Toalha. O Dia do Orgulho Nerd está para Star Wars assim como o Dia da Toalha está para o universo construído pelo escritor Douglas Adams, autor de O Guia do Mochileiro das Galáxias.
Em seu livro mais famoso, Adams afirma que uma toalha é o objeto mais útil que um mochileiro interestelar pode carregar. Serve de travesseiro, de agasalho, funciona como ferramenta improvisada e ainda oferece apoio psicológico. A toalha virou símbolo de sobrevivência cósmica.
No fim das contas, talvez o que 25 de maio nos lembra é que, entre cometas que insistem em voltar, luas conquistadas, sagas espaciais e galáxias muito, muito distantes, seguimos pequenos, curiosos e um tanto quanto perdidos. E não há problema algum nisso. Se o espaço é a fronteira final, o importante é que levemos conosco o essencial: um pouco de imaginação, uma boa dose de ironia e, claro, uma toalha. Porque quem sabe onde está sua toalha, de algum modo, já entendeu como atravessar o universo. Já separei a minha.
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