Há algo curioso acontecendo com a geração que cresceu conectada. Nunca tivemos tantas maneiras de nos comunicar e, ainda assim, nunca nos sentimos tão distantes uns dos outros. Os números ajudam a explicar essa contradição. Em 2025, mais de 11,7 milhões de publicações no Instagram utilizaram a hashtag #nostalgia.

As buscas por filmes dos anos 1990 dobraram desde 2015. Uma pesquisa do Archbridge Institute, realizada com 2.000 adultos norte-americanos, revelou que 68% da Geração Z sentem nostalgia de períodos anteriores ao próprio nascimento. Mais do que isso: 60% afirmaram que gostariam de voltar a uma época em que as pessoas não estavam conectadas o tempo todo.

A promessa da era digital era simples: aproximar pessoas. E, em muitos aspectos, ela cumpriu seu papel. Hoje podemos conversar com alguém do outro lado do mundo em segundos, acompanhar a rotina de centenas de pessoas e receber informações em tempo real. O que não estava no pacote era a possibilidade de nos sentirmos verdadeiramente sozinhos em meio a tanta conexão.

Talvez por isso a nostalgia tenha se tornado uma das emoções mais marcantes do nosso tempo. Mas acredito que ela não fala apenas sobre o passado. Ela fala sobre aquilo que sentimos falta no presente.

Quando jovens que nasceram em um mundo digital idealizam décadas que sequer viveram, talvez não estejam procurando uma época específica. Talvez estejam procurando uma sensação. A sensação de pertencimento, de presença, de relações menos aceleradas e de uma vida que parece ter sido menos atravessada por notificações.

Vivemos um tempo em que sabemos muito sobre a vida dos outros, mas pouco sobre o que realmente sentem. Acompanhamos aniversários, viagens, conquistas e opiniões sem necessariamente participar delas. Estamos informados, mas nem sempre estamos próximos.

A tecnologia transformou a comunicação em algo instantâneo. O problema é que as relações humanas continuam funcionando em outro ritmo. Confiança leva tempo. Amizade exige convivência. Afeto não se constrói por algoritmo.

Talvez por isso tantas pessoas estejam pagando para se desconectar. Não por acaso, o mercado global de aplicativos que limitam ou bloqueiam o uso de redes sociais deve saltar de US$ 1,47 bilhão em 2025 para cerca de US$ 5 bilhões até 2035. Há uma ironia evidente nisso: estamos criando tecnologias para nos proteger dos excessos provocados por outras tecnologias.

Retiros sem celular, clubes de leitura, grupos de corrida, encontros presenciais e até a volta de hábitos considerados antigos revelam um movimento interessante: depois de correr em direção ao digital durante anos, muita gente começou a sentir falta daquilo que só existe no mundo real.

Não se trata de demonizar a tecnologia. Seria injusto. Ela encurtou distâncias, democratizou informações e criou oportunidades inimagináveis para gerações anteriores. O problema surge quando confundimos presença digital com presença humana.

Uma curtida não substitui um abraço. Uma mensagem não substitui uma conversa. Uma centena de seguidores não substitui um amigo.

Talvez o maior desafio da nossa geração não seja aprender a usar novas tecnologias. Isso já fizemos muito bem. O verdadeiro desafio pode ser preservar aquilo que nenhuma inovação conseguiu substituir: a capacidade de criar vínculos genuínos.

Porque, no fim das contas, a solidão não é a ausência de pessoas ao nosso redor. É a ausência de conexão verdadeira com elas. E nenhuma quantidade de notificações consegue resolver isso.

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