O choro de Neymar não apaga o fracasso de uma geração
08 julho 2026 às 12h29

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O choro de Neymar após a eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 não me comoveu. E digo com tranquilidade: Graças a Deus é o fim da era Neymar vestindo a camisa da Seleção Brasileira.
O questionamento que todos se fazem é: como ele, mesmo sem apresentar um bom rendimento jogando pelo Santos e ainda lesionado, foi convocado para uma das competições mundiais mais importantes? Seria ele um suporte emocional para a equipe? Porque, dentro de campo, o que vimos foi justamente a ausência daquilo que se espera de um dos atletas mais experientes da equipe: equilíbrio.
Neymar, aos 34 anos, deveria ser o jogador responsável por acolher os mais jovens, transmitir tranquilidade e assumir a responsabilidade nos momentos difíceis. Mas a cena que marcou a eliminação brasileira foi o oposto disso. Enquanto Endrick, um dos atletas mais jovens do elenco, se aproximava para consolar o companheiro, Neymar protagonizava um momento de descontrole emocional diante do mundo inteiro.
Durante anos, a Seleção Brasileira foi construída sobre a ideia de que Neymar seria o grande líder da geração. O sucessor de uma camisa pesada, o jogador capaz de decidir partidas e conduzir o país de volta ao topo. O problema é que talento nunca foi a única exigência para vestir a camisa do Brasil. Liderança também se constrói com postura, maturidade e responsabilidade.
O que vimos em campo foi uma mistura de nervosismo, provocações e falta de controle. O gol de pênalti, que poderia ter sido um último suspiro de esperança, acabou apenas adiando uma eliminação que já parecia anunciada. Em alguns momentos, a sensação era de que o Brasil não perdia apenas uma partida, mas encerrava uma ilusão construída durante anos.
A impressão que fica é que Neymar sempre recebeu novas oportunidades, independentemente das circunstâncias. Suas atitudes foram relativizadas, suas ausências justificadas e seus erros tratados como parte do espetáculo. Mas chega um momento em que o talento não pode ser usado como desculpa para tudo.
Chorar após uma derrota é humano. O problema é que uma lágrima não apaga uma trajetória marcada por escolhas questionáveis dentro e fora de campo. Neymar foi convocado para jogar, para representar milhões de brasileiros e para ser referência. Mas, em muitos momentos desta passagem pela Seleção, entregou menos liderança do que se esperava de alguém com sua experiência.
Aos 34 anos, já não existe a justificativa da juventude ou da falta de maturidade. A cobrança muda porque o tempo muda. O menino que encantava o mundo com dribles e gols cresceu, e o futebol passou a cobrar dele algo que nunca veio na mesma proporção do talento: responsabilidade.
Pra quem foi comparado, no auge, com Cristiano Ronaldo e Messi, sua carreira ficou muito aquém do que se projetava quando ele encantou o mundo vestindo a camisa do Santos, em 2010. Naquela época, Neymar parecia destinado a ocupar um lugar entre os maiores jogadores da história do futebol. O talento estava ali, os números estavam ali, a expectativa também. Mas uma carreira não é construída apenas com habilidade nos pés.
Grandes jogadores também são lembrados pela forma como enfrentam a pressão, pelas decisões que tomam nos momentos decisivos e pela capacidade de liderar quando o cenário é desfavorável. E talvez esse tenha sido o maior vazio da trajetória de Neymar na Seleção: ele nunca conseguiu transformar seu talento individual em uma liderança à altura da camisa que vestia. A história vai registrar os gols, os dribles e os momentos brilhantes. Mas também vai registrar as oportunidades perdidas, atitudes mimadas, eliminações dolorosas e a sensação de que poderia ter sido muito mais.
E talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores distâncias entre Neymar e o torcedor brasileiro. Para milhões de pessoas, uma eliminação da Copa do Mundo representa uma frustração que permanece por anos. Para o craque, por outro lado, a vida segue em uma realidade muito diferente da maioria. Poucos dias depois da queda no Mundial, enquanto o país ainda discutia os erros da Seleção e tentava entender mais uma oportunidade perdida, Neymar já aparecia associado a um novo símbolo de luxo: um superiate avaliado em cerca de R$ 120 milhões. (Terra)
Não há nada de errado em um atleta desfrutar do patrimônio que construiu com sua carreira. A questão é outra: quem carrega o status de ídolo nacional também carrega uma responsabilidade que vai além dos contratos milionários e da fama. O torcedor não esperava apenas um jogador talentoso; esperava alguém que entendesse o peso da camisa e a dimensão da esperança depositada nele.
No fim, talvez essa seja a maior frustração da era Neymar: ele conquistou quase tudo que um jogador pode conquistar individualmente, acumulou riqueza, fama e reconhecimento mundial, mas nunca conseguiu entregar ao Brasil aquilo que parecia destinado a entregar. O país não queria apenas assistir aos seus dribles. Queria acreditar que, nos momentos decisivos, ele seria o jogador capaz de transformar talento em conquista.
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