Um estudo publicado na revista científica BMJ Open Ophthalmology aponta que a metformina, medicamento amplamente utilizado no tratamento do diabetes tipo 2, pode reduzir em 37% a progressão da Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) em estágio intermediário. Apesar dos resultados promissores, a oftalmologista especialista em retina Luciana Barbosa, coordenadora do Departamento de Retina da Fundação Banco de Olhos de Goiás (Fubog), alerta que ainda não há evidências suficientes para recomendar o medicamento com essa finalidade e defende a realização de novos estudos antes de qualquer mudança na prática clínica.

A pesquisa acompanhou cerca de 2 mil pessoas com diabetes tipo 2 durante cinco anos. De acordo com os pesquisadores, o uso contínuo da metformina esteve associado a uma redução de 37% no risco de progressão da DMRI intermediária, mesmo após ajustes para fatores como idade, sexo, controle glicêmico, presença de retinopatia diabética e tempo de diagnóstico do diabetes.

A Degeneração Macular Relacionada à Idade é uma das principais causas de perda de visão entre idosos. A doença afeta a mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes, comprometendo atividades como leitura, reconhecimento de rostos e identificação de cores.

Ao Jornal Opção, Luciana Barbosa a oftalmologista especialista em retina embora os resultados representem um avanço importante nas pesquisas sobre a doença, eles ainda precisam ser confirmados por novos estudos.

“É um resultado bastante promissor, mas ainda são necessários outros estudos para confirmar se esse efeito realmente acontece. Trata-se de um achado científico que precisa ser validado antes de modificar a prática clínica”, afirma.

A especialista explica que a hipótese dos pesquisadores está relacionada às propriedades antioxidantes da metformina. O medicamento pode reduzir o estresse oxidativo e retardar o envelhecimento das células da retina, mecanismos diretamente envolvidos na progressão da doença.

“A metformina melhora o estresse oxidativo e a função celular. Por isso existe a hipótese de que ela possa retardar a progressão da degeneração macular relacionada à idade. No entanto, ainda é cedo para indicar o medicamento com esse objetivo específico”, ressalta.

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Luciana Barbosa: “o cigarro é um dos principais fatores de risco” | Foto: Acervo pessoal

Controle do diabetes protege a visão

Apesar dos resultados promissores envolvendo a metformina, Luciana Barbosa ressalta que a principal estratégia para prevenir complicações oculares em pessoas com diabetes continua sendo o controle adequado da doença.

“O que realmente previne as alterações oculares causadas pelo diabetes é o controle rigoroso da glicemia, associado à alimentação saudável, prática regular de atividade física e uso correto da medicação. Esse é o tripé do tratamento”, afirma.

Segundo a especialista, níveis elevados de glicemia provocam alterações nos vasos sanguíneos da retina, favorecendo vazamentos de sangue e líquidos e aumentando o risco de retinopatia diabética e perda da visão.

“Quando o diabetes está bem controlado, a chance de desenvolver retinopatia diabética diminui significativamente. Esse cuidado também protege outros órgãos, como cérebro, rins e coração”, destaca.

Quais são os fatores de risco?

A médica explica que a degeneração macular relacionada à idade está associada a uma combinação de fatores. Entre os principais estão o envelhecimento, predisposição genética, tabagismo, exposição excessiva ao sol, alimentação inadequada e doenças como hipertensão, colesterol elevado e diabetes mal controlado.

“O cigarro é um dos principais fatores de risco. Ele provoca um estresse oxidativo muito intenso e pode ser ainda mais prejudicial do que a própria evolução natural da doença”, alerta.

Pessoas com pele e olhos claros e histórico familiar da doença também apresentam maior probabilidade de desenvolver a enfermidade.

Doença costuma evoluir sem sintomas

Um dos maiores desafios da DMRI, segundo Luciana Barbosa, é que a doença costuma evoluir de forma silenciosa.

“A maioria das doenças da retina não provoca sintomas nas fases iniciais. Quando o paciente percebe alterações na visão, muitas vezes a doença já está em estágio mais avançado.”

Quando os sintomas aparecem, os sinais mais comuns são perda da nitidez da visão central, distorção das linhas retas, que passam a parecer tortas, e, nos casos mais graves, o surgimento de uma mancha escura no centro do campo visual.

Hábitos saudáveis continuam sendo a melhor prevenção

Enquanto novas terapias seguem em investigação, a recomendação médica permanece baseada na prevenção e no diagnóstico precoce.

“O primeiro passo é realizar consultas periódicas com o oftalmologista para identificar precocemente alterações na retina. Além disso, alimentação saudável, prática regular de atividade física, abandono do cigarro, proteção contra a exposição solar e tratamento adequado de doenças como diabetes, hipertensão e colesterol elevado são fundamentais”, orienta.

A especialista também chama atenção para o potencial antioxidante de alimentos naturais.

“As frutas do Cerrado possuem importante ação antioxidante e podem contribuir para reduzir o estresse oxidativo das células”, afirma.

Ao comentar os próximos passos das pesquisas sobre a metformina, Luciana Barbosa reforça que ainda são necessários estudos clínicos controlados para confirmar os benefícios observados.

“Se esse efeito for comprovado, será uma excelente notícia. A metformina é um medicamento barato, seguro, utilizado há décadas e com poucos efeitos colaterais. Se ela realmente ajudar a retardar a progressão da degeneração 

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