Ao menos 15 ipês devem ser removidos da principal avenida de Alto Paraíso durante processo de revitalização
09 julho 2026 às 15h49

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A prefeitura de Alto Paraíso de Goiás planeja retirar entre 10 e 15 ipês da Av. Ary Ribeiro Valadão Filho como parte de um projeto de revitalização urbana orçado em 1,3 milhão de reais. A proposta do prefeito Marcus Adilson Rinco (UB) prevê a reconstrução de calçadas, fiação subterrânea e substituição de árvores que apresentem riscos estruturais, mas gerou forte reação dos moradores. O presidente da Associação de Moradores, Severino Lucena, criticou a falta de consulta pública e alertou para os impactos climáticos e a perda do patrimônio simbólico da cidade.
O impasse se intensificou devido às divergências sobre o que foi registrado na ata de uma reunião com comerciantes, que inicialmente, segundo Severino, deu a entender que seria arrancada todas as árvores do canteiro central. “Canteiro Central e Árvores: Haverá a substituição das árvores do canteiro central. O prefeito pediu apoio aos empresários para gerenciar possíveis reações negativas da comunidade. O novo projeto prevê apenas grama; o tipo de vegetação substituta será discutido com os moradores”, apontou ata de reunião que aconteceu no dia 29 do mês passado.
No entanto, o prefeito, que disse que é engenheiro florestal, afirmou que essa conversa não existiu e defendeu que qualquer remoção depende de laudos técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente da cidade. A possível remoção, segundo o gestor, tem como objetivo prevenir acidentes causados por quedas.
Enquanto isso, a comunidade local exige mais diálogo e manifesta preocupação com o desgaste ambiental às vésperas do fenômenos climáticos como o Super El Niño. A execução das obras e a emissão dos laudos definitivos ainda aguardam a liberação de verbas de emendas parlamentares, o que aumenta a tensão entre os diferentes atores envolvidos.
Ao Jornal Opção, o presidente da Associação de Moradores de Alto Paraíso, Severino Lucena, falou sobre a possível derrubada dos ipês da Av. Ary Ribeiro Valadão Filho, a principal da cidade. Ele explicou que a perda dessas árvores seria irreparável para o município e para os moradores.
“Inclusive, também para o clima da cidade, porque são árvores, muitas delas com mais de 30 anos e que têm muita sombra. Então, diminui a temperatura da avenida principal da cidade. Fora quando estão floridas, o espetáculo que elas dão para nós, de graça”, afirmou.
Segundo Severino, não houve consulta à população antes da decisão de substituir os ipês por grama. “O prefeito andou dando declarações agora que ele não vai fazer isso, que foi tudo um equívoco, que quem escreveu a ata não entendeu direito o que ele falou, porque talvez ele não se expressou direito”, disse.
“Mas é isso, houve essa reunião, existe uma ata oficial e é isso que está registrado lá. E, enquanto ele não consultar os moradores, como ele não fez, ele pediu, inclusive, pelo que está registrado nessa ata, apoio para que os empresários o ajudassem a convencer a população de que era melhor fazer isso”, explicou.
Ele ressaltou que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente também não foi consultada. “A Secretaria Municipal de Meio Ambiente foi pega de surpresa. Não sabia que isso estava acontecendo. Então, é no mínimo um procedimento duvidoso”, declarou.
Severino destacou ainda o valor simbólico e histórico das árvores para a comunidade. “Tem, lógico, um valor simbólico muito grande. Para você ter uma ideia, alguém envenenou uma cagaitera, a árvore da cagaita, muito bonita, que tinha numa praça central aqui da cidade, a Praça do Skate. E isso causou uma comoção geral na comunidade e foi feita muita pressão, inclusive, sobre a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que tentou reverter esse envenenamento, mas por enquanto, pelo menos, sem sucesso”, apontou.
A árvore, para todo mundo que passa e olha, parece estar morta. E isso é muito triste, é muito angustiante, porque você tem uma memória afetiva, você cria uma memória afetiva com essas árvores também. Ela produzia muita cagaita, de muita gente que ia lá e pegava os frutos. E agora não pode mais, porque alguém teve a ideia de chegar lá com uma furadeira e botar cloro na árvore”, explicou.
“E é a mesma coisa com as árvores do canteiro central. Elas fazem parte do nosso dia a dia. Elas nos protegem do sol, elas nos apoiam com a temperatura mais amena quando está quente. E nós estamos à véspera de um Super El Niño. Então, dar uma declaração dessas é muito infeliz à véspera de um fenômeno climático desses”, acrescentou.
Sobre as declarações do prefeito, Severino explicou que houve duas versões. “Uma história é arrancar todas as árvores da avenida, que é isso que dá a entender na ata. Arrancar todas as árvores que têm no canteiro central, independente de estar condenada por laudo técnico ou não. E a outra história foi essa que ele veio com ela depois da manifestação que a gente fez, depois da repercussão negativa na cidade”, apontou.
“Ele fez uma retratação na rádio de manhã dizendo: ‘Não, eu adoro árvore, eu plantei três ipês que estão do lado da minha casa, eu adoro ipê, mas não é sobre isso, é que tem umas árvores que estão condenadas, e essas nós vamos precisar retirar, que são de 10 a 15, ou de 15 a 20’, ele falou na entrevista, alguma coisa assim. Então, isso ele realmente falou, e dando a entender que tem laudo técnico para isso. Mas o gritante mesmo da história foi a história inicial, que é essa que está registrada na ata, que ele ia arrancar tudo”, disse.
Severino acrescentou que comerciantes que estavam na reunião que aconteceu no dia 29 do mês passado também ouviram o prefeito falar sobre a retirada das árvores. “Aí é essa questão que ele falou: ‘Ah, eu fui mal interpretado, que eu me expressei mal. Se alguém entendeu que eu ia derrubar tudo e botou nessa ata, não era isso que eu queria dizer. O que eu queria dizer é que tem algumas árvores que estão condenadas, e aí, se a gente realmente precisar de derrubar, se ninguém chegar e mostrar uma alternativa para gente, mostrar que é viável outra coisa, aí a gente vai derrubar. Mas se aparecer alguém e mostrar ‘não, faz essa outra coisa aqui, tem essa alternativa para deixar a árvore viva’, aí claro que a gente vai deixar viva’. Foi isso que ele trouxe depois. Agora, o documento que está lá não é isso que diz”, concluiu.
Prefeito de Alto Paraíso de Goiás
Ao Jornal Opção, o prefeito de Alto Paraíso de Goiás, Marcus Adilson Rinco (UB), explicou que a retirada de 10 a 15 árvores faz parte do projeto de revitalização da Av. Ary Ribeiro Valadão. O plano prevê reconstrução das calçadas com normas de acessibilidade, revitalização do canteiro central com gramado, instalação de iluminação baixa com fiação subterrânea e substituição de algumas árvores que apresentam risco estrutural.
O prefeito destacou que a avenida possui cerca de 87 árvores, em sua maioria ipês. “Olha bem a palavra que eu estou usando, substituição, das árvores mais velhas, árvores com porte muito grande, de raízes superficiais, que estão danificando o canteiro central e danificando a rua”, disse.
A estimativa inicial é que entre 10 e 15 delas sejam retiradas. “Isso aí é uma estimativa minha. Minha. Eu, como engenheiro florestal, como prefeito, eu contei as árvores da avenida, que são 87. E fui marcando, assim, quais que poderiam ser substituídas. Mas foi uma análise superficial, uma opinião minha. Isso não está determinado que vão ser 10, 12 árvores”, explicou.
Ele apontou que a decisão final dependerá de laudos técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente da cidade. “Essa retirada, essa supressão dessas árvores, elas vão ser antecedidas de um laudo técnico fornecido aqui pelos técnicos da Secretaria de Meio Ambiente, que vão definir se a árvore precisa ou não precisa ser retirada”, disse.
O prefeito acrescentou que os laudos ainda não foram solicitados porque o projeto está em tramitação. “O laudo vai ser feito quando o projeto estiver aprovado, quando tiver isso concluído. Isso está em andamento ainda, o projeto”, afirmou.
Marcus Rinco também comentou sobre a importância simbólica das árvores para a comunidade. “As árvores são bonitas, nós temos ligação afetiva com elas, como eu te disse, eu sou engenheiro florestal, eu gosto de árvore e gosto de tudo, mas também eu tenho que preservar pela segurança e pela coisa”, afirmou.
“O ano passado, no período chuvoso, teve uma árvore que caiu em cima de um carro. Uma dessas árvores caiu em cima de um carro. Por isso, porque elas estão com o sistema radicular restrito, sendo impedidas de crescer, aí a condenação vem em cima que eu não tiro as árvores que estão correndo risco de cair”, acrescentou.
Sobre críticas de que a Secretaria de Meio Ambiente não teria sido consultada antes, o prefeito explicou que o projeto não está pronto. “É porque o projeto ainda não está pronto, ainda está em tramitação. Isso aí vai ser implantado é lá para o final do ano, início do ano que vem. Então, no momento certo, a Secretaria vai dar os laudos referente às árvores que serão retiradas”, disse.
Ele também negou que tenha pedido aos empresários para conter a comunidade. “Não existe essa palavra. O quê que foi o teor da reunião? Essa revitalização da avenida é uma solicitação, é uma aspiração de todos… não vou dizer todos, mas da grande maioria dos comerciantes da avenida”, apontou.
“Então, eu falei, fui colocar para eles a posição no que está, como está o andamento desse processo de revitalização da avenida. E, no momento, eu falei: ‘Ó, eu sei que vai ter resistência de algumas pessoas, de alguns segmentos com as árvores, e eu queria que vocês apoiassem nesse sentido’. Porque a gente conhece aqui a nossa comunidade, eu sei como é que é”, explicou.
O prefeito ainda esclareceu que não se trata de projeto de lei. “Não é projeto de lei, não. É um projeto técnico, um projeto executivo. Isso aí é ação nossa aqui, ação administrativa da prefeitura”, afirmou.
A previsão é que as obras sejam iniciadas no final deste ano ou no início do próximo. O gestor reforçou que todas as decisões sobre retirada de árvores dependerão de análises técnicas. “Se tiver o laudo dizendo que não precisa retirar e tiver outra alternativa para diminuir o dano que a raiz dessas árvores estão fazendo, e se vão me garantir que não vai cair em cima de carro, que não vai cair, que não vai machucar ninguém, não tira, uai, se tiver outra alternativa”, disse.
O prefeito também explicou que a execução do projeto depende de recursos financeiros. “O andamento do projeto depende de recursos financeiros. Quando ele estiver concluído e nós tivermos o recurso necessário para executar, recurso que virá de emendas parlamentares ainda em tramitação, aí sim será possível avançar. Com o dinheiro em mãos, serão feitos os laudos técnicos para definir quais árvores precisarão ser retiradas e quais poderão permanecer”, afirmou.
Ele acrescentou que aguardava o pagamento das emendas até 3 de julho, mas isso não ocorreu. “Agora entra no período aí do processo eleitoral, então essas emendas serão definidas só a partir de novembro agora, depois do período eleitoral”, explicou. O gestor estimou que o custo da revitalização será de aproximadamente R$ 1,3 milhões.
Sobre as espécies que substituirão os ipês, o prefeito disse que o levantamento ainda será feito para decidir. “Vai ser feito um estudo, levantamento das árvores que são apropriadas para serem plantadas em zona urbana, num canteiro central de avenida, e que não corra risco de cair e que não tenham raízes superficiais, raízes que venham a estragar o canteiro e a rua. Ainda não temos o nome dessas espécies. Se os técnicos definirem que o ipê pode ser plantado, nós vamos plantar de novo o ipê”, apontou.
Ao ser questionado sobre críticas de falta de diálogo com a sociedade civil, o prefeito respondeu que fez a quem o projeto interessa. “Olha, eu fiz uma reunião com os comerciantes da avenida para informar para eles o que que seria feito. Então, acho que o diálogo é com eles que nós temos que fazer nesse momento, que são as pessoas diretamente interessadas ali na avenida. E isso é um ato extremamente administrativo e que independe de sociedade civil. Quando você vai fazer uma praça, você vai fazer um jardim, você vai roçar a cidade, isso são atos administrativos. Independe de sociedade civil”, disse.
O prefeito reconheceu que Alto Paraíso é uma cidade turística e atrativa, mas reforçou: “No momento que a gente tiver com o projeto pronto, com tudo isso pronto, nós vamos conversar com as pessoas diretamente interessadas. Mas são aquelas pessoas que são interessadas e que querem o bem-estar do município, não aquelas pessoas que ficam procurando prejudicar, atrapalhar tudo que a gente quer fazer, que é isso que tá acontecendo e que sempre acontece em Alto Paraíso”, explicou.
Ele disse ainda que não sabe qual método será usado para esse diálogo. “Não sei qual o método que nós vamos usar. Mas nós vamos procurar ouvir aquelas pessoas que são realmente interessadas, diretamente interessadas no assunto”, afirmou.
Segundo o prefeito, essas pessoas seriam representadas pelas associações. “Essa reunião que eu tive aqui foram com as associações. Associação Comercial, Associação da Chapada dos Veadeiros e o [Conselho Municipal de Turismo] Comtur. No momento dessa reunião, ninguém levantou esse questionamento. Todo mundo achou boa a ideia. Depois isso foi para aquelas pessoas que disseminam informações falsas e que não querem o bom andamento das coisas”, finalizou.
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