Bastidores
O horário eleitoral começa na terça-feira, 19. Marconi Perillo vai explorar as pesquisas, que lhe são francamente favoráveis.
O primeiro programa do tucano está pronto. Prioriza a apresentação de sua família e as obras do governo estadual em Goiânia. Um antídoto contra a rejeição, que já está caindo.
Os programas de Marconi vão ser eminentemente propositivos.
Se Marina Silva substituir Eduardo Campos, o cientista político Pedro Célio não acredita que vai repetir os 20 milhões de votos que teve na campanha passada.
Pedro Célio acha que será complicado para a ex-senadora administrar os conflitos em sua coligação.
O ex-governador Alcides Rodrigues, do PSB (de socialismo o político “só” tem os latifúndios de Santa Helena e do Pará), e o ex-deputado Sérgio Caiado, do PP, decidiram apoiar a reeleição do deputado estadual Francisco Gedda, do PTN. Candidato consistente, Gedda é amigo histórico de Alcides e de Sérgio. Em Santa Helena, o nome de Gedda começa a ser divulgado como o “candidato de Alcides”. O grupo de Vanderlan Cardoso, candidato a governador de Goiás pelo PSB, avalia que se trata de “alta traição”, porque Gedda apoia, para governador, Iris Rezende. O fato sugere que o ex-prefeito de Senador Canedo está sendo cristianizado pelos aliados.
A história de Henrique Paixão é interessante. Ela é uma espécie de self made man intelectual. De família humilde, foi criado pelos avós, que viviam de uma micromercearia em Iporá. Terminou o ensino médio e insistiu em realizar o sonho de ser advogado. Como o curso de Direito mais próximo era em Anicuns, foi para lá, arrumou emprego, mas o salário só dava para aluguel na república, não sobrava para mensalidade. Foi salvo pela criação da Bolsa Universitária. Ao terminar o curso, passou em exames para professor em quatro faculdades, três delas em Goiânia, PUC, Alfa e Universo. Num início de semestre, o coordenador lhe avisou que estava escalado para uma turma especial. Alunos: Valéria e Marconi Perillo. Deu aulas para eles por três períodos e virou exemplo para os bolsistas. Agora, o professor entra no ramo do aluno: é candidato a deputado estadual. Com um assunto da moda: a segurança pública. A área de Paixão é o Direito Penal, faz doutorado em Ciências Criminais e acaba de lançar um livro sobre o tema, "Sociedade contra o crime". A obra é um debate entre um especialista, Paixão, e um leigo interessado em combater o crime, José Mário Schreiner, presidente licenciado do sistema Faeg/Senar e também candidato (a deputado federal). O livro está no www.henriquepaixao.com.br
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Candidata Marina Silva durante visita a cidade de Curitiba. Curitiba/PR, Brasil - 30/06/2010. Foto: Geraldo Bubniak | Fotoarena[/caption]
Marina Silva será a candidata do PSB a presidente da República. “Será” nem é a palavra apropriada. O certo mesmo “é”.
Eduardo Campos, que morreu na quarta-feira, 13, não era o melhor nome do PSB, em termos eleitorais, porém, como controlava o partido, havia se tornado candidato a presidente da República. Em termos de conhecimento e popularidade, Marina Silva — que “está” mas não “é” do PSB — é muito superior a qualquer outro nome do partido. Portanto, deve ser anunciada como nova candidata.
Os bolsões de resistência, porque a maioria dos líderes do PSB não aceita as ideias da Rede Sustentabilidade, não vão impedir a candidatura de Marina Silva. O motivo é simples: não há outro nome com sua capilaridade política nacional para a eleição deste ano — que ocorrerá daqui a 53 dias. Não dá tempo de criar um novo Eduardo Campos ou uma nova Marina Silva. Se não for a ex-senadora, o partido não terá candidato a presidente.
É provável, até, que Marina Silva, definida candidata, apareça com intenção de voto um pouco acima da intenção de Eduardo Campos. É provável que se aproxime de Aécio Neves, o candidato do PSDB, mas não o supere, ao menos não agora. Se crescer um pouco, sem retirar eleitores do tucano de Minas Gerais, aí o segundo turno estará mais garantido.
No momento, existe a possibilidade de Dilma Rousseff (PT) ser eleita no primeiro turno. Com a entrada de Marina Silva no jogo, e não mais como coadjuvante, cresce a possibilidade de segundo turno.
Ideologia de Marina
Eduardo Campos podia não ser mais forte eleitoralmente do que Marina Silva — até porque não era tão conhecido; mudou-se para São Paulo com o objetivo de se tornar um político nacional —, mas tinha uma virtude que a política oriunda do Acre não tem: era aberto a alianças não ortodoxas e, portanto, ouvia e dialogava mais. Com Marina Silva, o PSB fica mais “fechado”. A líder da Rede Sustentabilidade, um partido dentro do partido, parece acreditar que é possível governar um país com e para os “escolhidos”. A tendência é que, na campanha, o discurso fique mais radical, atraindo eleitores e aliados que estão descontentes com “tudo”, mas ao mesmo tempo é possível que perca aliados mais tradicionais.
Para Aécio Neves, a escolha de Marina Silva é positiva e negativa. É positiva porque tende a ter mais votos do que Eduardo Campos — o que aumenta a possibilidade de segundo turno. É negativa porque, no segundo turno, a ex-ministra pode optar pela neutralidade e, agindo assim, parte dos líderes e militantes do PSB pode acompanhar Dilma Rousseff, e não Aécio Neves. Há, por fim, a possibilidade de Marina Silva superar Aécio Neves, se se apresentar, e for percebida assim pelo eleitorado, como o verdadeiro e atraente “fato novo”. Marina Silva é uma política que não parece política — parece mais uma missionária religiosa que planeja salvar uma comunidade de “escolhidos” — e isto pode agradar a fatia, cada vez mais maior, de eleitores que não toleram políticos profissionais.
Tese diferente
O Jornalista Alexandre Braga defende outra tese: "Sem Eduardo Campos, que tinha votos no Nordeste, Dilma Rousseff deve ganhar no primeiro turno".
Lucas Vergílio, o mais jovem candidato a deputado federal destas eleições e o único do Solidariedade, vai inaugurar seu comitê de campanha, localizado na Rua 119, número 41, Setor Sul, esquina com a Rua 88, nesta sexta-feira (15), às 19h15. Estão confirmadas as presenças do candidato ao governo, Iris Rezende (PMDB), e ao Senado, Ronaldo Caiado, ambos da Coligação Amor por Goiás.
O jovem empresário de 27 anos, do ramo de seguros, é filho do candidato a vice de Iris, o deputado federal, Armando Vergílio (SD). Lucas tem como principais propostas a implantação de centros de ensino técnico profissionalizantes em colégios estaduais, redução de impostos, inclusão de médicos geriatras no Programa de Saúde Familiar (PSF), mais investimento na segurança pública e redução da carga horária de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
Para o candidato a deputado federal Giuseppe Vecci é preciso criar portas de saída para os programas sociais como o Bolsa Família
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Déborah Evellyn com o professor Romualdo Pessoa, da Universidade Federal de Goiás[/caption]
É possível que esteja nascendo uma nova estrela — uma nova Denise Carvalho — no Partido Comunista do Brasil em Goiás. Trata-se de Déborah Evellyn, de 22 anos. Estudante de Geografia, coordenadora geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e vice-presidente regional da União Nacional dos Estudantes (UNE), ela é candidata a deputada estadual e tem o apoio dos líderes históricos do partido — como Aldo Arantes, Lúcia Rincon, Denise Carvalho, Fábio Tokarski, Marcos Araújo, Romualdo Pessoa e Luiz Carlos Orro. O verdadeiro PC do B apoia aquela que é vista, no e fora do partido, como um elemento de renovação. E renovação no partido e na política de Goiás.
Articulada, muito informada sobre a política nacional e local, Déborah Evellyn faz uma campanha discreta, por falta de recursos, porém com amplo apoio dos setores mais qualificados do PC do B — tanto em termos éticos como político-ideológicos — e do movimento estudantil de Goiás. Seu nome é praticamente uma “febre” (das mais consistentes e nada provisórias) entre os estudantes.
Déborah Evellyn diz que o Legislativo é fundamental na sociedade democrática e, por isso, “precisa ser mais ativo”. “A Assembleia Legislativa de Goiás precisa ter mais representatividade e autonomia. O Poder Legislativo tem o dever de posicionar-se em defesa da sociedade.” Se for eleita, Déborah Evellyn diz que planeja fazer um “mandato aberto”. Noutras palavras, quer um diálogo permanente com a sociedade, com a juventude, com as mulheres, com os movimentos sociais.
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Júnior Friboi e Iris Rezende: o primeiro torce pela derrota do segundo[/caption]
O empresário Júnior Friboi (PMDB) não está insulado no Colorado, nos Estados Unidos. Há quem diga que “exilou-se” voluntariamente e que só volta em agosto. Não é bem assim. Os aliados mais íntimos têm conversado com o peemedebista por telefone. Está tranquilo, mas permanece magoado com Iris Rezende e garante que não apoia sua candidatura a governador de Goiás em nenhuma hipótese. Pelo contrário, um de seus projetos é contribuir para a derrota do decano peemedebista, nem que, para tanto, tenha de apoiar o governador Marconi Perillo (PSDB), que, se reeleito, não disputará mandato em 2018, o que agrada o empresário.
A um prefeito, Friboi disse que, se Iris for eleito governador, sai do PMDB e se filia noutro partido, possivelmente de menor porte e no qual não será mais atropelado. Porém, se Iris perder, deve trabalhar para assumir o controle do partido com o objetivo de disputar o governo em 2018, numa provável aliança com o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, que disputaria mandato de senador.
Há reclamações de políticos, do PMDB ao PC do B, de que Friboi não estaria repassando o apoio financeiro prometido. Aliados do empresário apresentam duas explicações lógicas. Primeiro, ele não é candidato a nada nestas eleições — exceto a observador político e, como tal, quer assistir a derrota de Iris de camarote. Portanto, se não é candidato, por qual motivo deve financiar dezenas de candidatos? Segundo, Friboi teme que, dando apoio financeiro a alguns candidatos, estará ajudando não apenas a eles, mas também a Iris Rezende. Seria um apoio indireto ao peemedebista. O comportamento de Iris e dos iristas continua desagradando a Friboi. Eles dizem que o empresário desistiu da disputa sob pressão de seus irmãos e de seu pai, porque os interesses da empresa JBS estão acima de seus projetos políticos e dos projetos do PMDB. Um aliado de Friboi contesta: “É natural que Friboi queira proteger os interesses dos negócios da família, que é muito unida. Mas a verdade é que não se tornou candidato porque Iris o ‘atropelou’. Como se sabe, ele permanece com o sonho de disputar o governo de Goiás; assim, não se pode dizer que os interesses empresariais impediram sua candidatura. Insisto: Iris vetou a candidatura de Friboi”.
Uma informação curiosa: Friboi, embora não apoie Iris Rezende, não trabalha para impedir que todos os seus aliados participem da campanha do peemedebista (motivo: custos financeiros). Porém, alguns de seus mais íntimos aliados já estão na campanha do governador Marconi Perillo. A maioria dos prefeitos do Nordeste goiano que foram eleitos com seu apoio está hipotecando apoio ao tucano-chefe. Robledo Rezende, de sua confiança pessoal, já está acompanhando o candidato do PSDB. Porém, José Geraldo Freire, presidente da Agência Municipal de Trânsito da Prefeitura de Goiânia, declarou apoio a Iris Rezende, na semana passada, durante a inauguração do comitê eleitorado de Lívio Luciano (PMDB). Freire é carne e unha com Friboi.
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Vilmar Rocha terá condições de transformar Ronaldo Caiado no Iris Rezende de 2002? Pesquisador avalia que o segundo “estagnou” | Foto: Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
O senador tucano Cyro Miranda crava que no final de setembro Vilmar Rocha (PSD) passa Ronaldo Caiado (DEM) na disputa para o Senado. Parece ilógico, dada a informação de que as pesquisas de intenção de voto apontam o líder do PSD como terceiro colocado, atrás de Caiado e da candidata do PT, Marina Sant’Anna. De fato, o democrata é fortíssimo e é respeitado pelo eleitorado goiano.
No entanto, os políticos mais experimentados avaliam que, na “bacia das almas”, ali por volta de 20 de setembro, a 15 dias das eleições, inicia-se a “virada”. Isto é uma coisa meramente intuitiva, sem bases racionais? Os políticos, como Felisberto Jacomo e Sandes Júnior, ambos do PP, acreditam que não. A opinião de Jacomo: “Um dos principais erros em política é a crença de que se ganha eleição por antecipação. Favas contadas em política não existem. Respeito Caiado, mas a estrutura de campanha que está sendo criada pelo grupo que apoia o governador Marconi Perillo vai ser decisiva para a vitória do candidato do PSD. Durante a campanha, quando o eleitor conhecer Vilmar um pouco mais, percebendo seu amplo conhecimento do que um senador deve e pode fazer e percebendo sua tranquilidade e seu equilíbrio, a tendência é que melhore seus índices. Os dados atuais dizem mais do que a terceira colocação sugere: quem está crescendo mais é Vilmar. Caiado estagnou. Assim que nosso candidato aproximar-se mais, cria-se uma onda. Não custa lembrar que, em 2002, Iris ‘dormiu’ senador e ‘acordou’ derrotado de maneira fragorosa”.
O otimismo de Jacomo pode parecer intuitivo, mas não é, pois ele tem acesso às pesquisas, que indicam que, ao se tornar conhecido, sobe a aprovação de Vilmar. O jornalista Gean Carvalho, dirigente do Instituto Fortiori e um dos mais experimentados pesquisadores e analistas de pesquisa do país, diz que a tese de Jacomo nada tem de intuitiva e que os dados dos levantamentos corroboram-na. “Caiado é conhecido por 97% do eleitorado e sua intenção de voto fica entre 30% e 35%. Vilmar é bem menos conhecido e, quando mais exposto, tende a crescer. Além do que a ascensão do governador Marconi Perillo vai beneficiá-lo. A tendência sugere que Vilmar deve superar Marina Sant’Anna e, a partir daí, cria-se uma expectativa de poder maior.”
A Galvão Engenharia está instalando sua sede em Porangatu, onde vai abrir uma empresa, com o objetivo de organizar uma estrutura para iniciar a duplicação da rodovia BR-153 entre Anápolis e Aliança do Tocantins. No dia 12 de setembro, a empresa e o governo federal assinam o contrato em Brasília. A importância da duplicação não tem a ver tão-somente com a melhoria do escoamento da produção. Outra finalidade é garantir mais segurança aos motoristas e passageiros. Dezenas de pessoas morrem todos os anos em acidentes na Belém-Brasília. A Galvão ganhou a concessão para gerir a BR-153 por 30 anos. A empresa vai colocar ambulância e vai monitorar toda a rodovia. A Galvão estima que deve contratar cerca de 3 mil trabalhadores para trabalhar na duplicação da estrada, uma das mais importantes do país.
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Humberto Machado, político de convicções, não apoia o irismo Humberto Machado, político de convicções, não apoia o irismo[/caption]
O prefeito de Jataí, Humberto Machado (PMDB), não é radical, mas é um político de posições firmes, daqueles que não tergiversam. Ao contrário do que dizem iristas, o líder do Sudoeste goiano não vai apoiar Iris Rezende para governador. A exemplo do ex-deputado Marcelo Melo, pode até não fazer campanha para o governador Marconi Perillo, por uma questão partidária, mas não vai pedir votos para Iris e deve ficar neutro. O deputado Leandro Vilela (PMDB), apontado em nota plantada num jornal como novo aliado do candidato peemedebista a governador, confidenciou a um amigo que tentaram enquadrá-lo, mas não conseguiram. Tanto que, mesmo “adulado” e “pressionado”, não aceitou ser coordenador da campanha irista no Sudoeste.
O verdadeiro candidato tanto de Humberto Machado quanto de Leandro Vilela é Daniel Vilela, que disputa mandato de deputado federal pelo PMDB. Curiosa ou sintomaticamente, o prefeito apoia três candidatos da base do governador Marconi Perillo para deputado estadual: Mauro Bento, do PHS, Marcos Antônio, do PDT, e Cristiano Castro, do PRB. Da base irista, o único apoiado por Humberto Machado é Francisco Gedda, por sinal muito mais ligado ao empresário Júnior Friboi. O prefeito apoia Ronaldo Caiado para senador.
Porém, Humberto Machado só vai andar com Caiado, quando este não estiver acompanhado de Iris Rezende.
Dois iristas sustentam que Humberto Machado “é um marconista disfarçado de peemedebista” e que, se Iris for eleito governador, será expulso do PMDB. Publicamente, os iristas preferem outro discurso, sugerindo que, adiante, o prefeito vai subir no palanque do partido.
O senador Wilder Morais confidenciou a alguns políticos, entre eles o governador Marconi Perillo, que planeja disputar a Prefeitura de Goiânia em 2016. Wilder está estudando a gestão de outras capitais do Brasil e de outros países e avaliando quais são os principais problemas de Goiânia. Aos aliados, ele tem dito que, para administrar uma capital, é preciso, além da capacidade de gestão e preparo técnico, de arrojo. O apoio de Wilder à candidatura do governador Marconi Perillo (PSDB), contrariando orientação da cúpula do DEM — leia-se deputado federal Ronaldo Caiado —, tem a ver com seu projeto em Goiânia. Detalhe: Wilder não vai discutir o assunto agora, mas possivelmente sairá do DEM. É sua cartada final para disputar a Prefeitura de Goiânia.

