Bastidores
Peemedebistas experimentados dizem que Iris Rezende arrependeu-se de ter provocado Carlos Cachoeira, a quem chamou, sem meias palavras, de “bandido”. Líderes do PMDB avaliam que o candidato a governador cometeu um erro, que pode custar-lhe muito caro — dado o fato de que Cachoeira tem muitas informações sobre negócios de políticos do PMDB. Mas um irista contrapõe: “Cachoeira não tem fotografia alguma que incrimine Iris. Se tiver, nós o desafiamos a publicá-la”. O irista garante que “Iris não tem relacionamento algum com Cláudio Abreu ou com um homem de sobrenome Pacheco. Quando prefeito de Goiânia, Iris pôs Cláudio Abreu para correr do Paço Municipal — aos gritos”. Carlos Cachoeira estaria “blefando” sobre Iris. “Ele vai ficar falando que tem fotos e gravações até o dia 5 de outubro. Mas não vai mostrar nada, simplesmente porque não há nada para exibir. O mais provável é que, brevemente, seja processado mais uma vez.” Com a palavra, portanto, Carlos Cachoeira, apontado como “blefador-mor” pelo irismo. Um aliado do empresário afirma que ele escreveu um segundo artigo, com o apoio de um jornalista do “Diário da Manhã”, e vai publicá-lo com algumas fotografias “espantosas”. Estuda também a possibilidade de conceder uma longa entrevista ao “DM” ou ao jornal “O Popular”.
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| Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Um aliado de Antônio Faleiros, candidato a deputado federal pelo PSDB, afirma que Thiago Peixoto, do PSD, “é a Iris Araújo da coligação governista”. O faleirista afirma que, “na tentativa de ser o mais bem votado, Peixoto está invadindo áreas de postulantes da base, tratando-os como ‘inimigos’. O prefeito de Goianésia, Jalles Fontoura (PSDB), havia prometido apoiar o ex-secretário da Saúde. Porém, pressionado, decidiu montar palanque para o ex-secretário da Educação”.
Não convidem, desde já, Faleiros e Peixoto para o risoto do cerrado do restaurante Contemporane. Pode sair sangue, muito sangue, mas não será do “trio de linguiça” do risoto. O que também impressiona o faleirista é o volume de recursos financeiros movimentados pelo candidato do PSD. “Ninguém sabe de onde sai tanto dinheiro”, afirma.
Na semana passada, o Jornal Opção conversou com oito petistas, de várias tendências. Todos admitem que o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, do PT, é bem intencionado, mas não tem uma imagem de gestor eficiente. Os petistas frisam que não vão assistir de camarote o possível fracasso do correligionário. Porque seu fracasso vai gerar prejuízo eleitoral para todos os integrantes da legenda, não apenas para o prefeito. O partido, com o desgaste de Goiânia, tende a ficar menor. A escassa intenção de voto em Antônio Gomide é atribuída à má imagem de Paulo Garcia, pois as notícias da capital repercutem em todo o Estado.
Os petistas pretendem organizar um movimento, depois das eleições, com a missão de salvar a gestão de Paulo Garcia e de torná-la mais petista e, sobretudo, mais arrojada e criativa. A tese é: “Mais PT e menos PMDB na prefeitura”.
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Vanderlan Cardoso: no palanque de Marconi Perillo? É possível[/caption]
A hipótese de segundo turno em Goiás e no Brasil pode provocar uma reviravolta no quadro de alianças.
Se o segundo turno for entre Vanderlan Cardoso, do PSB, e Marconi Perillo, do PSDB, o PT vai ficar neutro? Pode ser que não. Vanderlan estará no palanque de Marina Silva, portanto contra o PT. Agora, se Marconi optar por apoiar Dilma Rousseff, a situação fica complicada para o PT goiano. A presidente poderá pressionar por uma composição local entre petismo e tucanato.
Agora, se o segundo turno for entre Marconi e Iris Rezende — hipótese mais plausível do que Vanderlan no segundo turno —, o PT fica com o segundo para puxá-lo para apoiar Dilma. Aí, Vanderlan não terá como subir no palanque de Iris e terá de buscar o apoio do tucano-chefe para Marina Silva.
Noutras palavras, o quadro é confortável para Marconi e pouco favorável às oposições. O tucano tanto pode ganhar no primeiro turno, se crescer um pouco mais em Goiânia e Anápolis, quanto, se houver segundo turno, conquistar aliados que, de imprevisíveis, se tornariam previsíveis.
A campanha do candidato do PMDB a governador de Goiás, Iris Rezende, está tão sem dinheiro que o comando — leia-se Mauro Miranda, Sandro Mabel e Barbosa Neto (o mais pão duro) — tem de pôr a mão no bolso, toda semana, e assumir alguns dos compromissos financeiros. Sim, eles estão colocando dinheiro pessoal na campanha. O trio citado e mais alguns políticos sabem que, se a campanha for derrotada, vão perder o dinheiro investido. Miranda, Barbosa e Mabel sabem que Iris Rezende tem uma cascavel no bolso e não se preocupa em pagar as dívidas de campanha, deixando os pepinos para o PMDB.
Candidato a deputado federal, Daniel Vilela espera obter pelo menos 50 mil votos em Aparecida de Goiânia. Ele quer ser o mais bem votado do PMDB e de sua coligação para cacifar-se para a disputa do governo de Goiás em 2018. No PMDB, há uma torcida generalizada, até mesmo entre alguns iristas, para que Daniel Vilela tenha mais votos do que Iris Araújo.
O governador Marconi Perillo convocou seus principais aliados, aqueles que participam de uma espécie de “conselho de guerra”, e disse que é possível ganhar no primeiro turno. O que se precisa é de um pouco mais de empenho, sobretudo nas cidades maiores e nas de médio porte. As forças-tarefas, divididas em quatro, vão atuar com rigor, todos os dias, sem descanso, para evitar que se leve a disputa para o segundo turno. Ainda assim, o tucano-chefe tem sugerido que o segundo turno não é nenhum bicho papão. Marconi tem dito que a militância e a cúpula devem se preparar tanto para vencer no primeiro quanto no segundo turno.
O acidente que matou Eduardo Campos mandou Aécio Neves, do PSDB, para o Inferno, a presidente Dilma Rousseff, do PT, para o Purgatório e Marina Silva, do PSB, para o Paraíso. Não se trata de uma daquelas cartas espíritas que “apimentam” o jornalismo do além-túmulo do “Diário da Manhã”. Mas talvez seja possível invocar Dante Alighieri com sua “Divina Comédia”.
As pesquisas indicam que Marina Silva deve derrotar a presidente Dilma Rousseff no segundo turno. Mas a líder da Rede Sustentabilidade, nome que lembra mais blog do que partido político, vai enfrentar duas máquinas poderosas — a do PT e a do governo federal. Turbinadas durante quase 12 anos, as duas máquinas vão jogar pesado para tentar evitar a derrota da presidente.
Se eleita, Marina Silva terá uma dificuldade imensa para arrancar o PT dos poros do poder. O PT incrustou-se na máquina pública e dará um trabalho de Hércules ao próximo presidente.
Sabe-se que, aos 71 anos, Iris Araújo vai disputar, este ano, sua última eleição para deputada federal. Ela teve problemas pulmonares — motivados pelo ar condicionado e carpete do Congresso Nacional — e chegou a ser internada no Hospital Sírio-Libanês. Iris Araújo aprecia o Parlamento, mas percebe que está chegando a hora de se aposentar para se dedicar ao que mais gosta — culinária.
O deputado federal Sandro Mabel confidenciou a um peemedebista, todo faceiro, que fechou um acordo com o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela. Sandro Mabel será candidato a prefeito de Aparecida de Goiânia, em 2016, com o apoio de Maguito. Em algumas cidades, o peemedebista está apoiando Daniel Vilela para deputado federal. Noutros municípios, o empresário precocemente aposentado arma palanque para Alexandre Baldy, candidato a deputado federal pelo PSDB.
Quando tudo parecia perdido, a cúpula do PT, que não morre de amores pela presidente Dilma Rousseff, cogitou trocá-la pelo ex-presidente Lula da Silva. Avaliou-se que o ex-presidente seria o único capaz de derrotar o fenômeno Marina Silva, tão teflon quanto o ex-sindicalista.
Lula, que nada tem de bobo, teria encomendado uma pesquisa e teria ficado estupefato com o resultado. Nem mesmo ele, ao menos no momento, tem condições de derrotar Marina Silva. O eleitorado quer retirar o PT do poder — o problema nem é com a presidente Dilma. O motivo? Dois, ao menos. Primeiro, a crise da economia. A classe média está consumindo menos e avalia que chegou a hora de mudar. Segundo, o eleitorado avalia que, no poder, o PT se corrompeu e, por isso, pretende trocá-lo por uma política que acredita decente.
Como os números raramente “mentem”, o petismo, ou o Lulopetismo, decidiu permanecer apoiando Dilma Rousseff, resguardando Lula para a disputa de 2018.
Piada contada por peemedebistas jovens: “Se Iris Rezende for eleito, Lázaro Barbosa será indicado para o cargo de secretário da Juventude”. O ex-senador tem 76 anos. Para os parâmetros do decano peemedebista, é até “muito jovem”. Lázaro Barbosa enfrenta a forte concorrência de Luiz Soyer, de 74 anos.
O ex-senador Demóstenes Torres conta que, quando surgiu o celular, era promotor de justiça em Anicuns. Certa dia, um homem simples liga no seu celular e diz: “Quero falar com o promotor ‘Demoste’”. Demóstenes Torres responde: “É o próprio”. O caipira não entende e diz: “Sr. Próprio, eu quero falar é com o promotor ‘Demoste’”.
Uma das surpresas das eleições para deputado estadual pode ser Eliane Pinheiro (PMN). Ela está forte em Goiânia e, sobretudo, em Anápolis. Eliane Pinheiro é articulada e respeitada no meio político.
Eurípedes Júnior trabalha, em tempo integral, com o objetivo de ser eleito deputado federal. Ele é o comandante nacional do PROS. Joga pesado e comporta-se como um político profissional. Em Brasília, o goiano Eurípedes Júnior surpreende pelo prestígio. Ele fala com a presidente Dilma Rousseff e entra e sai dos ministérios sem nenhuma cerimônia.


