Bastidores
A fusão do PSB com o PPS é tida como certa, segundo o deputado federal Marcos Abrão (PPS). Porém um deputado federal afirma que conversou com Carlos Siqueira, um dos chefões do PSB, e que ouviu que a fusão não tem muito sentido. Porque as experiências ideológicas dos dois partidos são muito diferentes. “Se a cláusula de barreira for ‘pesada’, aí vão se fundir pela dor.”
O senador Ronaldo Caiado é o novo “darling” da imprensa nacional. “Veja”, a revista mais crítica do país, TV Globo e Globo News entrevistam-no com frequência e o líder goiano mostra-se sempre bem informado e dominando com facilidade os assuntos abordados, indicando que estudou-os detidamente. Porém, dado o jogo político, como as fusões partidárias — o DEM de ACM Neto está “apaixonado” pelo PTB da filha de Roberto Jefferson, Cristiane Brasil —, o senador pode ficar algum tempo sem partido. A fusão entre DEM e PTB, se efetivada, criará uma estrutura curiosa: o partido terá o nome de PTB, mas ficará com o número do DEM, 25. Se o PTB ficar na oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff, Caiado pode assumir seu comando. Porém, se ficar dúbio, para negociar, deverá procurar novo rumo. O PMDB (nacional e local) está de “olho gordo” em Caiado. Em Goiás, o senador não teria problema algum, pois se dá muito bem com o ex-prefeito de Goiânia, Iris Rezende, seu aliado na disputa de 2014. O peemedebista-chefe, com Caiado ao seu lado, se tornaria um candidato a prefeito de Goiânia ainda mais forte. E, em 2018, o bancaria para governador de Goiás, se eleito, é claro, prefeito da capital. O problema é o PMDB nacional, e por dois motivos. Primeiro, o PMDB apoia o governo do PT. É sua principal âncora no Congresso Nacional. Segundo, Caiado não concorda com o balcão de negócios no qual se tornou o partido. Então, se sentiria um peixe n’água em Goiás e um peixe fora d’água em Brasília, se se filiasse ao PMDB.
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Presidente do PHS, Eduardo Machado: só recebe elogios | Foto: reprodução / site PHS[/caption]
O governador Marconi Perillo é pródigo em elogios ao presidente da Metrobus, Eduardo Machado, e por uma questão objetiva. Em três meses na gestão da estatal, adotando métodos gerenciais modernos e rigorosos, “Magic” Machado conseguiu retirá-la do vermelho.
Qual o milagre? “Nenhum. Segui o receituário do governador Marconi e da secretária da Fazenda, Ana Carla Abrão Costa. Nossa equipe aumentou a receita em 23% e reduziu a despesa em 48%.” A Metrobus arrecada mensalmente 12 milhões de reais (6 de bilheteria e 6 do governo).
“Magic” Machado reduziu o número de funcionários, diminuiu o consumo de combustível, conseguiu desonerar o combustível usado pela Metrobus. “Os cortes não são indolores, mas a Metrobus está ficando cada vez mais azeitada.”
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Friboi quer continuar no PMDB | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Acusado de infidelidade partidária — não apoiou Iris Rezende, e sim Marconi Perillo, na eleição para governador de Goiás —, Júnior Friboi apresentou sua defesa à Comissão de Ética do PMDB.
O empresário alegou que, como não é dirigente partidário, não pode ser expulso do partido. Dirigente, se apoiar candidato de outro partido, é passível de expulsão. Friboi alegou que não participou da campanha do tucano-chefe e que apenas declarou que ele seria eleito no segundo turno.
O próximo passo é a convocação de uma audiência, com apresentação de testemunhas. Friboi apresentou sua defesa técnica e, na audiência, fará a defesa política. Vai dizer que tentou ser candidato e que foi olimpicamente vetado. Não o deixaram sequer disputar a convenção do partido.
O relator vai analisar a denúncia e a defesa. A Comissão de Ética, com todos os dados em mãos, decidirá se Friboi infringiu o Estatuto do PMDB. “Ao contrário do que querem Iris Rezende e José Nelto, não será um julgamento político, por isso as chances de ‘absolvição’ de Friboi são altas”, afirma um advogado.
Friboi não quer sair do PMDB. Pelo contrário, quer disputar o comando regional, em outubro, ou então bancar o deputado federal Daniel Vilela para a presidência. A tese do empresário é a mesma de outros líderes: alguns caciques não podem usar a estrutura partidária apenas no período eleitoral e, depois, abandonar inteiramente os correligionários do interior.
Friboi pretende disputar o governo de Goiás (ou o Senado), prioritariamente, em 2018.
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Os presidenciáveis Pedro Paulo de Medeiros, Enil Henrique e Lúcio Flávio | Fotos: Facebook e Fernando Leite / Jornal Opção[/caption]
O Jornal Opção ouviu 22 advogados experimentados e fez a todos a mesma pergunta: “A eleição para presidente da OAB-Goiás será realizada em novembro deste ano, daqui a sete meses. Se fossem realizadas hoje, quais seriam os candidatos?” No momento, estão posicionados, mas não definidos, Enil Henrique, Pedro Paulo Medeiros, Lúcio Flávio Paiva, Flávio Buonaduce e Djalma Rezende.
Mas quem disputa mesmo? Medeiros e Buonaduce farão parte da mesma chapa — unindo Felicíssimo Sena (patrono do primeiro) e Miguel Cançado (patrono do segundo). Lúcio Flávio e Enil Henrique estão definidos. Portanto, seriam três candidatos, na avaliação dos entrevistados.
Djalma Rezende é visto como outsider. É mais importante, pela estrutura financeira, como apoiador do que como candidato
A matéria “Documentos revelam que Palocci recebeu R$ 12 mi de empresas quando coordenava a campanha de Dilma em 2010”, dos repórteres Thiago Bronzatto e Filipe Coutinho, da revista “Época”, é outro capítulo explosivo sobre provável corrupção nos bastidores do governo da presidente Dilma Rousseff.
A reportagem revela que o escritório do advogado Márcio Thomaz Bastos repassou R$ 5,5 milhões para Antônio Palocci, em 2010, quando ele era arrecadador “informal da campanha da petista”. “No dia em que foi anunciado como ministro de Dilma [Casa Civil], Palocci recebeu R$ 1 milhão em sua consultoria, a Projeto. A origem da grana era o Pão de Açúcar, então dirigido por Abilio Diniz. Palocci teria sido contratado para auxiliar “na fusão entre o grupo de Abilio Diniz e as Casas Bahia”. Detalhe: “Palocci não prestou qualquer serviço”.
O Ministério Público Federal elaborou uma lista “com 30 nomes de empresas que pagaram o ex-ministro”. “Em 2010”, anota a revista, “Palocci recebeu, ao menos, R$ 12 milhões em pagamentos considerados suspeitos pelo MPF”. O frigorífico JBS, da família de Wesley Batista, Joesley Batista e Júnior Friboi, e a concessionária CAOA (tem montadora em Anápolis, Goiás) repassaram R$ 6,5 milhões a Palocci. O ex-ministro “não conseguiu comprovar que prestou serviços às empresas”. Há “indícios”, portanto, “de que as consultorias foram, na verdade, de fachada”.
A revista nota que “a consultoria de Palocci recebeu R$ 2 milhões da JBS entre 2009 e 2010. É um caso para lá de estranho: embora Palocci tenha admitido que recebeu da JBS, a JBS informou à ‘Época’ que nunca teve qualquer negócio com o petista. Em 2010, a JBS foi a campeã de doações oficiais à campanha de Dilma, com R$ 13 milhões — foram quase R$ 70 milhões em 2014. No caso de Palocci, a JBS fez sete depósitos em cinco meses. Os pagamentos se dividiram em dois de R$ 250 mil e outros cinco de R$ 300 mil”. Há um contrato, apesar da negativa da JBS.
“O contrato” entre Palocci e a JBS “foi assinado antes da eleição, no dia 1º de julho de 2009. Previa o assessoramento do ex-ministro na aquisição que a JBS faria nos Estados Unidos da multinacional Pilgrims Pride, segunda maior produtora de aves do mundo. A JBS fechou o negócio logo depois, em 16 de setembro daquele ano. Aos procuradores, Palocci descreveu os serviços que a JBS diz não ter contratado: ‘Apoio decisório que passa pela análise das perspectivas do mercado de carnes de frango nos mercados americano e global e pela avaliação do valor de mercado da companhia e as sinergias passíveis de serem auferidas com a globalização do grupo em outras áreas de proteína animal, além da carne bovina”. Porém, frisa a revista, “um documento enviado ao BNDES pela dona da Friboi em 5 de agosto daquele ano — um mês, portanto, após a contratação de Palocci — põe ainda mais em dúvida a veracidade dos serviços, segundo o MPF. Na nota técnica AMC/DEPAC 028/2010, a JBS informa ao BNDES que ‘já estava em fase adiantada de negociação com a Pilgrims’. O próprio dono da JBS, o empresário Joesley Batista, que já era dono nos Estados Unidos da multinacional Swift, disse, em outubro daquele ano: ‘Começamos a negociar com a Pilgrims Pride há um ano, antes que pedisse concordata’. Dez meses antes, portanto, da assinatura do contrato com Palocci”. Especialistas disseram à “Época” que Palocci, até por não entender da delicada operação, não participou da negociação como analista.
CAOA
Em 1º de julho de 2010, durante a campanha de Dilma Rousseff, Palocci firmou um contrato com a Caoa, do empresário Carlos Alberto Oliveira Andrade, que dirige uma montadora da Hyundai em Anápolis. A Caoa pagou R$ 4,5 milhões a Palocci, mas o ex-ministro nada fez para a empresa. (“Época” afirma que Carlos Alberto tem uma fábrica da Hyundai em Goiás; na verdade, é mais uma montadora.) O curioso é que, mesmo tendo repassado milhões para o ex-ministro, a Caoa garante: “Não temos e nunca tivemos nada com a consultoria de Palocci”.
Luiz Carlos Borges da Silveira Ao aprovar, em primeiro turno, a emenda constitucional proibindo coligações nas eleições proporcionais – deputado federal, deputado estadual e vereador – o Senado deu alento à reforma política. É um passo tímido, mas significativo na direção da tão almejada e necessária revisão, que parece que vai andar. Dentre outras propostas estão: adoção do voto distrital (apelidado de Distritão) nas eleições parlamentares, sistema em que apenas os mais votados se elegem, eliminando o voto de legenda que permite que um nome extremamente popular, mas sem nenhum preparo nem experiência política, consiga alta votação e ajude outros rejeitados pelo eleitorado a elegerem-se; estabelecimento da coincidência de mandatos, incluindo as eleições municipais na mesma data dos pleitos federal e estadual (atualmente discute-se a forma, sendo mais provável que prevaleça a tese da prorrogação por dois anos dos atuais mandatos de prefeitos e vereadores, a outra tese é a do mandato tampão, de dois anos, para que então ocorra a unificação em 2018); redução do mandato dos senadores de oito para cinco anos; fim da reeleição nos cargos majoritários, porém com a fixação de cinco anos para os referidos mandatos. Enfim, são questões em discussão que demonstram interesse pelo tema. Quanto à coligação partidária em eleição parlamentar, trata-se de uma aberração no processo eleitoral causando distorções e situações inaceitáveis, ferindo o direito do cidadão que vota para escolher seus representantes populares nos níveis federal, estadual e municipal. Abolir esse instituto na legislação significa em primeiro lugar o fortalecimento dos partidos que terão de mostrar a cara, eleger seus membros com votação própria, desestimulando alianças interesseiras e coligações esdrúxulas que reúnem partidos sem a menor identidade ideológica. Para o eleitor será a chance de evitar o risco de votar no candidato de sua preferência e ver eleito outro completamente oposto à sua vontade. Será o fim das coligações fisiológicas e das legendas de aluguel, acabando com a barganha em troca de tempo nos programas de rádio e televisão. O fim das coligações pode ensejar naturalmente a chamada cláusula de barreira, pois os partidos nanicos terão dificuldade de eleger bancadas representativas. Por isso a medida deve contribuir para a existência de legendas fortes, de amplitude nacional e bem organizadas, porque do contrário não sobreviverão. É bem verdade que a matéria exige mais uma votação no Senado, na qual tem chance de ser novamente aprovada. O problema está na Câmara dos Deputados, onde 28 pequenos partidos (a quem interessa manter as coligações) já se posicionaram contra, por motivos óbvios. Algumas lideranças também se manifestaram contrárias, ou por convicção ou para agradar aliados nanicos. O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, durante encontro político em Curitiba, prometeu que em maio coloca a matéria em votação no plenário. Portanto, é de se esperar que o bom senso prevaleça e a matéria venha a ser aprovada, tornando-se um grande incentivo para a adoção das outras medidas no bojo da reforma. Caso isso não aconteça, teme-se que seja um desestímulo à reforma política que tem de avançar este ano, pois 2016 é ano de eleições municipais e nenhuma alteração significativa será adotada na legislação eleitoral. Luiz Carlos Borges da Silveira é empresário, médico e professor. Foi ministro da Saúde e deputado federal.
A crise é um fato nacional incontestável e nenhum Estado é uma ilha. Mas Goiás continua atraindo empresas, dada sua economia pujante, que cresce acima da economia nacional. O governador Marconi Perillo, do PSDB, anunciou -- via redes sociais oficiais do governo -- na quinta-feira, 16, que a Hering, a gigante da fabricação de roupas, vai instalar novas fábrica no Estado.
A Hering já tem seis unidades em Goiás — em Anápolis, Goianésia, Paraúna e Santa Helena. O presidente do grupo, Fábio Hering [na foto acima, ao lado do governador goiano], disse ao governador Marconi Perillo, em São Paulo, que Goiás é um Estado que contribuiu para a expansão da empresa.
Goiás está no centro do Brasil e isto facilita o trabalho de distribuição da Hering.
Alcides Rodrigues (PSB), quando governador de Goiás, e Jorcelino Braga (PRP), quando secretário da Fazenda do governo de Goiás, disseram que Marconi Perillo, que havia sido governador de 1999 a 2006, era responsável pelo déficit nas contas do Estado. Rodrigues e Braga sublinharam que o tucano-chefe havia deixado uma “terra arrasada” e que o arquiteto da terra devastada seria o hoje governador Marconi Perillo. Porém, segundo o desembargador Itamar de Lima, do Tribunal de Justiça de Goiás, não conseguiram apresentar provas de suas afirmações. Por terem “lesado” a imagem de Marconi Perillo — configurando danos morais —, o magistrado condenou-os a pagar 100 mil reais de indenização. Rodrigues e Braga podem recorrer ao Superior Tribunal de Justiça. Se não o fizerem, terão de indenizar Marconi Perillo. A questão é que, se não apresentaram provas no TJ-GO, o que irão apresentar em Brasília, no STJ?
O advogado, ex-deputado e ex-prefeito de Jussara Joaquim de Castro (foto) foi indicado pela Assembleia Legislativa para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). A posse será nos próximos dias. Ele ocupará a vaga deixada, por aposentadoria, pelo conselheiro Virmondes Cruvinel.
A informação mais curiosa é que o deputado Cláudio Meirelles (PR), que se considera inimigo figadal de Joaquim de Castro, fez questão de mostrar seu voto. Ele votou no ex-prefeito de Jussara. A votação foi secreta, mas o parlamentar decidiu exigir seu voto. Isto pode significar uma pacificação na política de Jussara, onde a prefeita, Tatiana Santos, é aliada de Cláudio Meirelles e adversária política do grupo de Joaquim de Castro.
Dos 36 votantes, Joaquim de Castro obteve o voto de 35. Cinco deputados não votaram porque não estavam na Assembleia.
Joaquim de Castro foi bancado pelo governador Marconi Perillo
Os deputados estaduais devem escolher Joaquim de Castro — advogado, ex-deputado e ex-prefeito de Jussara — para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios. Isto, é claro, se o painel da Assembleia Legislativa de Goiás “deixar”. Na tarde de quinta-feira, 16, o painel “pifou” duas vezes — impedindo a votação. Deputados, de brincadeira, dizem: “É o mau agouro do Cláudio Meirelles”. Os parlamentares estão à espera de que técnicos consertem o painel. Joaquim de Castro é o nome apoiado pela base marconista. Cláudio Meirelles, do PR, é o nome bancado pela aliança PMDB — leia-se José Nelto e Adib Elias — e pelo PT, leia-se Luis Cesar Bueno.
Cláudio Meirelles tem o apoio de José Nelto, Adib Elias e Luis Cesar Bueno, seus principais articuladores
O ex-deputado José Dirceu, do PT, será o próximo a cair nas malhas da Polícia Federal? Não se sabe. Mas o bem informado Reinaldo Azevedo, maior polemista da imprensa patropi na atualidade, escreveu no seu blog na revista “Veja”: “Consta que, em breve, um outro peixão da legenda [do PT] cai na rede”.
Seria José Dirceu? Pode ser. Mas não vazou nada da Polícia Federal e do Ministério Público a respeito. O peixão pode ser outro. O que se sabe é que as denúncias estão cada vez mais “coladas” em José Dirceu e estão se “aproximando” do ex-presidente Lula da Silva.
O empresário Vanderlan Cardoso afirma que só disputará a Prefeitura de Goiânia se tiver o apoio de um grupo político forte. Como o PMDB já definiu seu candidato — será Iris Rezende —, as conversas do presidente do PSB tem sido com integrantes do PSDB, como o governador Marconi Perillo. As conversas, por enquanto, são preliminares, porque, como os líderes políticos sabem, não é mesmo o momento de definições de longo prazo — a eleição será em outubro de 2016. O momento é de conversar e de não arrombar portas abertas.
O que se especula, entre integrantes do PSB e PSDB, é que Vanderlan Cardoso tem chance de ser o candidato da base do governador Marconi Perillo. Uma das condições seria a filiação ao PSDB. Ele vai aceitar? Não se sabe. O que se sabe é que, mesmo se aceitar, o fará apenas em setembro, prazo final para filiação para quem vai disputar mandato em outubro de 2016. Mas um aliado de Vanderlan Cardoso é peremptório: “Ele não quer sair do PSB”. Por quê? “Porque tem o controle absoluto do partido e sua força, por não ter mandato legislativo ou executivo, deriva disto”.
Carlos César Higa
“As manifestações que avançam Brasil afora neste mês de junho mostram exatamente isso. Não é apenas o simples descontentamento com a classe política, mas sim a total falta de conexão com o que é trabalhado dentro do Congresso Nacional e a realidade deste país. Se a pauta daqueles que estão nas ruas é imensa, talvez o motivo principal seja a ausência de lideranças políticas que pensem o Brasil não para a Copa do Mundo ou para a Olimpíada, mas para muitos anos à frente”. Escrevi isso em um texto publicado pelo Jornal Opção em 20 de junho de 2013, no auge das manifestações que ocuparam as ruas de várias cidades do país. Entre as manifestações daquele ano e as de agora permanecem a insatisfação do brasileiro com os políticos e a falta de sintonia entre os trabalhos aqueles que nos representam com o que é exigido nas ruas.
A oposição é um exemplo dessa falta de sintonia. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) gravou um vídeo divulgado nas redes sociais convocando os brasileiros para saírem às ruas nos dias 15 de março e ontem. Faltou alguém gravar um vídeo e divulgar na rede social do senador convocando-o para também participar das manifestações. No dia 15, Aécio assistiu da janela do seu apartamento no Rio de Janeiro as pessoas que saíram as ruas contra o governo. Ontem, assinou um documento apoiando as manifestações. E dizem que essa oposição flerta com o golpe. Aécio Neves perdeu as eleições do ano passado para Dilma Rousseff por uma diferença de três milhões de votos. Ao invés de intensificar as críticas ao governo que fez durante a campanha (e que o tempo mostrou que estavam corretas) e buscar aproximação com os manifestantes, preferiu se esconder. Talvez o único que não saiba o real motivo das derrotas para o PT desde 2002 seja o próprio PSDB. Fica difícil apontar os erros já que o próprio partido se esconde quando convocado.
O lado bom dessas manifestações é o surgimento de movimentos como o Movimento Brasil Livre, Vem pra rua e Revoltados on-line, que se dispõe em fazer o papel que seria das oposições: organizar as manifestações contra o governo. E a rapaziada desses movimentos está conseguindo juntar muito mais gente do que os velhos manifestantes da CUT, UNE e MST. Os doze anos de governismo cobra seu preço. A manifestação de ontem foi menor que a do dia 15 de março? Com certeza foi muito maior do que as convocadas pelos governistas e não precisou de pão com mortadela.
O blog do Reinaldo Azevedo no site da Veja informa que os líderes dos movimentos que organizaram as manifestações estão convocando para uma marcha rumo a Brasília para pressionar os parlamentares no cumprimento das pautas reivindicadas nas ruas. Resta saber se o senador Aécio Neves irá publicar um vídeo na sua rede social dizendo que receberá o pessoal, mas, na realidade, marchará para o seu apartamento no Rio. Como o próprio Reinaldo escreveu no seu blog: ou o PSDB se reinventa ou será tragado junto com o PT.
A oposição nas ruas está fazendo a sua parte: convocando a população para protestar contra o governo, procurando os meios legais para efetivar suas pautas. Será que a oposição no Congresso continuará se omitindo como fez em 2013? Se Aécio se esconder novamente no seu apartamento a beira mar poderá ser tragado pelo tsunami que não vem do oceano, mas da Avenida Atlântica.
Carlos César Higa é mestre em história pela Universidade Federal de Goiás.

