Por Irapuan Costa Junior

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Celso Amorim desmoralizou o Itamaraty

Celso Amorim faz críticas ao Itamaraty, que ele tanto ajudou a desmoralizar por omissão, covardia ou mesmo ação. Deixava-se ultrapassar pelo tosco Marco Aurélio Garcia. Coincidentemente ou não, está sem cargo no mandato atual da governanta.

Perdeu posição e virou crítico de Dilma

Gilberto Carvalho é o terceiro “re­voltado a favor”. Está criticando a presidente, que ele acha estar dialogando pouco com os “movimentos sociais”. Gilbertinho, dizem, fala só o que Lula pensa, e não iria criticar a presidente se o chefão não gostasse. Mas há algo mais. Gilberto tem hoje um bom salário no Conselho do Sesi, que preside. Mas a presidente tirou seu status — logo, tirou sua pose — de ministro.

Ministro da Justiça quer “desarmar a burguesia”

O ministro da Justiça, o acaciano José Eduardo Cardozo, é um persistente adepto do desarmamento do cidadão comum, trabalhador e cumpridor das leis. Diz que é ação para reduzir a criminalidade. Ele, que entende as quatro operações, sabe que não é verdade, ou não teríamos chegado, nos dez anos de vigência do famigerado Estatuto do Desarmamento aos absurdos 56.000 assassinatos anuais. O que se quer mesmo é “desarmar a burguesia”. A menos que ele pense que quem trabalha duro dez horas por dia, enfrenta um trânsito caótico na ida para o trabalho e na sua vinda para casa, ainda consegue sair de madrugada, às escondidas, matar alguém que deve a um traficante, só por diversão, e voltar para casa. Uma sugestão para o ministro Cardozo: uma busca nos acampamentos do MST e na casa de João Pedro Stédile. Fala-se muito em armamentos escondidos por ali ou adjacências. E, afinal, são bandidos que invadem, destroem, incendeiam, e às vezes até matam. Impunemente.

O Estado Islâmico de Stédile

No Iraque, radicais islâmicos, destroem tesouros históricos. Apenas supostamente em nome da religião, pois nenhum credo religioso prega a destruição pura e simples, que não beneficia ninguém. No Brasil, a parte feminina do “Exército de Stédile”, uma espécie de Exército Islâmico nacional, um bando de desordeiras mascaradas, só que sem religião, invade um centro de pesquisas agronômicas em São Paulo, no dia 8 deste mês, e destrói mudas de plantas, resultado de anos de pesquisa na busca de produtividade. Apenas por diversão. Ninguém foi responsabilizado. João Pedro Stédile, nosso Boko Haram, sequer foi chamado para depor.

Vladimir Herzog da Venezuela

[caption id="attachment_31213" align="alignnone" width="620"]Foto: Juan Barreto/AFP Foto: Juan Barreto/AFP[/caption] O governo venezuelano, aquele competente das prateleiras desertas, nos brindou com duas notícias horríveis na semana passada: o opositor de Maduro e ativista de Direitos Hu­manos Rodolfo González morreu na prisão à moda de Vladimir Herzog. Prisão, aliás, onde já se encontram muitos opositores do governo. E Maduro agora independe do Legislativo, que aliás vinha sendo apenas um apêndice supurado do Executivo. O “companheiro bolivariano” vai governar por decreto. Com o apoio dos vizinhos, Brasil inclusive.

Maduro vai invadir os EUA?

Nicolas Maduro promoveu um exercício de “manobras militares” na Venezuela com 80.000 militares e 20.000 “milicianos bolivarianos”. Obama que se cuide: Maduro pode estar pensando em invadir os EUA. Se Hugo Chávez, transformado em passarinho piar em seu ouvido, então...

Reféns da ditadura de Cuba e o “Menos” Médicos

O Ministério Público do Trabalho é um acabado exemplo de um rebanho acovardado — com raríssimas exceções — perante governo federal e PT. Descobre trabalho escravo até na Companhia Vale do Rio Doce, mas é incapaz de adotar uma providência sequer para proteger os médicos cubanos da expropriação de seu salário por Havana e da truculência da polícia cubana que age livremente — pasmemo-nos todos — aqui dentro do país. Reportagem da “Folha de S. Paulo” do dia 17 deste mês, das jornalistas Cláudia Collucci e Camila Turtelli, feita em Agudos (SP), mostra a ação da vice-ministra da Saúde de Cuba, Estela Cristina Morales, usando a polícia política da ditadura cubana para obrigar aqueles profissionais a enviar de volta a Cuba os filhos menores que trouxeram para o Brasil. Por quê? Porque é preciso que eles fiquem lá em Cuba, como reféns da ditadura dos irmãos Castro, como garantia para que os médicos se comportem: não comentem as misérias do regime cubano, não falem mal dos ditadores, não reclamem dos salários que lhes estão sendo roubados, não tentem se asilar por aqui ou algures.

A prepotência da presidente Dilma Rousseff

No dia seguinte às passeatas, ministros falaram sandices. No dia subsequente foi a vez da presidente. Falou em humildade, quando sua linguagem corporal só dizia da prepotência. Falou em reforma política, que os manifestantes não pediram. Falou em medidas contra a corrupção, mas deu a entender que seriam medidas legislativas. Não precisamos de mais leis, precisamos apenas que não nos roubem metodicamente, como se faz agora. Precisamos que não aparelhem os tribunais superiores, porque enquanto o fizerem, petistas ficarão soltos, mesmo quando outros companheiros ocasionais forem presos, como no mensalão. A presidente falou das manifestações de sexta feira, 13 (CUT, UNE, MST), montadas com dinheiro público para respaldá-la e das de domingo, 15, para pedir sua saída e o fim da corrupção, como se fossem a mesma coisa. Não são. Falou de seu passado, afirmando que lutou contra a ditadura, em benefício da democracia. Não é verdade. Sabemos que o fez na tentativa de trazer para cá o regime cubano. E falou no direito de expressão, como se para ela fosse um valor a ser preservado. Não é. Sabemos do esforço que fazem seu governo e seu partido para arrolhar a imprensa e apoiar ditaduras, como a de Cuba e agora, da Venezuela, onde ninguém pode questionar o governo, sob pena de cadeia ou coisa pior.

Sucessora no Sarah Kubitschek rejeitou proposta milionária do Qatar

[caption id="attachment_27466" align="aligncenter" width="620"]Lúcia Willadino Braga: disposição para servir o paciente com qualidade e eficiência  Lúcia Willadino Braga: disposição para servir o paciente com qualidade e eficiência[/caption] Aloysio Campos da Paz deixa uma herdeira profissional: a coautora de seu livro “Método Sarah de Rea­bi­­litação Baseada na Família”, a neuropsicóloga, música (e hoje presidente do Sarah), Lúcia Willadino Braga. Ela, que entrou na existência do hospital (melhor dizer dos hospitais Sarah Kubitschek) despretensiosamente, imbuiu-se, com o passar dos anos, do espírito de dedicação, sacerdócio, inovação e profissionalismo de Aloysio Campos da Paz. Acabou, naturalmente, por simples gravidade, tornando-se sua substituta e sucessora. A revista “Veja” de 23 de maio do ano passado traz uma reportagem sobre a cientista. Entre outros fatos, reporta que ela teve oferta milionária do Qatar para se mudar para o emirado e lá trabalhar. Possivelmente ganharia dez vezes o que percebe no Sarah. Não quis trocar o prazer e a devoção profissionais pela fortuna, tal como fizera Aloysio no início de sua carreira. Rendemos nossas homenagens a ela. O Sarah é hoje mais difundido pelo tratamento perfeito que deu a famosos, como o músico Herbert Viana, o escritor Jorge Amado, ou o humorista Millôr Fernandes. Minis­tros, senadores, deputados e autoridades várias experimentaram seu tratamento e falam maravilhas. Mas para Aloysio eles não fo­ram di­ferentes dos outros milhares de a­nô­nimos que provaram os mes­mos cui­dados, pelos mesmos profissionais, com o mesmo respeito e com o mesmo carinho. Quan­do morre e dei­xa uma lição clara, que cabe aos que ficam aprender e praticar, Aloy­sio Campos da Paz cumpriu sua missão na Terra, exemplarmente. Espe­ra­mos que seu comportamento sirva, e­fetivamente, de lição e que o percebam os que têm responsabilidade na saúde pública. Podemos, sim, ter uma saúde de primeiro mundo, desde que exista dedicação, honestidade e vergonha na cara. Essa, a lição que Aloysio mostrou de sobra.

Criador do Sarah Kubitschek colocou medicina e paciente acima de questiúnculas político-corporativistas

Criador do Sarah Kubitschek colocou medicina e paciente acima de questiúnculas político-corporativistas

Estatuto do Desarmamento desagradou médico que criou excelência em ortopedia

Aloysio Campos da Paz era um apaixonado colecionador de armas, e um atirador ocasional. Aborreceu-se muito com a edição do Estatuto do Desar­mamento, que colocava as armas das pessoas de bem, como ele, na mira de um controle absurdo, de uma burocracia insuportável, que os criminosos nunca experimentaram. Evitava polemizar sobre o assunto pois tinha amizades em todos os partidos e facções, inclusive as mais radicais de esquerda, para os quais o tal estatuto é um instrumento da luta de classes, e que consegue, a despeito da vontade popular, “desarmar a burguesia”.

Dilma Rousseff ficou indignada com morte na Indonésia mas não lamenta mortes no Brasil

[caption id="attachment_26957" align="alignright" width="300"]Marco Archer: o traficante morreu na Indonésia | Foto: Reuters Marco Archer: o traficante morreu na Indonésia | Foto: Reuters[/caption] Estaria, como diz a piada recente, tão perdida a presidente Dilma Rousseff no governo quanto fica o ex-presidente Lula em uma biblioteca? Tão ou mais perdida, ao que parece. As opções erradas parecem ser o norte preferencial de Dilma Rousseff. Dois exemplos da semana passada vieram demonstrar esse teorema. Em primeiro lugar, a presidente anunciou a suspensão de uma viagem a Davos, na Suíça, onde se realiza o Fórum Econômico Mundial. Trocou-a por uma ida a La Paz, para assistir à posse do camarada Evo Morales em mais um dos seus muitos mandatos desempenhados ou a desempenhar pelos tempos afora, ninguém sabe até quando. Em Davos, a presidente teria a oportunidade de tranquilizar investidores e atrair capitais para a combalida economia brasileira. Bastaria exibir Joaquim Levy como garantia, e afirmar que contratos não seriam quebrados nem o governo faria travessuras econômicas nesse seu segundo mandato. Foi o que seu criador, Lula da Silva, fez com sucesso. Mas não. A presidente considerou que seria “grosseria” não comparecer à posse de Evo. Que por sinal não foi nem um pouco refinado quando invadiu à força as instalações bolivianas da Petrobrás, delas tomou posse, e, ao que se sabe, por elas nada pagou. Como também não deixou Evo Morales de ser grosseiro ao incentivar o plantio de coca em nossas fronteiras e fazer vista grossa ao contrabando de drogas para o Brasil. Outra atitude presidencial com que, em um raciocínio linear, fica difícil concordar, diz respeito à execução, na Indonésia, do traficante brasileiro Marco Archer Cardoso, no último 17 de janeiro. A pena capital, a única que impede qualquer tipo de reparação nos casos de erro judiciário, e que ofende a fundo a nossa mentalidade cristã, não é, felizmente, aplicada (ao menos institucionalmente) no Brasil. Mas o é na Indonésia e em vários outros países. Quem, como Archer, resolve arrostá-la, e é preso, é um meio suicida. Com um agravante: segundo alguns jornais, Archer havia por várias vezes feito o tráfico de cocaína para Bali, antes de ser preso, em 2003. Então, não era só um meio suicida; era um praticante compulsivo de roleta russa. As probabilidades jogavam, pela mão dele mesmo, contra sua vida. Além disso, todo seu processo, pelo que se sabe, seguiu os trâmites legais da Indonésia. Não houve cerceamento de defesa, e todas as instâncias judiciárias foram percorridas, até chegar ao amargo final. Amargo, mas absolutamente legal. Archer cometeu um crime político, um crime de opinião? Não, evidentemente. Seu crime foi comum, e é muito grave em qualquer país (talvez menos, infelizmente, no Brasil). Gera consequências, criando dependentes, o que por sua vez gera outros crimes, de morte inclusive, como muito bem sabemos por aqui. Concordamos com todos os esforços feitos por Lula, Dilma e o Itamaraty para salvar o brasileiro do pelotão de fuzilamento, e enviá-lo talvez à prisão perpétua. Era um dever, até porque não adotamos a pena de morte, e ela nos repugna. Mas fez-se o possível. Talvez até um pouco mais que isso, com o telefonema, que já se sabia inútil e desgastante, de Dilma para o presidente indonésio Joko Widodo. Mas a “indignação” expressada por Dilma no fato consumado está um tanto fora do lugar. Não cabe a ela revisar uma sentença da justiça da Indonésia, ainda mais contra um crime suficientemente provado e confesso. Nem convocar o embaixador brasileiro na Indonésia, uma retaliação desnecessária, saída da cabeça tosca de Marco Aurélio Garcia, ao que parece. E o que é pior, muito pior: Dilma não se mostrou jamais indignada com as mortes que têm como origem no Brasil o tráfico de drogas. São traficantes matando traficantes; ou traficantes matando usuários ou ainda traficantes matando policiais e vice versa; são usuários drogados matando em assaltos trabalhadores incapazes de se defender porque o governo da presidente os desarmou. A presidente encontraria todo ano, se quisesse, mais de 50 mil razões para “ficar indignada”. Bastaria olhar para os que são executados aqui no Brasil, em grande parte por colegas de Archer no pior comércio que o diabo já soube inventar. Mas até hoje não vimos a presidente acometida, por isso, de indignação. Nem mesmo de tristeza.

O que há de semelhante e de diferente no afundamento dos navios Lusitânia e Athenia

[gallery columns="2" size="medium" ids="26355,26356"] O RMS Lusitânia foi um famoso navio de passageiros inglês, lançado ao mar em 1907. Era, juntamente com seu irmão o RMS Mauretânia, equivalente, na época, em tamanho e luxo, ao Titanic, que surgiria cinco anos depois. O Lusitânia era um enorme navio: deslocava 44 mil toneladas (o Titanic deslocaria 46 mil), e, com o Mauretânia, fora construído para superar os navios alemães de passageiros, seus maiores concorrentes de então. O Lusitânia teve vida curta: foi afundado, em 7 de maio de 1915, por um submarino alemão, o U-20, próximo a Liverpool, na costa inglesa. O navio havia saído de Nova York para a Inglaterra no dia 1º de maio, em meio a rumores de que poderia ser afundado pelos alemães. Havia, aliás, mais que rumores, e os fatos, até hoje, não estão bem esclarecidos. A Primeira Guerra Mundial havia estourado em agosto de 1914, isto é, poucos meses antes de Lusitânia partir de Nova York para Liverpool, com seus 2 mil passageiros, muitos deles norte-americanos. Como os EUA mantinham-se neutros na guerra, embora a neutralidade fosse forçada — os americanos não escondiam sua torcida pelos ingleses contra os alemães e sinalizavam que poderiam entrar no conflito — duvidava-se que os alemães pudessem torpedear um navio de passageiros, matar americanos e dar aos EUA o pretexto para rompimento da neutralidade. Mas o governo do Kaiser já tinha informações de que navios de passageiros ingleses transportavam material de guerra dissimulado dos EUA para a Inglaterra e ameaçavam afundar esses navios. Um aviso fora mesmo lançado nos jornais americanos pelo governo alemão para que passageiros evitassem o trajeto que faria o Lusitânia, pois ele cruzava a zona dos combates no mar, e poderia ser afundado. Atingido por dois torpedos, o Lusitânia teve morte fulminante: Em 18 minutos foi a pique, antes que os seus 22 botes salva-vidas pudessem ser baixados. Apenas um terço deles pôde ser utilizado, e cerca de 1.200 passageiros morreram, entre eles mais de uma centena de americanos. Dizem as intrigas, e mais que elas reportagens, documentos e constatações que o Lusitânia levava material de guerra; que o presidente americano Woodrow Wilson sabia do perigo que o navio corria, mas julgava um afundamento como o do Lusitânia decisivo para a opinião pública forçar a entrada dos EUA na guerra, e por isso não procurou suspender a viagem ou proteger o navio; que o almirantado britânico sabia da presença do U-20 na rota do navio, que deliberadamente evitou protegê-lo pelo cruzador Juno, que também se encontrava na área e deixou de enviar contratorpedeiros para escoltá-lo; e que o almirantado britânico, como o presidente Wilson, julgava que um afundamento que matasse americanos acabaria forçando a entrada dos EUA na guerra. Poucas luzes se fizeram sobre o mistério, mas sabe-se fora de dúvida que o Lusitânia transportava milhões de cartuchos para fuzis e metralhadoras de fábrica americana Remington para os ingleses. A descoberta se deu quando o empresário americano Greeg Bemis, na década de 1990, explorando os destroços do Lusitânia, que havia adquirido, encontrou a carga. E sem dúvida, com a retumbante notícia do ataque e afundamento na imprensa americana, a opinião pública se manifestou pela entrada dos EUA na guerra, o que acabou acontecendo menos de dois anos depois. Segunda Guerra O Athenia, que naquele dia 3 de setembro de 1939 navegava próximo à costa da Irlanda, não era um navio do porte do Lusitânia, nem em luxo nem em tamanho. Fazia ainda o percurso inverso deste, quando fora afundado duas dúzias de anos antes. Mas algumas semelhanças haviam de juntar suas duas histórias de naufrágio. O Athenia, que deslocava 13.500 toneladas, 30% apenas do que deslocava seu colega de infortúnio, levava cerca da metade dos passageiros do Lusitânia, 1.100 embarcados, a maioria dos quais constituída de americanos e canadenses, que haviam veraneado na Europa e voltavam para casa. A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) havia estourado não a poucos meses, mas a poucas horas. Doze horas desde a declaração britânica de guerra à Ale­manha, para maior precisão. Foi quando um submarino alemão, o U-30, disparou quatro torpedos contra o barco, acertando um deles. Foi o bastante para afundá-lo, embora não tão rápido como havia ocorrido com o Lusitânia no início da Primeira Guerra. Se o Lusitânia mergulhou em 18 minutos apenas, e o socorro aos náufragos foi descoordenado e demorado, o Athenia demoraria 12 horas para ir a pique, o que permitiu o salvamento da maioria dos passageiros e tripulantes, por um socorro pronto e bastante organizado. Mesmo assim, 112 pessoas morreram no ataque, o que deixou americanos e canadenses chocados. Afinal, tratava-se de um navio de passageiros, desarmado. Nenhum aviso prévio havia sido enviado e existia, na marinha alemã, pelo menos até então, a proibição de ataque a navios de linha. O comandante do submarino, o capitão Lemp, não demorou a descobrir que cometera um erro, no seu afã de mostrar serviço na guerra que começava, quando pensava ter no seu periscópio um navio de carga e não de passageiros. Fez os devidos registros no seu livro de bordo, regressou à base e apresentou-se ao almirante Karl Doenitz, chefe da marinha alemã, para penitenciar-se. Mas o chanceler alemão Bismarck tinha um aforismo famoso, “nunca se mente tanto quanto antes das eleições, durante as guerras e depois das caçadas”, e a segunda parte do aforismo seria comprovada naquele episódio do início da guerra (tanto quanto nós brasileiros comprovamos a primeira parte nas últimas eleições). Informado o governo nazista do acontecido, o ministro da Propa­gan­da, Joseph Goebbels, proibiu Do­enitz de se desculpar pelo ocorrido, informou à imprensa que o afundamento do navio era uma conspiração de Winston Churchill para trazer os EUA à guerra, e que o acontecido era resultado de uma bomba-relógio colocada no porão do Athenia pelo almirantado britânico. E que jamais um submarino alemão havia estado por perto do Athenia. O capitão Lemp teve que trocar as páginas de seu diário de bordo, e Doenitz teve que manter o caso secreto. Lemp, infelizmente, morreu durante a guerra, e não pôde prestar depoimento ao fim dela, esclarecendo o afundamento. Que, de qualquer forma, o incidente não teve, na opinião pública americana, a retumbância que teve o afundamento do Lusitânia, na Primeira Guerra. Os EUA entrariam mais tarde na luta, por outros motivos.  

Militares saíram ricos do governo? E os petistas?

Pergunta maldosa (e de difícil resposta): o que é mais improvável encontrar: um militar que tenha saído rico do governo ou um petista que tenha saído pobre?

Desarmamento

Pensata: defender o desarmamento é afirmar que todas as febres do mundo serão curadas se destruirmos os termômetros.

Principal objetivo de Berzoniev é controlar a imprensa

[caption id="attachment_25807" align="alignnone" width="620"]Ministro das Comunicações do Brasil, Ricardo Berzoini, Adolf Hitler e Stálin: o primeiro é um personagem menor da história, mas quer o mesmo que os outros dois — o controle da imprensa Ministro das Comunicações do Brasil, Ricardo Berzoini, Adolf Hitler e Stálin: o primeiro é um personagem menor da história, mas quer o mesmo que os outros dois — o controle da imprensa[/caption] O filósofo Alexandre Koyré (1892-1964) nasceu em Taganrog, a mesma aldeia russa de Anton Tchekhov, e viveu na Alemanha, na França e nos Estados Unidos, onde se refugiou durante a Segunda Guerra (era judeu). Quando leu, na década de 1920, o livro “Mein Kampf” (“Minha Luta”), que Adolf Hitler havia escrito na prisão de Landsberg, se escandalizou: to­dos os horrores que o nazismo viria a praticar no futuro estavam ali anun­ciados com todas as letras, mas poucos atentaram nas promessas tirânicas e se preocuparam em evitar que passassem do terreno das ideias para o dos fatos irreversíveis. O filósofo classificaria a desfaçatez com que Hitler, publicamente, prometia aniquilar os judeus, ocupar a União Soviética e dominar a Europa como “conspiração à luz do dia”. Era um alerta que o mal enviava ao bem, mas que, como tantos outros, foi ignorado, com todas as tristes consequências conhecidas. Estamos, nós brasileiros também, contemplando uma “conspiração à luz do dia”, e já são passados dez anos. O alerta, ainda tímido, precisa de amplificadores. “Antes que o mal cresça, corte-se-lhe a cabeça”, diz o ditado. Acer­tado ditado. Cortar cabeça de males grandes, além de difícil, é arriscado. A parte mais radical do petismo, que recusa sepultura ao cadáver do marxismo e que vê no “bolivarianismo” — tão “bem” sucedido na Venezuela — sua ressurreição, cultiva com verdadeira obsessão a ideia da censura à imprensa. Quando imaginamos que possam os integrantes desse núcleo mais empedernido, os saudosistas do stalinismo, os “esquerdistas radicais” aos quais não é estranha a própria presidente da República, ter se esquecido dessa perigosa ambição, e desistido de concretizá-la, vemos que eles já voltam à carga. E voltam com renovada energia, como se almejassem algo normal, benfazejo, útil à sociedade, quando se trata justamente do contrário. Os porta-vozes dos credos totalitários não costumam esconder suas ideias. Afinal julgam-se arautos de organizações superiores da sociedade, que prometem elevar a patamares mais igualitários, justos e prósperos (como aconteceu em Cuba, por exemplo). O último acontecimento dessa conspiração está aí à vista de todos — sem dúvida mais um episódio da “conspiração à luz do dia” contra a liberdade de informação, pois é disso que falamos: o “camarada” Ricardo Berzoini, bastante conhecido por nunca desmentir suas posições atrasadas de esquerda, tanto que já foi rebatizado de “Ber­zoniev” por alguns setores da imprensa, acaba de ser nomeado ministro das Comunicações. E quais são suas primeiras declarações? De que o governo promoverá a “regulação econômica da mídia”, que devem ser evitados “monopólios e oligopólios”, que inicialmente não cuidar-se-á de regular o conteúdo (atenção para o advérbio “inicialmente” que mostra claramente a intenção de censurar a imprensa), que o governo preparará um projeto de lei, que promoverá debates “com participação popular, de preferência”. O recado de Berzoini está tão claro quanto o livro de Hitler: o PT pretende fragmentar as grandes organizações, como a Rede Globo, proibir a “posse cruzada” — rádios, televisões e jornais de uma mesma empresa —, vai elaborar projeto de lei, convocando a “participação popular”, que significa pedir apoio às organizações dominadas pelo petismo mais radical, e apenas inicialmente não pretende efetuar a censura direta, de conteúdo, ficando subentendido que isso virá logo depois. Subtende-se também, e nunca disso duvidamos, o apoio da presidente da República às medidas. Para isso, ela nomeou Berzoini. Suas declarações foram imediatas. Não concordasse a presidente com elas, e Berzoini teria sido chamado às falas e teria feito um desmentido, tal como ocorreu, de maneira humilhante, com o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, e suas pretensas e natimortas mudanças no cálculo do salário mínimo. Mas isso já era esperado, e havia sido revelado em reportagem da “Folha de S. Paulo” em 28 de maio do ano passado, pelos jornalistas Valdo Cruz e Andreia Sadi. Dilma havia se comprometido com os radicais petistas a ceder, no segundo mandato, se conquistado, e apoiar algum tipo de censura. Só para lembrar: Berzoini está desde o início na raiz das tentativas petistas de censurar a imprensa. A primeira tentativa efetiva de controle das redações tem as impressões digitais de “Berzoniev”. Deu-se logo após o correspondente americano Larry Rohter, do “New York Times”, em maio de 2004, ter feito reportagem em que mencionava a prodigalidade com que Lula entornava seus copos de bebida (alcoólica). Como nos lembramos, o jornalista chegou a ser expulso, embora a medida tenha sido revogada. Três meses depois chegava no Congres­so o projeto de lei nº 3985/2004, que criava o Conselho Federal de Jornalismo, visivelmente voltado para a censura da imprensa. A origem era o Ministério do Trabalho, e a exposição de motivos era assinada exatamente por Ricardo Berzoini, que se sabia acolitado por Franklin Martins, ex-terrorista, sequestrador, radical de esquerda e também ministro petista. O Congresso, embora dominado pelo governo petista, teve o bom senso (e a coragem) de rejeitar o absurdo, ainda em 2004. Mas não houve trégua, por parte dos mais radicais, e nem haverá, está claro. Não só o partido, em seus encontros, não abandona o tema, e inclui em suas resoluções sua disposição de implantar a censura, ainda que esconda esse desejo em eufemismos, como “marco regulatório da mídia”, como figuras importantes do mesmo PT estão sempre doutrinando pela aceitação das medidas. Frei Betto, Tarso Genro, Rui Falcão e outros que professam o credo encarnado não se fazem de rogados, quando o assunto é “regular a mídia” ou regulamentar os artigos 220 e 221 da Constituição Federal. Lula, embora não seja um radical de esquerda (como sê-lo, acumulando fortuna, adquirindo apartamento tríplex e dando sempre preferência, quando se hospeda, às suítes mais caras dos mais caros hotéis?), talvez para agradar, dentro de sua astúcia, esses radicais, tem defendido com ardor essas medidas de futura censura à imprensa. O fato, tomando por empréstimo as palavras do “filósofo da ciência” Alexandre Koyré, é que a “conspiração à luz do dia” dos radicais petistas continua com o mesmo ímpeto com que nasceu, 12 anos atrás. Os revezes não injetaram desânimo naquelas hostes. Eles sabem encarar suas derrotas como temporárias tão bem como sabem tornar definitivas suas vitórias. Assim procederam seus colegas, sempre. Na Venezuela, Hugo Chávez não se preocupou com as derrotas em suas tentativas de institucionalizar a ditadura, via de reeleições su­cessivas. Quando obteve uma vitória, esta foi para sempre. Os exemplos de sujigamento da imprensa estão à vista do petismo, pois foram obtidas pelos companheiros “bolivarianos” na Venezuela, no Equador, na Bolívia e quase chegam a seu termo na Argentina. Por isso insistem nela, ainda que nossas instituições, mais sólidas, resistam. Thomas Jefferson disse certa vez, sobre a censura à imprensa: “Se eu pudesse escolher entre um governo sem jornais ou jornais sem governo, não hesitaria em escolher o último”.

Comissão da Verdade responsabiliza Lula da Silva e Dilma Rousseff pelo petrolão

[caption id="attachment_25063" align="alignleft" width="620"]Mário César Flores: o ex-ministro da Marinha percebe que argumentos da Comissão Nacional da Verdade servem para “incriminar” a presidente Dilma Rousseff e o  ex-presidente Lula da Silva no caso da corrupção na Petrobrás | Foto: Solan Soares Mário César Flores: o ex-ministro da Marinha percebe que argumentos da Comissão Nacional da Verdade servem para “incriminar” a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula da Silva no caso da corrupção na Petrobrás | Foto: Solan Soares[/caption] O almirante da reserva Mário César Flores é um dos mais qualificados intelectuais brasileiros vivos. O leitor deve se lembrar dele por ter sido ministro da Marinha no governo Fernando Collor. Foi também ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos no governo Itamar Franco. Flores publicou, que eu saiba, sete livros sobre defesa e poder militar. Talvez tenha escrito outros. Cidadão educadíssimo, além de inteligente e culto, mesmo na re­ser­va não seria dispensado de prestar serviço a nenhum governo, se não existisse enorme preconceito contra os militares. Preconceito que vem desde que Fernando Henrique Car­doso, a esquerda, chegou ao go­verno. É uma pena, pois quem per­de, ao deixá-lo na prateleira, é o Brasil. Do alto de seus 83 anos, Mário Cesar Flores, dono de uma lucidez invejável, de um raciocínio tão preciso quanto arguto e de muita experiência, seria melhor ministro da Defesa que qualquer um dos que já ocuparam a pasta. Ou do Planeja­men­to, ou de outra meia dúzia de ministérios, hoje nas mãos de nulidades absolutas. Ninguém na imprensa ou na oposição percebeu, mas não passou batido para Mário César Flo­res: a Comissão Nacional da Ver­da­de responsabilizou integralmente Lula e Dilma por toda a rou­ba­lheira da Petrobrás. Res­pon­sabilidade mes­mo, condizente com as penas da lei. Explico, ou melhor, o almirante Flores explica: a dita Comissão Nacional da Verdade, em seu relatório, responsabilizou os ex-presidentes do regime militar por todos os excessos cometidos pela repressão contra presos políticos. Respon­sabilizou também os ministros militares da época, bem como os comandantes dos Exércitos e de unidades militares onde podem ter ocorrido violações de direitos humanos. No entender da tal Comissão essas autoridades são responsáveis por tais crimes, pelo fato de ocuparem postos mais altos na cadeia de comando em que foram cometidos. Ainda no entender dos “brilhantes” membros da Comissão essa posição na hierarquia os faz, irretorquivelmente, culpados. O recurso ao “eu não sabia” é integralmente repelido pela dita Comissão Nacional da Verdade. A seguir, pois, os critérios da Comissão, Lula e Dilma respondem pela roubalheira da Petro­brás, como presidentes da Re­pública. Há ainda o agravante de Dilma ter ocupado a presidência do conselho de administração da Petrobrás, e ambos, Lula e Dilma, terem como próximos, quase de casa, elementos-chave nos desvios de dinheiro público, como Paulo Roberto Costa. Meta­fo­ri­camente, na interpretação da dita Comissão Nacional da Verdade, a “tortura” a que foi submetida a Petrobrás pela “ditadura” petista instalada no país, tem Lula e Dilma como responsáveis iniludíveis. Responsáveis “político-administrativos”, como presidentes. Dilma mais responsável ainda, pois chefiou um dos “centros de tortura” onde foi vitimada a Pe­trobrás: o conselho de ad­mi­nis­tração da empresa. E Lula e Dil­ma conviveram, fraternalmente com os “torturadores” Paulo Ro­berto Costa, José Sergio Gabrielli e Renato Duque, entre outros.

A qualidade de Joaquim Levy é útil para esconder falta de qualidade de ministros
Esvaiu-se muito rapidamente o sentimento de alívio com a escolha de Joaquim Le­vy para o Ministério da Fazenda. A meritocracia na formação do novo ministério virou fumaça com o anúncio dos 13 ministros da segunda leva. O critério é o mesmo dos governos anteriores: loteamento da Esplanada dos Ministérios entre os partidos que dão apoio ao governo, sem a menor preocupação (que poderia facilmente ser exercida) com a identidade e a capacidade dos ministros em relação às pastas que ocuparão. A presidente Dilma Rous­­seff poderia, sim, exercer seu “governo de coalizão”, mas diminuindo os prejuízos dessa prática fisiológica com a exigência de que os partidos “coligados” apontassem nomes adequados, técnica e eticamente, para as pastas a serem preenchidas. É impossível que não existam esses nomes; apenas não são convenientes para a prática política atual, que acaba redundando em escândalos. Dilma e Lula parecem não aprender nada de bom e nem esquecer nada de mau. Ao que parece, nem a Dilma do segundo mandato aprendeu com a Dilma do primeiro. E lições não faltaram, o que não diz muito de bom sobre a inteligência da aluna. Tomemos um exemplo de como as coisas pioram no quintal governista: Aldo Rebelo será o novo ministro de Ciência e Tecnologia. Se no ministério anterior um Edison Lobão, por exemplo, nada possuía no curriculum que o ligasse à pasta de Minas e Energia, que ocupou por indicação do PMDB (leia-se José Sarney), no atual, um Aldo Rebelo ostenta sérios predicados que o contraindicam para a pasta de Ciência e Tecnologia, que vai ocupar por indicação do PCdoB. Uma imprensa livre nos faz lembrar de fatos como esses: Aldo Rebelo, como deputado, foi autor de projeto contra o uso de computadores no serviço público, pois poderiam “eliminar postos de serviço” na burocracia estatal; pretendia “dar cidadania brasileira” à jaqueira, quando se sabe que essa árvore é natural da Índia; pretendia proibir o uso das palavras imperialistas como “computador” e “mouse”, que deveriam, obrigatoriamente dar lugar, respectivamente, a “ordenador” e “rato” em nosso vernáculo; confessa-se “devoto do materialismo dialético como ciência da natureza”, e não acredita que exista influência humana no aquecimento global, vendo nos movimentos de preservação ambiental “um movimento internacional que é uma cabeça de ponte do imperialismo”. [caption id="attachment_25064" align="alignright" width="300"]Aldo Rebelo: o ministro das ideias arcaicas vai dirigir o setor de ciência e tecnologia do governo Dilma Rousseff | Foto: Agência Brasil Aldo Rebelo: o ministro das ideias arcaicas vai dirigir o setor de ciência e tecnologia do governo Dilma Rousseff | Foto: Agência Brasil[/caption] Não pode ser bom da cabeça quem ainda julga Stálin o “condutor genial dos povos”; quem admirou (até sua libertação do atraso comunista) a pobre e subdesenvolvida Albânia como um exemplo de sociedade; quem ainda vê nos dias de hoje uma luta filosófica entre positivismo e comunismo no interpretar a natureza e quem enxerga escondido atrás de cada porta o monstro capitalista-imperialista pronto a saltar sobre o passante. Aldo Rebelo é, segundo os que o conhecem, muito educado, calmo, agradável. Deve ser um bom chefe de família, carinhoso com os animais e um bom colega deputado. Mas é bom lembrar que assim também eram, quando não tinham o poder burocrático e ideológico, os chefes dos campos de concentração nazistas. Graças à imprensa, sabemos o que esperar do novo ministério, se tomamos Aldo Rebelo como amostra. Se o leitor deseja saber mais, a imprensa desse final de ano é pródiga em apreciações abalizadas sobre essa nomeação. Veja-se no jornal “O Globo” artigos de Cora Ró­nai e de Merval Pereira. Leia-se na “Folha de S. Paulo” as colunas de Mauricio Tuffani e de Reinaldo José Lopes. E conclua-se, partindo das revelações sobre o “companheiro” Aldo Rebelo, porque existe a verdadeira obsessão, o imorredouro desejo petista de “regular a mídia”, eufemismo puro e simples para a censura à imprensa. Grupos empresariais de informação como “O Globo” e a “Folha de S. Paulo” são, na cartilha petista, exemplos de conglomerados que devem ser esquartejados e assim melhor dominados. Afinal publicam muita coisa, muitas verdades de que o governo petista (e qualquer governo) não gosta. E no ideal imaginário desses militantes, imprensa boa mesmo, só a oficial, como a cubana. Lá o jornal (único, pode-se dizer) é o “Gran­ma”. Se o mesmo vier a acontecer aqui, já se sabe: o jornal único, alimento espiritual da “esquerda revolucionária”, não poderá ter nome mais apropriado do que Grama. l