Por Euler de França Belém
O que é mais preocupante em Aparecida de Goiânia é a dívida que o prefeito Maguito Vilela (PMDB) vai deixar para o seu sucessor: mais de 200 milhões de reais. Isto se não fizer novos empréstimos de curto prazo. Maguito Vilela deve deixar Aparecida com a imagem de prefeito eficiente. Mas o que vai ficar para a história é a imagem de que foi o prefeito que mais endividou o município. O próximo prefeito, seja do PMDB ou da oposição, estará totalmente engessado. Porque as dívidas que Maguito Vilela vai deixar são de curto prazo, quer dizer, devem ser pagas a partir de 2017.
Não resta dúvida de que o prefeito de Jataí, Humberto Machado (PMDB), é um administrador eficiente e não há informações de que seja corrupto. Mas ele está instalando uma espécie de coronelismo em Jataí, comportando-se como ditador ou caudilho. Quer mandar em tudo na cidade e desqualifica aqueles que lhe fazem crítica. Não há “coronelismo do bem”, ao contrário do que sugere Humberto Machado e seus epígonos.
Pesquisas mostram que o ex-deputado Leandro Vilela aparece em primeiro lugar na disputa para prefeito de Jataí. Mas pesquisas qualitativas mostram um dado preocupante para o peemedebista: há indícios de fadiga de material de seu grupo político, que está no poder há anos, com o breve interregno de Fernando da Folha. O empresário Victor Priori (PSDB), se conseguir articular uma frente política azeitada, pode acabar derrotando Leandro Vilela. Empresário bem-sucedido, apontado como um político decente, é possível que, em 2016, o eleitorado de Jataí decida dar-lhe a chance de gerir a prefeitura. Será uma forma de experimentar uma gestão diferente e mais empresarial. Mas Victor Priori precisa convencer a ala do partido, como o Vinicius Luz, a apoiá-lo integralmente, pois ninguém ganha eleição sozinho, mesmo, como é o caso, quando se tem muito dinheiro. Vinicius seria um vice que representa o novo, além de um político capaz de fazer críticas consistentes e contundentes à oligarquia que não deixa Jataí se renovar.
O presidente do PHS nacional, Eduardo Machado, está de mãos e braços estendidos para receber o deputado federal Jovair Arantes, que o mensaleiro Roberto Jefferson planeja expulsar do PTB. Um dos políticos mais articulados de Goiás, com sólida reputação nacional, Eduardo Machado promete tapete vermelho para receber Jovair Arantes. E até “ambrosia celestial”. Se confirmada a expulsão de Jovair Arantes, vários prefeitos goianos devem acompanhá-lo. Tanto do PTB quanto de outros partidos. São leais mais ao deputado do que aos partidos.
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Talles Barreto: no comando do PTB | Foto: Y. Maeda[/caption]
O deputado estadual Talles Barreto disse ao Jornal Opção que, como não há “janela” para ele — por isso seu mandato poderia ser retomado pelo partido—, dificilmente terá como deixar o PTB, se confirmada a expulsão de Jovair Arantes.
Porém, antes de tomar qualquer decisão, Talles Barreto diz que vai conversar com Jovair Arantes. “Ele é meu líder político, meu aliado e meu amigo. Não tomarei nenhuma decisão sem consultá-lo”, afirma. “Na verdade, quero ficar ao seu lado.”
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Deputado goiano Jovair Arantes e Roberto Jefferson: disputa no PTB | Fotos: Facebook / Marcello Casal Jr. / ABr[/caption]
Na semana passada, Jovair Arantes conversou demoradamente com o correspondente internacional da TV Record em Israel, Herbert Moraes, colunista do Jornal Opção, em Tel Aviv. Estava tranquilo, pouco ou nada preocupado com o sem-mandato Roberto Jefferson.
A um aliado goiano, Jovair Arantes disse que a posição de Roberto Jefferson é isolada no PTB. E tem razão. É possível que a única aliada do ex-deputado é a parlamentar federal Cristiane Brasil, sua filha. A bancada do PTB respeita muito Jovair Arantes, tido como eficiente e atento às reivindicações dos aliados.
O vice-presidente da República e principal articulador político do governo Dilma, Michel Temer, só se refere, de maneira depreciativa, a Iris Rezende e Iris Araújo como “aquele casal”. Michel Temer persiste sugerindo que o PMDB de Goiás precisa ciscar para dentro. Trata-se de um recado: o poderoso chefão do partido, em nível nacional, é favorável à permanência de Júnior Friboi nos quadros do PMDB.
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O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB) | Foto: Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados[/caption]
O que mais se comenta em Brasília, do Congresso Nacional aos botecos, é que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, está com “cheiro” de Fernando Collor — o de 1989.
Eduardo Cunha acorda e passa o dia pensando em articular alguma coisa que colabore para reconstruir sua história e, assim, o fortaleça como possível candidato do PMDB, ou de outro partido, para presidente da República em 2018.
Em sua visita a Israel, na semana passada, Eduardo Cunha chegou a ser apresentado pelo governo judaico como potencial candidato a presidente da República.
Político duro, articulador feroz, Eduardo Cunha pretende se apresentar como o anti-PT, quer dizer, como o Fernando Collor dos novos tempos. Com uma diferença, é claro: acredita que o Congresso é fonte de poder.
O PSDB está alarmado com a popularidade de Eduardo Cunha. Porque o partido estava apostando que ganharia com facilidade da “galinha morta” chamada PT na disputa de 2018, mesmo contra Lula da Silva.
Se o tucanato brincar em serviço, Eduardo Cunha vai se apresentar, e pode ser comprado assim pelo eleitorado, como a verdadeira oposição, a mais aguerrida e presente. A oposição tucana é quase ausente, meio fantasmal.
O psiquiatra e filósofo Theodore Dalrympe afirma que o Estado italiano é corrupto, mas não impede o crescimento individual e da economia. Já o inglês, Estado das benesses, é honesto mas reduz a dignidade das pessoas
Um livro explosivo está chegando às livrarias: “Ex-Agente Abre a Caixa Preta da Abin” (Escrituras, 384 páginas), depoimento do tenente-coronel André Soares, ex-analista de constrainteligência da Agência Brasileira de Inteligência, ao jornalista Claudio Tognolli.
Soares estaria sendo perseguido e ameaçado de morte por não se calar sobre a “comunidade da Inteligência”. A apresentação é do ex-deputado e delegado Romeu Tuma.
A Rede Globo vai contar a história dos fantasmas de Daniel Messac e está de olho no padre César Garcia
Maior prosador da Alemanha no século 20, Thomas Mann é autor das obras-primas “A Montanha Mágica” e “Doutor Fausto”. O filho de brasileira e alemão era estudioso de filosofia — o que transparece nos seus romances. “Pensadores Modernos — Freud, Nietzsche, Wagner e Schopenhauer” (Zahar, 288 páginas, tradução de Márcio Suzuki) mostra-o em plena forma explicando a intelligentsia alemã.
Ousado, Mann inclui Richard Wagner — que influenciou Nietzsche, até o rompimento — como um pensador, o que, de fato, o brilhante compositor era, ainda que não possa ser comparado, em densidade, a Nietzsche e a Schopenhauer. Outra ousadia é apresentar Sigmund Freud como pensador, o que o criador da psicanálise também era, e hoje é um dos mais influentes. Freud, por sinal, se considerava escritor, e chegou a ganhar o Prêmio Goethe — o Nobel de Literatura da Alemanha.
A Rede Globo vai contar a história dos fantasmas de Daniel Messac e está de olho no padre César Garcia
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Mariana Godoy: a apresentadora trocou a TV Globo pela Rede TV! | Foto: reprodução / RedeTV[/caption]
Pode ser qualificada como masoquista uma pessoa que trabalhou descontente durante 23 anos seguidos na mesma empresa e nunca se rebelou? Talvez não e também não se pode dizer que Mariana Godoy é masoquista; pelo contrário, trata-se de uma jovem de sorrisão aberto, de presença delicada e competente. Porém, ao deixar a TV Globo, onde trabalhou por duas décadas e mais três anos — uma geração —, decidiu “atirar” e, claro, agradou os adversários de sempre da empresa da família Marinho.
Palavras de Mariana Godoy: “Todas as perguntas que você vê um apresentador fazer, incluindo o William Bonner, é o Ali Kamel que escreve”. Ali Kamel é o diretor geral de Jornalismo da Globo. Quem teria o dom da onipresença: Mariana Godoy ou Ali Kamel? Não se sabe. Mas o que se depreende é que ela via tudo e ele faz tudo na Globo. Para que a informação seja levada em consideração, como bem informada e precisa e não motivo de possível raiva circunstancial, outros depoimentos precisam ser colhidos e divulgados. Com a introdução de alguma nuance, talvez seja possível admitir que Ali Kamel não é nenhum Stálin do jornalismo patropi.
Há determinados problemas na fala de Mariana Godoy. Citemos quatro, mas há outros.
Primeiro, Ali Kamel, aparente motivo de sua raiva atual, não está no comando do jornalismo da Globo há 23 anos. Pelo contrário, assumiu há pouco tempo; antes, trabalhava no jornal “O Globo” e não há nenhuma informação de que dava um segundo expediente na TV Globo.
Segundo, como alguém pode ficar em silêncio por mais de 20 anos, mesmo discordando do que via, ouvia e tinha de fazer? Esta pessoa pode ser qualificada de omissa ou de quê?
Terceiro, acreditar que Ali Kamel faz todas as perguntas, algo tão surrealista, é sugerir que só há bobos na TV Globo; o que, claro, não é crível. A própria Mariana Godoy era uma presença inteligente na Globo. Na verdade, ela desmerece todos seus ex-colegas.
Quarto, na questão da liberdade, vale explicitar que o Grupo Globo é um empreendimento particular. Os que discordam de suas ideias, como Mariana Godoy, podem até apresentar outras, mas, em caso de voto vencido, aceitam-nas ou devem sair. A liberdade de imprensa da qual se fala sempre é uma ficção. Não existe em lugar algum do mundo.
A raiva costuma paralisar a razão. Parece ser o caso. Os adversários tradicionais da Globo, especialmente blogueiros que já trabalharam na chamada Grande Imprensa — e, nesse período, mantiveram-se silentes —, adoraram a fala de Mariana Godoy. Chegaram até a dizer que tem “autoridade”. Bater nos chamados “grandões” é sempre agradável, simpático e, claro, populista.
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Filósofo britânico Roger Scruton | Foto: reprodução[/caption]
No Brasil, dada sobretudo a ditadura de 1964, passou-se a confundir conservadorismo com truculência, com cassação de mandatos, perseguição de adversários políticos e censura à imprensa. Pois o que o filósofo britânico Roger Scruton mostra, no livro “O Que É Conservadorismo” (É Realizações, 328 páginas, tradução de Guilherme Ferreira e apresentação de Bruno Garschagen), é que, na verdade, conservadorismo é outra coisa. Tem a ver com civilização e democracia — e nada a ver com barbárie.
Sinopse da editora: “Os capítulos deste livro seguem um critério de exposição analítica dos elementos principais do pensamento conservador. Por isso começa por explicar a atitude conservadora para depois esclarecer de que forma o conservadorismo se alicerça na ideia de autoridade, o que permite entender a importância da Constituição e o papel do Estado como defensor dos diferentes modos de vida de uma sociedade ordeira.
“A partir disso, é possível compreender a perspectiva conservadora a respeito da lei e da liberdade, que não é vista de forma abstrata nem absoluta, e da propriedade, que exerce uma função consagradora dentro da sociedade.
“Nos capítulos seguintes, o autor apresenta uma crítica à ideia de alienação do trabalho, faz uma defesa da existência e do funcionamento das instituições autônomas (família, instituições de educação, esportes competitivos), explica a aliança entre poder e autoridade para a composição do establishment (o grande objetivo interno da política e do governo) e apresenta a sua concepção de mundo público, formado pelo estado-nação, pelo estadista e pela política externa. Para encerrar a obra, é apresentada a contraposição entre liberalismo e conservadorismo.”

