Por Euler de França Belém

Aliados do deputado tucano Giuseppe Vecci detectaram que, sem a anuência do governador Marconi Perillo, o presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Anselmo Pereira, estaria tentando “aplicar” um golpe político. Anselmo Pereira, agindo como uma espécie de laranja, lutaria para ganhar as prévias e, entre maio e junho, alegando que não estaria conseguindo deslanchar — se não deslanchar, é claro —, abandonaria a candidatura, abrindo espaço para outro nome. A agressividade do vereador é vista como suspeita pelos veccistas. “É como estivesse sendo bancado por alguém forte”, sugere um histórico do PSDB. Tudo, ao final, pode ser mera teoria conspiratória. Mais uma

O ex-prefeito de Quirinópolis Gilmar Alves, do PMDB, é um páreo duro para o prefeito Odair Resende, do PSDB. Mas há uma crise no PMDB de Quirinópolis. Aliados de Gilmar Alves teriam dito que, para ganhar do tucano Odair Resende, não precisam do apoio do deputado estadual Paulo Cezar Martins, que foi derrotado na eleição de 2012. Como integrante do PMDB, Paulo Cezar Martins não deve apoiar Odair Resende. Mas pode ficar neutro ou liberar seu grupo político para votar em quem quiser. Aliados de Odair Resende comemoram a crise no PMDB e acreditam que isto ajudará na reeleição do prefeito.

Pré-candidato a prefeito de Anápolis pelo Solidariedade, o deputado estadual Carlos Antônio (Solidariedade) convidou o empresário Ubiratan Lopes para ser seu vice. O diretor da Fieg teria ficado lisonjeado com o convite, mas ainda não disse “sim”.

Os cinco pré-candidatos do PSDB a prefeito de Anápolis — Alexandre Baldy, Frederico Jayme, Onaide Santillo, Fernando Cunha Neto e Ridoval Chiareloto — vão se reunir na segunda-feira, 1º, na Câmara Municipal. O assunto básico é a chapa para prefeito de Anápolis e a formatação da chapa de candidatos a vereador. Embora apontado como “arredio” e distante de Anápolis, Baldy é apontado como o nome mais cotado. Motivo: tem grana para bancar a campanha.

Aliados de Alexandre Baldy garantem: o deputado federal será candidato a prefeito de Anápolis. Baldy já teria definido sua candidatura há mais tempo. Mas, com receio da “pedilança” de dinheiro, teria decidido retardar um pouco a declaração de que vai disputar a prefeitura.

No caso de chapa pura, o que diminuiria o tempo de televisão e reduziria o leque de alianças, o vereador Fernando Cunha Neto, que se apresenta com pré-candidato a prefeito pelo PSDB, tende a ser o vice do deputado Alexandre Baldy. Há quem acredite que Fernando Cunha foi incentivado a se apresentar como candidato a prefeito de Anápolis para forçar Baldy a se definir mais cedo.

O ex-prefeito de Anápolis Ernani de Paula trocou o Pros — “estavam puxando o meu tapete” — e assumiu a presidência do PSDC de Anápolis. “Pretendo ser candidato a prefeito e, por isso, preciso ter o controle de um partido que não se vende.”
Ernani de Paula mudou-se em definitivo para Anápolis. “Não quero saber da política de São Paulo e Minas Gerais. Só penso na política de Anápolis”, disse a um repórter do Jornal Opção, em visita à redação, na sexta-feira, 29.

Cotada para vice do candidato do PT a prefeito de Goiânia — Luis Cesar Bueno, Adriana Accorsi, ou outro nome, como Edilberto Dias ou Nelcivone Melo —, Denise Carvalho tende a ser a candidata do PC do B a prefeita. Isto, claro, se a deputada estadual Isaura Lemos deixar.

Uma parte do PT de Goiânia, capitaneada pelo deputado estadual Luis Cesar Bueno, não se entusiasma com a ruptura com o PMDB de Iris Rezende.


[caption id="attachment_57654" align="aligncenter" width="620"] Giancarlo Civita, Luís Frias, Roberto Irineu Marinho, Mino Carta, Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim: os três primeiros, ancorados na tese de que seus veículos têm mais audiência, controlam grande parte das verbas publicitárias do governo federal | Fotos: divulgação[/caption]
O leitor Humberto Sá Telles pergunta: “Não é um absurdo o governo da presidente Dilma Rousseff pagar uma fortuna para blogueiros, como Luís Nassif (5,7 milhões de reais) e Paulo Henrique Amorim (2,6 milhões de reais), defendê-lo?”
Os críticos mencionam mais Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim — porque fazem uma defesa articulada do governo petista e uma crítica corrosiva das oposições, notadamente do PSDB, e de seus defensores —, mas dezenas de outros blogueiros recebem verbas públicas do governo petista (e de outros governos, alguns não-petistas). Os blogs dos dois jornalistas mais criticados pelo menos têm audiência. Há outros que quase não têm audiência, mas recebem recursos dado o alinhamento político.
Mas o grosso dos recursos fica mesmo com os “monopólios”, como Grupo Globo (TV Globo, “O Globo”, “Época”), Editora Abril (que publica “Veja” e “Exame”) e “Folha de Paulo” (o grupo tem outras publicações e dirige o UOL e, em associação com parte da família Marinho, o jornal “Valor Econômico”). “CartaCapital”, cujo diretor de redação, Mino Carta, é profundamente identificado com o governo petista e com os principais líderes do partido, sobretudo com Lula da Silva, recebe muito dinheiro, mas nada equivalente aos grandes grupos.
Fica-se com a impressão de que, ao contrário do governo de Fernando Henrique Cardoso — que priorizava os grandes grupos econômicos, daí ser o queridinho das redes de televisão e dos jornais e revistas de Rio e São Paulo —, o PT democratizou a distribuição dos recursos publicitários. De fato, os governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff repassaram recursos para mais publicações, mas isto não significou necessariamente uma democratização. A maioria do dinheiro continua sendo distribuída para as publicações que não aceitam, de maneira alguma, a democratização da publicidade e dos recursos, considerando, por exemplo, regiões. A “Folha de S. Paulo”, mesmo com a internet, não é um jornal nacional, ao contrário do que propala. Em Goiás e no Mato Grosso, para citar dois Estados, não é o meio de comunicação mais importante. Mas os jornais dos dois Estados, mesmo com forte circulação e amplo acesso na internet, raramente são contemplados com verbas federais (mesmo com migalhas) destinadas à comunicação.
Por fim, respondendo diretamente à pergunta do leitor, absurdo não é o faturamento de Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim, e sim a concentração da maioria dos recursos públicos da área de comunicação nas mãos de quatro ou cinco grandes grupos. O PT, na prática, não teve coragem de romper com os monopólios, que sempre publicam reportagens sobre o assunto, ressaltando que há blogs com faturamento “alto” mas com baixa audiência (a audiência, em alguns casos, é crescente, ainda que certos blogs “preguem” para convertidos saírem repercutindo as boas novas nas redes sociais), com o objetivo de manter o controle do dinheiro destinado à comunicação dos atos do governo. Não há nenhuma preocupação com moralidade ou ideologia. É puro business, e dos mais agressivos. Luís Nassiff e Paulo Henrique Amorim, ainda que exagerem na defesa do governo petista e nas críticas aos tucanos, são uma gota d’água no oceano...

[caption id="attachment_57651" align="aligncenter" width="620"] Os atores Christian Bale, Steve Carell e Ryan Gosling brilham em “A Grande Aposta”, filme que descortina, de maneira competente, a crise americana de 2008. Poucos perceberam o buraco negro do mercado financeiro[/caption]
Cinema é como MMA: entretenimento — não é arte (o boxe é arte ou quase; com Joe Louis, Sugar Ray Leonard e Muhammad Ali). Mas há filmes excepcionais, como “O Poderoso Chefão”, e pelo menos uns dois ou três de Ingmar Bergman e John Ford e um de Woody Allen (“Crimes e Pecados”, pastiche dos bons de “Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoiévski). Não há dez filmes memoráveis (mas felizmente há pelo menos 50 livros memoráveis). “A Grande Aposta”, do diretor Adam Mckay, é um grande filme. Claro que para adultos, desses poucos que conseguem ficar sentados, concentrados, para ver coisas sérias sendo mostradas na tela do cinema. Cinéfilos “viciados” por certo vão dizer: “Isto não é cinema; é uma aula de economia com o uso de técnicas do cinema”. Talvez seja isto mesmo. O fato é que há muito tempo não via um filme inteligente e tão bem feito quanto “A Grande Aposta”.
O filme relata, de maneira didática mas não modorrenta, sem a chatice dos documentários acadêmicos, a história da crise americana de 2008. A crise imobiliária era, na verdade, uma grande crise financeira que afetou o país e, mesmo, o mundo. Explicar uma crise financeira, em pouco mais de 100 minutos, não é muito fácil. O mercado financeiro é assunto intrincado até para especialistas. Pois Adam Mckay, com um roteiro ágil e criativo, conseguiu o que parecia impossível: transformou um estudo de economia num filme ágil — apesar de certos momentos áridos — e perfeitamente assimilável. Cobra-se apenas um pouco de atenção do espectador.
Francis Ford Coppola pegou um livro mediano, de Mario Puzo, e o transformou num filme-ícone: “O Poderoso Chefão”. Adam Mckay teve sorte: teve em mãos o livro “A Jogada do Século — A História do Colapso Financeiro de 2008” (Best Business, 322 páginas, tradução de Adriana Ceschin Rieche), do jornalista Michael Lewis, formado por Princeton e com mestrado em economia pela London School of Economics. Até economistas gabaritados avaliam o livro como instigante e sua pesquisa como extremamente original. Antes que economistas e historiadores, com mais distanciamento, escrevessem a história da crise financeira, Michael Lewis ouviu as pessoas certas e conseguiu uma explicação convincente e original.
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O livro de Michael Lewis consegue explicar as jogadas complicadas do mercado financeiro americano com extrema clareza e precisão[/caption]
Michael Lewis escreve (e pensa) tão bem, explica assuntos áridos com tal clareza, que um escritor da qualidade de Tom Wolfe, que também busca abrir os escaninhos dos negócios das elites americanas, escreveu a seu respeito: “O melhor escritor americano da atualidade”.
Não satisfeito em explicar o que aconteceu em 2008, a alta “malandragem” dos gênios do mercado financeiro e a ala daqueles que contribuíram para desconstrui-la, Michael Lewis escreveu outro livro brilhante: “Flash Boys — Revolta em Wall Street” (Intrínseca, 238 páginas, tradução de Denise Bottmann). O livro relata o que aconteceu com o mercado financeiro depois da crise de 2008, quando banqueiros e investidores “mudaram” as regras do jogo — burlando, muitas vezes, as regras estabelecidas pelo governo — e continuaram ganhando muito dinheiro. Michael Lewis conta a história de alguns garotos de ouro de Wall Street e, aos poucos, vai mostrando como tomam consciência de como se ganha dinheiro — às vezes, fácil — no mercado financeiro. O espantoso é que nem mesmo as pessoas (elas admitem) do meio têm noção precisa de como se arma o jogo e não sabem explicar por quais razões determinados investidores ganham mais do que os outros. Linhas (telefônicas) de alta frequência, ultrarrápidas, são meios para comprar ou vender ações mais rapidamente. Devido a milissegundos, uns ganham e outros perdem mais.
Mas e o governo americano, com seus milhares de técnicos e grampos telefônicos? Está, ou estava, mais perdido do que cego em tiroteio de cegos. Num dos momentos em que interferiu, para pôr ordem na casa, avaliando que estava produzindo “igualdade” entre os investidores, contribuiu para aumentar a desigualdade. Por má-fé? Por falta de informação precisa do que é o mercado financeiro moderno, que mudou integral e rapidamente.
Os livros de Michael Lewis são pequenas obras-primas. Quem não estiver disposto a encará-los, por um motivo ou outro, não deve perder o filme “A Grande Aposta”. É um filme brilhante.

Leitores estão sempre enviando e-mails com perguntas que deveriam ser feitas aos jornalistas do jornal “O Popular”. Mas, como os repórteres de lá não querem se posicionar, segundo os leitores, comentarei brevemente o assunto, mas ressalvando que não tenho informações precisas. A principal pergunta é: por que a coluna “Na Telinha” só publica notícias da TV Globo, não dando nenhuma informação sobre a programação da TV Record, do SBT, da Bandeirantes e outras? Tudo indica que, como a emissora TV Anhanguera, do Grupo Jaime Câmara — o mesmo que edita “O Popular” —, retransmite a programação da TV Globo, o jornal avalia que não deve divulgar a programação e as notícias das concorrentes. O motivo? Contribuir para impedir que a audiência da Record, do SBT e da Bandeirantes subam. Quando digo isto, os eleitores perguntam: “É honesto?” O que posso dizer é que, na guerra para superar a concorrência, para manter a liderança — e, portanto, ganhar mais dinheiro —, quase tudo é “lícito”, ainda que, por vezes, “ilegítimo”. Eu, como leitor, gostaria que “Na Telinha” não fosse “Na Telinha da Globo”. Gostaria de ler reportagens sobre programas de outras redes. Para piorar as coisas, as reportagens publicadas em “Na Telinha” são releases enviados pela Rede Globo, não são produzidas pela redação ou enviadas por agências de notícias independentes. Trata-se de mera publicidade da programação da Vênus Platinada.

Uma nota pessoal. Saio do Hemolabor, onde faço exame de sangue com frequência, dada a trombofilia, e subo a República do Líbano. Paro na banca de revistas da Praça Tamandaré, leio uma notícia no jornal “Valor Econômico” e decido comprar um exemplar. Trata-se de reportagem informando que o grupo Votorantim vai paralisar, em fevereiro, a produção de níquel, no município de Niquelândia, em Goiás. Sento-me num banco da praça e começo a ler a reportagem, pensando nos 900 trabalhadores que serão dispensados e que certamente terão dificuldade de encontrar outro emprego de imediato.
Ao lado, um lavador de carro e um moto-taxista conversam animadamente sobre carros, motos e mulheres. Os dois são casados, mas, rindo, admitem que “pulam a cerca” algumas vezes. O moto-taxista, um jovem bem apessoado de aproximadamente 28 anos, conta que um de seus sonhos é trabalhar nos Estados Unidos para, “mais tarde, voltar com a ‘vida feita’”. Em seguida, afirma: “Mas meu sonho imediato é ter um coturno”. Levanto os olhos (ouvidos da alma) e deixo o jornal de lado. “O quê?”, surpreende-se, como eu, o lavador de carro. “Seu sonho é ter um par de coturno?”, pergunta. “Sim, mas não dos comuns. Eu quero um coturno desses do Exército.” Aí, intrigado, entro na conversa: “Isto é mesmo importante para você?” Ele diz que “sim” e acrescenta: “É demais! Quase tão importante quanto torcer para o Vila e para o Corinthians”.
A pergunta que, perplexo, não fiz, o lavador de carro faz: “Mas por que você quer o raio de um coturno?” O moto-taxista explica-se, rindo (com bons dentes): “Eu acho que, com o coturno, ganho mais respeito, fico mais macho”. Fiquei curioso, mas nada mais falei e voltei para a reportagem sobre a crise da Votorantim. Aí, continuando a conversa, o moto-taxista perguntou para o lavador de carro: “E qual é o seu sonho?” A resposta foi curta e precisa: “Só tenho dois sonhos — ganhar na Mega-sena e comprar uma Harley-Davidson. Aí, meu amigo, vai ‘chover’ mulher”. Como perceberam que eu estava prestando atenção na conversa, os dois perguntaram sobre o meu “grande sonho”. Não sei se tenho um, mas, para não desagradá-los, disse: “Viver pelo menos 150 anos, mas lúcido e andando”. Eles riram muito, divertidos e, aparentemente, me achando meio doido. Gostaria de ter dito que um sonho é aprender russo para ler o romance “Anna Kariênina”, de Liev Tolstói. Outro, quem sabe o grande sonho, o verdadeiro, é aprender a tocar acordeom. Mas aí teriam me visto como pedante.

A universidade é pouco afeita ao debate. O filósofo Rui Fausto fez uma crítica corrosiva a um livro do filósofo Paulo Arantes, na revista “Piauí” — sugerindo que incentiva a violência —, e esperava-se um debate aceso. Na verdade, não ocorreu nenhum debate. Arantes, salvo engano, fugiu da raia e não quis discutir a argumentação de Fausto, que é ponderada e elegante.
Acadêmicos em geral não querem debate. Querem adesão ao seu pensamento. Criticam todo mundo, muitas vezes sem nenhum fundamento, mas, quando criticados, ficam doentes e destilam raiva e ameaças.