Euler de França Belém
Euler de França Belém

Faturamento de Nassif e Amorim esconde que monopólios controlam recursos publicitários do governo

Giancarlo Civita, Luís Frias, Roberto Irineu Marinho, Mino Carta, Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim: os três primeiros, ancorados na tese de que seus veículos têm mais audiência, controlam grande parte das verbas publicitárias do governo federal | Fotos: divulgação

Giancarlo Civita, Luís Frias, Roberto Irineu Marinho, Mino Carta, Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim: os três primeiros, ancorados na tese de que seus veículos têm mais audiência, controlam grande parte das verbas publicitárias do governo federal | Fotos: divulgação

O leitor Humberto Sá Telles pergunta: “Não é um absurdo o governo da presidente Dilma Rousseff pagar uma fortuna para blogueiros, como Luís Nassif (5,7 milhões de reais) e Paulo Henrique Amorim (2,6 milhões de reais), defendê-lo?”

Os críticos mencionam mais Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim — porque fazem uma defesa articulada do governo petista e uma crítica corrosiva das oposições, notadamente do PSDB, e de seus defensores —, mas dezenas de outros blogueiros recebem verbas públicas do governo petista (e de outros governos, alguns não-petistas). Os blogs dos dois jornalistas mais criticados pelo menos têm audiência. Há outros que quase não têm audiência, mas recebem recursos dado o alinhamento político.

Mas o grosso dos recursos fica mesmo com os “monopólios”, como Grupo Globo (TV Globo, “O Globo”, “Época”), Editora Abril (que publica “Veja” e “Exame”) e “Folha de Paulo” (o grupo tem outras publicações e dirige o UOL e, em associação com parte da família Marinho, o jornal “Valor Econômico”). “CartaCapital”, cujo diretor de redação, Mino Carta, é profundamente identificado com o governo petista e com os principais líderes do partido, sobretudo com Lula da Silva, recebe muito dinheiro, mas nada equivalente aos grandes grupos.

Fica-se com a impressão de que, ao contrário do governo de Fernando Henrique Cardoso — que priorizava os grandes grupos econômicos, daí ser o queridinho das redes de televisão e dos jornais e revistas de Rio e São Paulo —, o PT democratizou a distribuição dos recursos publicitários. De fato, os governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff repassaram recursos para mais publicações, mas isto não significou necessariamente uma democratização. A maioria do dinheiro continua sendo distribuída para as publicações que não aceitam, de maneira alguma, a democratização da publicidade e dos recursos, considerando, por exemplo, regiões. A “Folha de S. Paulo”, mesmo com a internet, não é um jornal nacional, ao contrário do que propala. Em Goiás e no Mato Grosso, para citar dois Estados, não é o meio de comunicação mais importante. Mas os jornais dos dois Estados, mesmo com forte circulação e amplo acesso na internet, raramente são contemplados com verbas federais (mesmo com migalhas) destinadas à comunicação.

Por fim, respondendo diretamente à pergunta do leitor, absurdo não é o faturamento de Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim, e sim a concentração da maioria dos recursos públicos da área de comunicação nas mãos de quatro ou cinco grandes grupos. O PT, na prática, não teve coragem de romper com os monopólios, que sempre publicam reportagens sobre o assunto, ressaltando que há blogs com faturamento “alto” mas com baixa audiência (a audiência, em alguns casos, é crescente, ainda que certos blogs “preguem” para convertidos saírem repercutindo as boas novas nas redes sociais), com o objetivo de manter o controle do dinheiro destinado à comunicação dos atos do governo. Não há nenhuma preocupação com moralidade ou ideologia. É puro business, e dos mais agressivos. Luís Nassiff e Paulo Henrique Amorim, ainda que exagerem na defesa do governo petista e nas críticas aos tucanos, são uma gota d’água no oceano…

2 respostas para “Faturamento de Nassif e Amorim esconde que monopólios controlam recursos publicitários do governo”

  1. Avatar Edson Paiva disse:

    Não é absurda a “concentração da maioria dos recursos públicos da área de comunicação ficarem nas mãos de quatro ou cinco grandes grupos”. Está mais do que correto. Tais recursos não são para um suposta “democratização da imprensa”. Eles existem para o governo fazer publicidade de seus atos, feitos ou para uso em campanhas de interesses de todos. O critério deve ser um só: quem tem mais visibilidade leva mais. Como ocorre com qualquer empresa privada. Nenhuma montadora de automóveis ou uma cervejaria, por exemplo, pagaria 1 milhão de reais num anúncio de uma página num jornal de interior com tiragem de 500 exemplares. O dinheiro é público, portanto de todos nós. Não pode o governo gastá-lo com blogs dóceis e sem leitores sob a justificativa de democratizar seja lá o que for.. Um anúncio na “Veja” é visto por centenas de milhares de leitores a mais que na “Carta Capital”. Se a grana é para a área de comunicação é justo que a Veja ou a Globo, nesse caso, fiquem com o maior quinhão. Esses recursos são para publicidade. Ou se segue princípios técnicos que justifiquem seu uso ou se acabe com eles. Não é justo bolsa blogueiro só porque alguns deles são fiéis ou venais. Quem quer mais patrocínio que seja competente e se torne uma opção real de preferência popular, tornando-se visível.

  2. Avatar Epaminondas disse:

    O artigo faz parecer que o problema é o governo dar dinheiro a grandes grupos, quando deveria “democratizar”. Vamos pegar um exemplo na vida real, um que funcione: A iniciativa privada.

    Iniciativa privada está se lixando em “democratizar verbas”. Ela entende que se divulga aonde tem audiência. Ela vai procurar veículos que exponham seus produtos, serviço e marca, para o conhecimento de quem não sabe ou simplesmente, recall para quem já conhece.

    Governo fazendo publicidade, porque a lógica seria outra, ao invés de retorno do investimento, aplicarmos alguma distribuição socialmente justa? Governo quer fazer justiça social, vá para quem precisa, não para jornalistas em fim de carreira.

    Então, se investe em grandes grupos não porque são grandes grupos, mas porque eles detém audiência. E estes, por sua vez, pautam itens de oposição — diferente da mídia “alternativa”, que recebe e tem apenas um monotema, qualquer coisa que faça a situação ficar bem na foto.

    É fraca a desculpa que gente com audiência nula ou que só sirva de panfleto aos convertidos, recebem por causa de alguma espécie de democratização das verbas. Este pessoal evidentemente só recebe por falar bem do governo. Se mudarem de pauta, o canal seca.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.