Por Euler de França Belém
Para composições vistas como heterodoxas, líderes municipais terão de consultar uma resolução do partido. Sem autorização, podem ser punidos
A mulher do empresário será mãe de uma menina. Ela está superapaixonada
O presidente do PSDB metropolitano afirma que os partidos têm direito de lançar candidato a prefeito, mas que há uma tendência de afunilar em dois postulantes
O escritor brasileiro, autor de “Lavoura Arcaica” e “Um Copo de Cólera”, parou de publicar livros há alguns anos
No octógono, o que se viu foi um Cody Garbrandt que parecia Thomas Almeida. Sua agressividade e velocidade paralisaram o brasileiro
Ataque representa intimidação ao juiz Wander Soares, no exercício de suas funções constitucionais, acabando por atingir toda a magistratura goiana
Júlio Paschoal diz que não vai apoiar o cunhado. Mas as pessoas comentam que ele e o pai, Ênio Paschoal, são os orientadores políticos do líder do PDT
O secretário Thiago Peixoto disse ao Jornal Opção que o substituto ainda não foi definido
Os empresários Joesley Batista, principal dirigente da JBS-Friboi, e Júnior Friboi, hoje no comando do frigorífico Mataboi, são amigos do presidente Michel Temer. Quando Friboi entrou para o PMDB, Temer participou de sua filiação, em Goiânia. Antes de indicar Henrique Meirelles para o Ministério da Fazenda, o presidente consultou Joesley. Além de ex-presidente da holding J&F, que administra a JBS, Meirelles é goiano de Anápolis — como os Batista.
Portanto, parece óbvio que, se vai investigar uma suposta caixa preta no BNDES — um rombo (não é o mesmo que roubo) de 500 bilhões de reais —, o Ministério da Fazenda não vai escolher a multinacional brasileira como principal alvo. Estão na mira os empréstimos de avô para neto para Angola, Venezuela, Cuba e Moçambique.
Há mais políticos disputando a vice de Iris Rezende, provável candidato a prefeito de Goiânia pelo PMDB, do que a própria prefeitura. Todos postulam que ele tem chance de ser eleito. É uma aposta no presente e no futuro.
1 — Agenor Mariano, do PMDB — O vice-prefeito de Goiânia é o preferido de Iris Rezende. Inquirido, afirma que quer o melhor não para si, e sim para o decano peemedebista.
2 — Armando Vergílio, do Solidariedade — O ex-deputado federal no início não queria ser vice, optando por se dedicar a uma cruzada nacional e internacional em defesa do setor de seguros. Nos bastidores, já admite postular.
3 — Bruno Peixoto, do PMDB — É quase um talibã em termos de vontade de ser vice de Iris. Acredita que, se o peemedebista for eleito, terá chance de disputar em 2020. Sonha de manhã, à tarde e à noite que será vice.
4 — Célia Valadão, do PMDB — É apontada como um nome “de” Iris Araújo. O fato de ser católica seria um atributo para compensar o fato de que Iris Rezende é evangélico. Mas o peemedebista é visto como “ecumênico”.
5 — Joel Santana Braga, do DEM — É um dos homens sugeridos pelo senador Ronaldo Caiado. É irmão do deputado Alexandre Baldy, do PTN. Se vice, puxaria o hermano para apoiá-lo.
6 — Jorge Kajuru, do PRP — É o nome sugerido pelo empresário e marqueteiro Jorcelino Braga. É popular e, se indicado, tende a retirar voto de Waldir Delegado Soares. Mas Iris Rezende receia seu radicalismo.
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Site Solidariedade[/caption]
7 — Lucas Vergílio, do Solidariedade — Iris Araújo banca o deputado federal para vice de Iris Rezende. Se Iris for eleito, o parlamentar deixa Brasília e ela assume sua vaga na Câmara dos Deputados. O setor de seguros prefere mantê-lo no Legislativo. Vice “não” ajuda seguradoras.
8 — Sílvio Antônio Fernandes Filho, do DEM — O médico-anestesista é ligado ao senador Ronaldo Caiado. É visto como um nome novo, com presença forte na sua área de atuação.
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Giuseppe Vecci e Vanderlan Cardoso: os dois podem estabelecer uma aliança no primeiro turno, com o o tucano disputando para prefeito e o segundo como seu vice. Por enquanto, são conversas[/caption]
Políticos não dormem no ponto e articulam em tempo integral. Mesmo sabendo que as atuais pesquisas retratam mais conhecimento do que preferência real, eles se preocupam com os números — e por isso intensificam a pré-campanha que, na verdade, é uma campanha nada disfarçada. No momento, há dois pré-candidatos que descolaram — Iris Rezende, do PMDB, e Waldir Delegado Soares, do PR. Eles são os postulantes mais conhecidos. No segundo pelotão, aparecem Vanderlan Cardoso, do PSB, e Adriana Accorsi, do PT — quase empatados. Em seguida, tentando alcançá-los, aparecem Giuseppe Vecci, do PSDB, Luiz Bittencourt, do PTB, e Francisco Júnior, do PSD.
Os políticos que aparecem com menos destaque nas pesquisas de intenção de voto — Vanderlan Cardoso, Adriana Accorsi, Giuseppe Vecci, Luiz Bittencourt e Francisco Júnior — são aqueles que, nas pesquisas qualitativas, recebem menção como gestores. Porém, menos conhecidos do que os líderes populistas — Iris Rezende e Waldir Soares —, até agora não decolaram.
O fato de não terem decolado preocupa alguns dos postulantes, que começam a conversar entre si. Giuseppe Vecci, Vanderlan Cardoso e Luiz Bittencourt abriram conversações — o que não significa sublinhar que já definiram o quadro de alianças. Na verdade, trata-se de uma abertura ao diálogo, um sinal de boa vontade. Vanderlan Cardoso conversou recentemente com o governador Marconi Perillo e com Giuseppe Vecci.
Ao governador, Vanderlan Cardoso sugeriu que, se sair do jogo, aumentam as chances de Iris Rezende ser eleito no primeiro turno. A um aliado, o pré-candidato do PSB apresentou a versão de que, se não deslanchar até julho, um pouco antes da convenção, pode retirar seu time de campo. Teme uma terceira derrota consecutiva — as duas anteriores foram para o governo do Estado — o que o cristalizaria como um político perdedor. O postulante do Partido Socialista Brasileiro gostaria de obter o apoio do tucano-chefe e de seu grupo político. Ele acredita que, se isto acontecer, aos poucos se aproximará tanto de Iris Rezende quanto de Waldir Soares. Porque sua avaliação como gestor é positiva.
Porém, se Giuseppe Vecci crescer até julho, será possível uma aliança com Vanderlan Cardoso, com aquele para prefeito e este para vice? No momento, parece uma coligação impossível — dado o fato de que o tucano ainda está bem atrás do socialista. Mas, se o deputado federal crescer um pouco mais, aproximando-se de Adriana Accorsi e Vanderlan Cardoso, não será nenhuma surpresa se este retirar sua candidatura para apoiá-lo.
Há outra possibilidade. Vanderlan Cardoso pode ser vice de Giuseppe Vecci em Goiânia e o PSDB pode bancar seu candidato, o empresário Zélio Cândido, para prefeito de Senador Canedo. É possível que, se não deslanchar, o pré-candidato seja substituído por Izaura Cardoso. Se candidato a prefeito de Goiânia, Vanderlan Cardoso não terá como bancar sua mulher. Entretanto, se optar pela vice do tucano, não haverá problema algum de lançá-la.
Vale ressalvar que nem todos os dados foram lançados. A aliança entre Giuseppe Vecci e Vanderlan Cardoso é possível, mas ainda não está definida. Se for confirmada, não será agora, e sim entre o final de julho e o início de agosto (prazo final das convenções). Acrescente-se que o tucano e o socialista se respeitam e se elogiam, pública e privadamente.
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Adriana Accorsi, Francisco Júnior, Giuseppe Vecci, Luiz Bittencourt e Vanderlan Cardoso: políticos que também são gestores qualificados.[/caption]
Marqueteiros e pesquisadores recomendam duas coisas. Primeiro, os candidatos a prefeito de Goiânia que estão no pelotão intermediário e os que estão mais atrás devem mesmo se apresentarem e, ao mesmo tempo, apresentarem suas ideias para os eleitores. Cobram, porém, que isto seja feito de maneira mais enfática e com o máximo de clareza, sem nenhuma empolação acadêmica.
Segundo, postulam que se deve começar a apresentar as primeiras críticas a Iris Rezende (PMDB) e ao deputado Waldir Delegado Soares (PR). Eles ressaltam que o irismo começa a criticar Waldir Soares, mas os pré-candidatos governistas — Giuseppe Vecci (PSDB), Vanderlan Cardoso (PSB), Francisco Júnior (PSD) e Luiz Bittencourt (PTB) — e a postulante do PT, Adriana Accorsi, ainda não perceberam que têm de fazer o mesmo. Iris Rezende quer descolar-se de Waldir Soares, deixando que fique “brigando” com os demais candidatos, deixando-o livre, rumo ao segundo turno.
Em 2014, os candidatos a governador pelo PT, Antônio Gomide, e pelo PSB, Vanderlan Cardoso, adotaram uma tática político-eleitoral equivocada e suicida. Sem perceber que Marconi Perillo, do PSDB, havia descolado de Iris Rezende, mantiveram suas críticas centradas no tucano-chefe. Quer dizer, no lugar de se ajudarem, contribuíram para levar o peemedebista para o segundo turno, para disputar contra o atual governador de Goiás.
Em 2016, os postulantes governistas e Adriana Accorsi, se errarem, vão adotar a mesma tática de Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide. Como a campanha começou agora, quando se prefere nominá-la, legalmente, de pré-campanha, os políticos que querem ser prefeito de Goiânia não definiram suas táticas com precisão. Mas uma coisa é certa: os alvos de Vanderlan Cardoso, Giuseppe Vecci, Luiz Bittencourt, Francisco Júnior e Adriana Accorsi são os mesmos: Iris Rezende e Waldir Soares. Porém, se perceberem que um deles descolou, terão de enfrentá-lo primeiro antes de partir para cima do que descolou.
Há uma regra elementar em política: candidato que está disputando o primeiro turno tem de pensar no primeiro turno. Se ficar pensando em alianças para o segundo turno, aí adotando a tática de preservar o candidato “x” ou “y”, acaba fora da disputa — e, babau, segundo turno. Só se chega ao segundo turno retirando Waldir Araújo ou Iris Rezende do páreo. Recomenda-se, porém, que crítica não é o mesmo que destempero verbal.
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Iris e Agenor Mariano[/caption]
Ninguém é tão ligado a Iris Rezende quando o vice-prefeito de Goiânia Agenor Mariano. São carne, unha e cutícula. Perguntado se o peemedebista será candidato a prefeito, o vice, rompido com o prefeito Paulo Garcia (PT), diz que responde com uma palavra gigante: “Candidatíssimo”.
“O escritório de Iris anda tão cheio que ele, quase todos os dias, é obrigado a almoçar por volta das 14 horas. Todos vão levar seu apoio e dizer que deve disputar a prefeitura”.
Agenor Mariano sugere que “não há escapatória”. “A candidatura de Iris Rezende não pertence mais a ele — nem ao PMDB. Pertence às ruas. Há um clamor coletivo por sua volta à prefeitura.”
O Tribunal de Contas dos Municípios vai encaminhar, nos próximos dias, a relação de políticos avaliados como fichas sujas — inelegíveis na disputa deste ano para prefeito e vereador — para o Tribunal Regional Eleitoral. Com contas rejeitadas, por terem cometido irregularidades tidas como insanáveis, Adib Elias, de Catalão, e Divino Lemes, são tidos como “cabeças” da lista.
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Mabel, Friboi, Temer e Leandro Vilela[/caption]
O PMDB teoricamente tem três opções para disputar o governo de Goiás em 2018: o deputado federal Daniel Vilela, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, e o senador Ronaldo Caiado (hoje, filiado ao DEM). Porém, se depender do presidente Michel Temer, o partido poderá tomar outro caminho.
O peemedebista-chefe pode bancar o ex-deputado federal Sandro Mabel para governador. Se o projeto não vingar, o ex-parlamentar pode ser bancado para senador. Se inquirido sobre o assunto, ele diz que só quer uma coisa na vida daqui pra frente: sossego. Sabe-se, também, que hoje está mais próximo de Ronaldo Caiado do que de Maguito Vilela e Daniel Vilela.

