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Os ingressos têm preço único promocional de R$2 e serão vendidos na bilheteria no dia do evento

Projeto levou ao público goianiense o espetáculo Quando se abrem os Guarda-Chuvas, da Farândola Teatro, com a premiada atriz Fernanda Pimenta. Monólogo aborda a finitude da vida e o envelhecimento

Peça será apresentada nesta quarta-feira (25), às 20h, no teatro-sede localizado na Rua do Lazer (rua 8), no Centro, em Goiânia

Após temporada de seis meses no Rio de Janeiro, com direção de Celina Sodré, Luciano Caldas faz apresentação única de uma releitura do texto de Shakespeare

[caption id="attachment_121109" align="alignnone" width="620"] Reprodução[/caption]
“África é um jogo reflexivo entre dois personagens: Avelino, o enfermeiro falante, e o senhor Torres, doente em estado de coma profundo.” Só que Avelino dialoga com seu ouvinte, que está em seu próprio eco e reflexo. É assim que profissional e enfermo contracenam – ou não – no monólogo “África”, em cartaz no Teatro Sesc Centro na quinta-feira, 5, às 20 horas.
Com texto de Miguel Jorge, direção e adaptação de Alex Amaral, a peça tem o ator Wilker Postigo vivendo tanto Avelino quanto senhor Torres no cenário assinado por Claudio Livas. A iluminação é de Allan Lourenço, fotografia de Jake Vieira, produção executiva de Laila Santoro, produção da Cia Delarte e direção de produção executiva de Wilker Postigo. O espetáculo tem patrocínio da Lei Goyazes de Incentivo a Cultura, da Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esporte (Seduce).
Criador da Cia Delarte em 2009, o ator e diretor Wilker Postigo tem a missão de dar vida a um enfermeiro que se depara com sua própria realidade e a vida dura de seu paciente em coma em estágio avançado. O espetáculo “África” relata fatos ocorridos na infância de Avelino e a desilusão amorosa vivida com sua esposa Sofia. “Por não suportar o peso do mundo, da realidade, propõe uma fuga através da imaginação, da criação de uma África imaginária que conhece apenas por fotos e livros”, descreve a sinopse da peça que dá vida ao texto de Miguel Jorge. (Augusto Diniz)

“Entre quatro paredes”, um clássico moderno da dramaturgia francesa, estará em cartaz neste fim de semana, no Teatro Sonhus (Lyceu de Goiânia)

Na terceira peça, é proposto um ritual em que o pastor ou guia, possivelmente um robô, inicia os fiéis num novo tipo de atividade espiritual que consiste em levar a antropofagia ao seu ponto extremo

Com direção e coreografia de Danilo Santana, o espetáculo conta a história do conhecido personagem do clássico livro de Antoine de Saint-Exupéry
[caption id="attachment_92165" align="alignleft" width="321"] Cartaz de divulgação do espetáculo[/caption]
Amanhã, quarta-feira, 19, a Cia Goiana de Musicais apresentará o espetáculo “Pequeno Príncipe, o Musical”, no Teatro Goiânia, às 20h30.
Com direção e coreografia de Danilo Santana, o espetáculo conta as aventuras do conhecido personagem literário, que sai de seu planeta em busca de conhecimento e aventuras. A adaptação do clássico livro de Antoine de Saint-Exupéry também foi desenvolvido por Danilo Santana, com colaboração de Oswaldo Neto, que também integra a produção do espetáculo.
Com quinze artistas no elenco, o espetáculo dispõe ainda de um grande número de cenários e um esmerado trabalho com figurinos, além de contar com um elenco de 15 artistas que interpretam, dançam e cantam ao vivo as letras que foram escritas por Danilo Santana. As coreografias, também criadas pelo diretor, são carregadas de técnica de Jazz, Sapateado e Ballet Clássico, bem como os grandes shows feitos na Broadway.
Apostando nesse formato inovador, a Cia Goiana de Musicais pretende firmar-se no cenário das artes cênicas de Goiânia como a única companhia qualificada para executar musicais. Sendo assim, o espetáculo atende o público em geral, de crianças a adultos, não ficando restrito, portanto, ao público infanto-juvenil.
Serviço
Pequeno Príncipe, o Musical
Dia: 19 de Abril
Horário: 20:30 horas
Local: Teatro Goiânia
Direção: Danilo Santana
Produção: Oswaldo Neto e Giulyane Nogueira
Ingressos: R$40,00 (inteira) - R$20,00 (meia) - Bilheteria do Teatro (na data)/ https://meubilhete.com/pequenoprincipeomusical
Elenco:
Pequeno Príncipe : João Victor Flores,
Aviador Jovem: Roni Suares,
Aviador Velho: Thiago Morais,
Raposa: Oswaldo Neto,
Rosa: Bruna Lemes,
Cobra : Grace Ribeiro,
Vaidosa: Kamila Sousa,
Rei: Tharyc Batista
Corpo de Baile: Júlia Arantes, Leonora Siqueira, Maria Luiza Faria, Manuella Castioni
Informações pelo WhatsApp: 62 98567-3292

Em vez de reconhecer nas miniaturas de Kharms metáforas da vida, o que se pode ver na peça de Fayad, que continua diferentemente o movimento do literato soviético, não são metáforas, mas, sim, símbolos do absurdo
[caption id="attachment_92050" align="aligncenter" width="620"] Atores Saulo Dallago, Guerhard Sullivan, Leopoldo Rodriguez e Edimar Pereira em cena de "Cerimônia paras personagens estranhos: Miniaturas Grotescas", de Marcos Fayad |Foto: Corália Elias/Divulgação
[/caption]
Thiago Cazarim
Especial para o Jornal Opção
Nos dias 06 e 07 de abril, pude assistir ao espetáculo “Cerimônia para personagens estranhos – Miniaturas Grotescas”, adaptação de histórias curtas do autor russo Daniil Kharms (1905-1942), feita pelo diretor teatral Marcos Fayad. Não sendo dramaturgo, nem crítico, nem conhecedor da obra de Kharms, penso então no excelente espetáculo levado a público no Teatro Sesc Centro em Goiânia como espectador impactado pelo desconhecido.
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A alcunha “literatura do absurdo”, emprestada por este jornal à produção de Kharms, fornece uma pista interessante para os espectadores que se aventuraram pelo trabalho de Fayad. Como o próprio diretor afirmou em entrevista (link ao lado) ao Jornal Opção, tratam-se de 18 histórias fugazes que, pelo insistente emprego de uma estruturação inacabada, produzem a sensação de estranheza e de incompatibilidade com o fluxo ordinário da vida. Não é à toa que, no início do espetáculo, logo após a saída dos atores do palco (aliás, o lógico não seria que o espetáculo começasse pelo vazio do espaço?), o público ouve uma voz que avisa que o teatro nada mais é que o cotidiano ao qual se deu outro uso. Algo por si só estranho, já que o limite entre arte e vida comum normalmente é visto como rigidamente marcado e impermeável.
Ao mesmo tempo, o espectador desavisado poderia esperar no palco um absurdo estereotipado, como no caso de Um cão andaluz e A idade de ouro, ambos do cineasta Luís Buñuel. Para ficar na comparação com o cinema de Buñuel, talvez o espetáculo de Marcos Fayad tenha encontrado em Daniil Kahrms aquele absurdo mais sutil, tanto quanto mais paradoxal, de O anjo exterminador, em que não é a mera sequência de disparates que confere o teor de absurdo, mas sim a constatação de que por dentro do convencional, da vida repetitiva é que o absurdo aparece e se dissipa sem maiores explicações. Nada extraordinário, então; ou ao menos nada não-ordinário serve para explicar o absurdo visceral do cotidiano.
As Miniaturas Grotescas, quando levadas ao palco, trabalham com o jogo do ordinário sobre si mesmo: as falas retas, o cenário clean, o elenco reduzido, os temas aparentemente sem sentido ou profundidade – nada aponta para o exagero e o choque como categorias dramáticas prioritárias. Seria possível até, se quisermos, reduzir a apreciação do espetáculo, por um lado, aos quadriláteros e círculos que compõem tanto o cenário (quadraturas: o número de atores, o formato do pequeno palco vermelho, o painel retangular ao fundo, as duas kalimbas tocadas brevemente pelos atores, as cadeiras coloridas, a caixa posta sobre a cabeça em que cabem igualmente a morte e a vida) e, por outro, às circularidades de paralelismos internos à estrutura do texto (o trocadilho “sem tirar nem pôr”, que ironiza o recém-nascido tirado e posto de volta dentro de sua mãe, reaparece mais três vezes ao longo do espetáculo com sentidos bastante diferentes).
Para o espectador, talvez a melhor forma de captar o sutil absurdo de Cerimônia para personagens estranhos seria atentar para o caso de Nikolai Ivanovich. Nesta cena, aparecem condensados todos os paradoxos do espetáculo de Fayad. Nikolai Ivanovich, homem apático, cercado de outros homens que narram suas ações e descrevem sua personalidade. Nikolai Ivanovich, presente em cena, mas incapaz de atuar por si, dependente de outros que lhe deem significado. E, numa espécie de sofística revisitada, não se trata de discutir o caráter de Ivanovich, mas apenas de dizer da vodca que ele bebeu – ou não bebeu. Os narradores começam a desfazer todo grau de certeza que pode haver sobre a existência da personagem narrada num crescendo de absurdo. Primeiro, abolem a existência do espaço em torno de Nikolai Ivanovitch: não existe nada, nem mesmo um espaço vazio, atrás, aos lados nem à frente dele. (Este não é o espaço do teatro, afinal?) Em seguida, afirmam que não há nada dentro de Ivanovitch; mais que isso: que nem mesmo existe Ivanovitch. Só existe a garrafa de vodca, mesmo que não se possa negar ou afirmar que ela tenha cumprido seu desígnio etílico...
A cena de Nikolai Ivanovitch, por sua vez, parece formar um arco com o início da peça, quando uma sequência de ações sem sentido aparente se realiza antes de qualquer diálogo. Após marcharem um percurso retangular, os atores, cada um portando um objeto diferente, detêm-se ao fundo do palco e desenvolvem três gestos. O primeiro ator abre um compasso, circulando-o pelo palco. O segundo sucede-o com um pequeno laser no traçado invisível do compasso, em que é acompanhado pela iluminação que forma um anel de luz sobre o palco. O terceiro, portando um aspirador de pó, coloca-o em funcionamento seguindo pela borda do anel luminoso que progressivamente vai se borrando até formar um foco de luz sem contorno. A cena de Nikolai Ivanovitch é apenas o ritornelo dessa cena inicial que anuncia que a distância entre o palco e o espectador, o ordinário e o absurdo, esteve sempre condenada a desaparecer.
[caption id="attachment_92051" align="alignleft" width="300"] Diretor Marcos Fayad | Foto: Corália Elias/Divulgação
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O absurdo então se multiplica. Afirma-se diante do público que o próprio público não existe, que a personagem diante do público (inexistente) não existe, que a personagem nada contém que não o seu vazio, que o momento comum da vida e o tempo especial do teatro não se diferenciam senão por um acidente. Mais forte que isso tudo, o absurdo reside em usar o teatro para dizer que o teatro não existe. Isso não soa apenas absurdo a quem assiste o espetáculo: esta auto-sabotagem parece ser uma completa mentira. Porém, neste movimento de abortar a própria possibilidade, talvez a peça de Fayad enuncie uma verdade incômoda. Nada havendo no exterior ou no interior de uma personagem levada à cena, resta apenas a indelével presença do absurdo que nenhuma racionalização ou negação podem controlar.
Uma solução fácil seria recair no niilismo como opção de vida: nenhuma solução possível. Outra saída para o paradoxo de Nikolai Ivanovitch e as demais personagens estranhas seria, seguindo a pista do próprio Fayad, reconhecer o absurdo como metáfora da realidade. Em outros termos, seria reintroduzir o absurdo do cotidiano no fluxo ordinário dos fatos históricos – uma opção certamente coerente com o contexto histórico de Daniil Kharms e da repressão stalinista. Mas a visão do autor sobre sua obra sempre é parcial já que a obra ultrapassa o gesto e o autor que a compõem. Por isso, em vez de reconhecer nas miniaturas de Kharms metáforas da vida, o que se pode ver na peça de Fayad, que continua diferentemente o movimento do literato soviético, não são metáforas, mas, sim, símbolos do absurdo.
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Símbolo, em sua acepção mais corrente, diz sobre aquilo que representa ou substitui algo. Nesse sentido, uma metáfora pode se comportar como um símbolo e se torna impossível distingui-los. Porém, símbolo, do verbo grego symballein, remete mais originalmente ao objeto dividido em dois (symbollon), entregue a diferentes emissários ou portadores de uma mensagem que, para serem reconhecidos e fazerem valer sua verdade, apresentavam as metades do objeto então partido. A bela leitura que Michel Foucault faz do “Édipo Rei” de Sófocles na década de 1970 (O saber de Édipo; A verdade e as formas jurídicas) recupera este sentido mais antigo do “simbolizar”: a busca da verdade por Édipo, construída num procedimento de symbollon, é precisamente o domínio daquilo que divide e reúne, que afasta e coloca frente a frente, que busca a verdade por meio da suspeita. Símbolo é, à diferença da metáfora como substituta, o confronto direto com a verdade que se custa a captar. Diante do irresistível absurdo de Kharms-Fayad, o que resta senão enfrentar de cara limpa o absurdo de um teatro que arruína sua verdade ao mesmo tempo que faz dessa impossibilidade sua condição?
Se há uma metáfora possível, algo a extrair desse buraco-negro do pensamento, quem sabe não é a ideia de que o absurdo do cotidiano reside na impossibilidade de o cotidiano se sustentar sozinho sem aquilo que o nega – o extraordinário? Entre a impossibilidade do teatro e a impossibilidade do cotidiano, o absurdo talvez seja a força edipiana que os divida e coloque permanentemente em confronto. O absurdo, pois, como símbolo do teatro e da vida.
Thiago Cazarim é bacharel em música e mestre em filosofia.

Ao adaptar “Miniaturas Grotescas” para o teatro, diretor revela potencialidade do escritor russo, e o associa, de forma nem um pouco gratuita, à figura do mestre do Dadaísmo, Marcel Duchamp

O objetivo, segundo os realizadores, é proporcionar para todos os espectadores, os que enxergam ou não, a mesma experiência
[caption id="attachment_91170" align="aligncenter" width="620"] Foto: Cida Carneiro[/caption]
Bruna Isac
Especial para o Jornal Opção
Nestas quinta e sexta-feira, dias 06 e 07 de Abril, o Centro Cultural UFG, no Setor Universitário, será palco de um espetáculo teatral desenvolvido especialmente para o público cego. A Peça Como Nascem os Heróis, da Cia Teatro Goya, invade o mundo dos sentidos para promover uma experiência teatral diferenciada. Nela, os cegos e os não-cegos são vendados e passam todo o tempo sem enxergar. Toda a história é representada através de música, toques, fala, cheiros e sabores que transportam a imaginação da plateia para um mundo mágico.
O objetivo, segundo os realizadores, é proporcionar para todos os espectadores, os que enxergam ou não, a mesma experiência. “Nós não queríamos criar uma peça que falasse sobre a condição da cegueira, mas que os cegos pudessem se entreter e se divertir indo ao teatro e encontrando um espetáculo criado especialmente para eles”, disse Clégis de Assis, autor e diretor da peça. Enquanto a legenda e a audiodescrição se configuram atualmente como principais técnicas utilizadas para garantir a acessibilidade ao teatro e cinema, o espetáculo Como Nascem os Heróis vai além. Nele, o público é levado por uma viagem de sensações que afloram com a emoção de cada cena. O trabalho inclui, além dos músicos e atores, uma série de ajudantes responsáveis por provocar as sensações na plateia.
Criada em 2013, a peça já foi representada para públicos específicos, como os associados do CEBRAV - Centro Brasileiro de Reabilitação e Apoio ao Dficiente Visual - e da ADVEG - Associação dos Deficientes Visuais do Estado de Goiás – e desde 2015 tem sido apresentado também para o público aberto. No ano passado, participou do Festival de Teatro Goiânia em Cena e passou pela programação do SESC Goiás. Clégis de Assis diz que considera essas turnês importantes por dar aos não-cegos a chance de aproveitar o espetáculo. “Uma das nossas maiores satisfações é promover um tipo de integração entre os que possuem e os que não possuem alguma deficiência visual. Quando uma mãe que enxerga leva o filho cego para assistir Como Nascem os Heróis, ao chegar em casa eles tiveram a mesma experiência, vão conversar sobre a mesma coisa, e para nós isso é muito gratificante”, esclarece o diretor.
O enredo é divertido e envolvente. Ele conta a história de um terrível vilão, o Senhor Atrito, que apronta todas no fantástico Mundo da Magia e do Encantamento Onde Tudo Pode Acontecer. Porém, dois cientistas vão fazer de tudo para derrotar o Sr. Atrito e salvar o mundo da imaginação. O roteiro brinca com elementos naturais do cotidiano e discute ainda questões humanas e sensíveis ligadas ao relacionamento interpessoal e social. A peça ensina que todos nós somos heróis e que não é preciso ter super poderes para ajudar o próximo.
O texto é original, o músico Reginaldo Mesquita assina a composição das melodias e a direção musical da peça, e a trilha sonora também foi montada exclusivamente para esse trabalho, tudo para atingir ao máximo os sentidos dos espectadores. Além disso, garantem os realizadores, há muitas surpresas esperando pelo público. “É como entrar em um imenso túnel de sensações e deixar o seu corpo aprender novamente a se relacionar com o som, o espaço, os cheiros e os sabores”, diz Marcus Pantaleão, um dos atores envolvidos.
Como Nascem os Heróis será apresentado no Centro Cultural UFG, na Praça Universitária, em Goiânia, nos dias 06 e 07 de Abril, com ingressos a $20,00 a inteira e $10,00 a meia. Serão duas sessões por dia, às 19h e 20h30, cada uma delas com capacidade para até 100 pessoas. Pagam meia-entrada estudantes, professores, artistas cênicos, menores de 12 anos, idosos a partir de 60 anos e pessoas com deficiência visual, auditiva ou física. O grupo conta com o apoio da Universidade Federal de Goiás, da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura e do Centro Cultural UFG.
Serviço
Local: Centro Cultural UFG
Datas: 06 e 07 de Abril
Horários: 19h e 20h30
Ingressos: $20,00 / $10,00 - Venda no local.
Classificação: Livre
Pagam meia entrada: Estudantes; professores; artistas cênicos; crianças menores de 12 anos; idosos a partir de 60 anos; e pessoas com deficiência visual, auditiva ou física.
Ficha Técnica:
Dramaturgia e direção: Clégis de Assis
Direção Musical: Reginaldo Mesquita
Elenco:
Clégis de Assis,
Fernando Santana,
Marcus Pantaleão e
Reginaldo Mesquita
Bruna Isac é diretora de teatro.

O musical prova que os cinco garotos de Guarulhos são irrepetíveis – a não ser por quem consiga reincorporá-los
[caption id="attachment_86570" align="alignnone" width="611"] Adriano Tunes (Júlio), Élcio Bonazzi (Samuel), Ruy Brissac (Dinho), Arthur Ienzura (Sérgio) e Yudi Tamashiro (Bento) | Foto: Divulgação[/caption]
Elder Dias,
Especial para o Opção Cultural
Ali no palco, ocorria uma apresentação bonita, bem produzida, envolvente a partir de uma temática até despretensiosa. Na plateia, para aquele script, deveria haver um público infanto-juvenil, no máximo de jovens recém-saídos da adolescência. Mas o que se veem são muitos adultos, alguns de cabeças já grisalhas. Há, claro, os que se encantaram com a história mesmo tendo ela ocorrida antes de terem nascido. De toda maneira, quem chegou ao Teatro Sesi desconfiado de que veria um pastiche saiu revigorado no próprio humor.
O espetáculo é “O Musical Mamonas” e conta a trajetória meteórica do quinteto de Guarulhos que, em menos de um ano, foi do anonimato ao posto de maior fenômeno do pop-rock brasileiro e morreu em um acidente aéreo no início de março de 1996. Nesse período, o band leader Dinho (vocal), Bento Hinoto (guitarra), Júlio Rasec (teclados), e os irmãos Sérgio (bateria) e Samuel Reoli (baixo) rodaram todo o País fazendo até três shows por dia com uma música que levava o escracho ao limite e se tornando figurinhas carimbadas nas emissoras de rádio e nos programas de auditório – Jô Soares, Fausto Silva e Gugu Liberato, inclusive, são lembrados na apresentação.
O musical prova, ao contrário do que se pensava, que os Mamonas Assassinas não são irrepetíveis. O ator Ruy Brissac, especialmente. Ele não apenas “faz o papel” de Dinho. Ele o incorpora. Sua atuação é de tal qualidade que torna menor o fato de ser um sósia perfeito do vocalista. Os demais, embora não tão parecidos fisicamente, souberam da mesma forma encontrar a essência de cada integrante. A sensação, por vezes, é de estar ali com os originais– pergunte a quem viu a apresentação e acompanhou mais de perto a história da banda.
Outro diferencial da peça é uma produção esmerada – reproduzindo com fidelidade os notórios figurinos que o grupo usava – e um elenco de apoio que trabalha em ritmo frenético, cada qual interpretando diversos tipos – destaque para Bernardo Berro, o intérprete de Rafael Ramos, o Rafinha, da banda Baba Cósmica, que convence o pai, João Augusto, a gravar o que seria o único disco do quinteto. A duração do musical é de mais de duas horas, com pausa para um intervalo de 15 minutos (com certeza mais para descanso do próprio elenco).
Ao fim, a sensação que fica é de ter estado presente, ali, não a um show exatamente, mas a um espetáculo dos Mamonas – eles eram multiartistas, mais do que um grupo de rock. Um talento para a comédia e o besteirol genuíno que nunca poderia ser atingido com o projeto anterior deles próprios e que tinha o irônico nome de Utopia, uma banda que pretendia fazer rock progressivo.
Mas, é bom ressaltar: não há como repetir uma trajetória dessas além de algo que os represente tão bem, como a peça dirigida por José Possi Neto. “O Musical Mamonas” conta uma história que hoje não se faria acontecer, porque praticamente nenhuma letra passaria a salvo do crivo do politicamente correto. O relato da suruba violenta de “O Vira”, os palavrões de “1406” e os erros de português em “Chopis Centis” (duas excelentes sátiras ao consumismo), a odisseia de retirante em “Jumento Celestino” e as insinuações eróticas de “Robocop Gay”, entre outras, não sairiam impunes diante da patrulha virtual e do ativismo de detalhes.
Era outro contexto, como eram os tempos dos esquetes de “Os Trapalhões” e, lá atrás, os escritos de Monteiro Lobato. De qualquer forma, quem vê a peça se vê nos anos 90 e quer mesmo é diversão. Foram só três noites em Goiânia e foi pouco. A casa sempre lotada só confirma que a história dos garotos está viva, mesmo mais de duas décadas depois de tudo acontecer. Por quê? Talvez pelo fato de as personalidades autênticas de Dinho e cia., em meio a um show business cheio de normas e fricotes, terem representado boa parte da população brasileira que dá duro para encontrar seu lugar ao sol e serem reconhecidos.
Elder Dias é redator-chefe do Jornal Opção.

[caption id="attachment_82486" align="alignleft" width="300"] Foto: Divulgação[/caption]
Com 11 artigos escritos por alunos do programa de pós-graduação da UFG, livro organizado pelo escritor e professor goiano será lançado nesta quinta, 15
Na quinta-feira, 15 de dezembro, a Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás (FL/UFG) vira palco do lançamento do livro "Ensaios Sobre Teatro - Por um Estudo Teórico do Texto Dramático". Organizado pelo professor Heleno Godoy e dedicado à memória de Carlos Fernando Filgueiras de Magalhães, importante nome do teatro goiano, a obra reúne artigos de diversos acadêmicos, que percorrem temas ligados ao drama mundial. Gianfrancesco Guarnieri, August Strindberg, Oscar Wilde, Hilda Hilst, Máximo Gorki, Tennessee Williams, Martins Pena, Henrik Ibsen e Luigi Pirandello são alguns dos nomes estudados. No saguão de entrada do prédio Bernardo Élis, na Faculdade de Letras da UFG, o lançamento tem início às 09h40.
Serviço
Lançamento "Ensaios Sobre Teatro"
Onde: Faculdade de Letras/UFG | Câmpus Samambaia
Horário: 09h40

Performativo, o espetáculo encadeia os processos de perdão vividos por um corpo feminino por meio da linguagem do Teatro Contemporâneo [gallery type="slideshow" size="full" ids="81437,81438,81439"] No domingo e segunda-feira, 4 e 5 de dezembro, a peça “Não posso Esqucer”, do Teatro Contemporâneo, fica em cartaz no prédio de Oficinas da Escola de Música e Artes Cênicas (Emac), da Universidade Federal de Goiás (UFG). Numa mistura da linguagem teatral e da performance, o espetáculo diz de um corpo feminino que se ergue sobre uma bacia, desequilibra, cai e levanta. O vestido negro e os cabelos desalinhados acompanham a expressão na face de mulher, esta uma culpa exposta. Com diversas referências, entre elas o poema “Ventania”, de Cecília Meireles, e a instalação “Desert Park”, de Dominique Gonzalez-Foerster, que está permanentemente exposta no Centro de Arte Contemporânea Inhotim, a peça dirigida por Kleber Damaso é encenada pela professora Maria Ângela de Ambrosis. Serviço Não posso esqucer Dias: 4 e 5 de dezembro Local: Oficinas da EMAC/UFG Horário: 20 horas

[caption id="attachment_80744" align="alignleft" width="300"] Fotos: Divulgação[/caption]
Também noite de autógrafos e roda de conversa, o evento de lançamento do livro tem como palco o Evoé Café com Livros
A obra "Teatro do Oprimido, Raízes e Asas: uma teoria da práxis" combina teoria e prática para a análise do método do Teatro do Oprimido, criação do brasileiro Augusto Boal. O livro propõe uma discussão, consistente e acessível, sobre os conceitos que fundamentam o método em articulação com os avanços e desafios de sua prática. A abordagem didática facilita a compreensão tanto da estrutura dramática e pedagógica do método quanto da especificidade de sua estética. A diversidade de exemplos contextualiza a teoria e joga luz sobre questões éticas, filosóficas e políticas que envolvem a aplicação do método - características que qualificam esta publicação para o ensino formal e/ou informal do método do Teatro do Oprimido.
“Comecei a escrever esse livro para tornar o conteúdo teórico que alicerça o Teatro do Oprimido mais acessível para as pessoas interessadas em desenvolver uma atuação prática. A necessidade de responder a questões práticas e dar base teórica às mesmas, garantiu consistência à escrita. O objetivo foi evitar que a práxis das pessoas que eu formava ficasse esvaziada de conteúdo, queria que entendessem o 'porquê' daquilo que faziam”, diz a autora Bárbara Santos.
Goiânia é uma das cidades onde ela realiza o lançamento. Já esteve no Rio de Janeiro, em Ubataba, Vinhedo e Campinas e ainda em Fortaleza. De 3 a 7 de dezembro, apresenta seu livro em conferências e seminários na The University of North Carolina at Chapel Hill, na Carolina do Norte (EUA), e também em New York. No dia 10, apresenta o livro no encontro Trajetórias Feministas, em São Paulo. Lançamento internacionais estão sendo organizados em Lisboa, Porto e Berlim. Para 2017, está previsto o lançamento em espanhol, no Chile, na Argentina e na Espanha.
Bárbara já está trabalhando em seu novo livro “Do Teatro do Oprimido ao Teatro das Oprimidas”, que trata dos novos rumos do método depois da morte de seu criador, Boal. Além de um panorama atualizado sobre a difusão do método mundo afora, a autora descreve e analisa as pesquisas que têm desenvolvido com a Estética do Oprimido, as quais deram origem ao Teatro das Oprimidas.
A autora
Nascida em 1963, Bárbara Santos é socióloga formada pela UFF e atuou como professora na rede municipal de educação do Rio de Janeiro durante 15 anos. Bárbara trabalhou por duas décadas com Augusto Boal como coordenadora do Centro de Teatro do Oprimido (CTO), na concepção e desenvolvimento do Teatro-Legislativo e da Estética do Oprimido; tem 26 anos de experiência ininterrupta com o método, no Brasil e em 38 países dos cinco continentes. Bárbara é diretora artística de KURINGA, espaço para o Teatro do Oprimido em Berlim, do grupo Madalena-Berlin e de Together International Theatre Company – cooperação entre organizações de sete países europeus.
É ainda idealizadora e coordenadora do Programa KURINGA de Qualificação em Teatro do Oprimido, que teve avaliação externa da Universidade de Bolonha. Integra o International Theatre Institute of Unesco (a ITI Alemanha), desde 2014. No Rio de Janeiro, é diretora artística do Coletivo Madalena-Anastácia, que é composto por mulheres negras, e colaboradora artística do grupo Cor do Brasil, composto por artistas afrodescendentes. Difusora do Teatro das Oprimidas, inovadora experiência estética sobre opressões enfrentadas por pessoas socializadas como mulheres, é diretora artística da Rede Ma(g)dalena Internacional, formada por grupos feministas da Europa, África e America Latina.
Serviço
Lançamento do livro "Teatro do Oprimido, Raízes e Asas: uma teoria da práxis", de Bárbara Santos
Data: 23 de novembro
Horário: 19h30
Local: Évoé Café com Livros