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Poema mal dito e o adeus em versos livres

Um relato sobre saudade, amor e a urgência de viver escrevendo

Reportagem
Conheça a obra dos magistrados goianos que se dedicam também à literatura 

Grandes escritores de Goiás também exerciam a magistratura, como Antonio Félix de Bulhões Jardim. Hoje, diversos juízes escrevem literatura

Feira de Antiguidades em Goiânia | Foto: divulgação/Secult
Praça Tamandaré recebe Feira de Antiguidades com show neste domingo de Páscoa

Evento Tenda Cultural vai ocorrer a partir das 11 horas, gratuitamente e com apoio da Secretaria Municipal de Cultura (Secult) de Goiânia

Crônicas da América (3)

Tão longe de LA... So far away. Não, Nicolas, estou aqui mesmo. No inverno da Califórnia, a primavera na esquina, com o vento frio ainda insistindo em gelar nossas faces e nos machucar com a realidade: as pequenas e grandes violências, contra as pessoas, homem lobo do homem, contra o bom-senso, contra a fé, contra a esperança.   Sei, afinal, que o vento do inverno sopra aqui e ali e se vai...E sei também que Maria rainha (Queen Mary) não é nome de hotel e sim minha inspiração e minha mais terna lembrança, a mais doce de uma infância sem mãe, sem pai, e ainda assim me sentindo amado. Eis-me, aqui, Nicolas, quando a realidade bate à porta, a poesia na aorta, aquela rima antiga do poeta mineiro; e os seus versos, Nicolas, na cabeça e no som do meu Nissan, nas modernas auto-pistas americanas, este que de certa forma tem sido minha casa nessa jornada, minha referência mais explícita de um lugar que se repete, de algo imutável no fio da navalha de tantas mudanças. Os vinhedos anunciam a proximidade de uma cidade acolhedora, ao deixar o ruído urbano de San Francisco. E minha memória, neste inverno em San Francisco, enquanto a cidade dorme, me leva de volta, continuamente, aos versos do compositor francês Nicolas Peyrac, em "So far way from L.A.”, leva-me de volta à infância em Anápolis, a Sant’Anna das Antas da minha infância pobre e órfã, minha infância que não quer senão morrer, desaparecer, e no entanto, está sempre presente nos sonhos do velho de agora. Quelques lueurs d'aéroport, L'étrange fille aux cheveux d'or, Dans ma mémoire, traîne encore. C'est l'hiver à San Francisco Mais il ne tombe jamais d'eau Aux confins du Colorado Et le Golden Gate s'endort Sur Alcatraz où traîne encore Des sanglots couleur de prison. Monsieur Caryl Chessman est mort Mais le doute subsiste encore. Avait-il raison ou bien tort ? So far away from L.A., So far ago from Frisco. I'm no one but a shadow, But a shadow... A shadow. A sombra que foi a personagem do poema de Nicolas Peyrac sou eu. Embora não sendo vítima de nenhum erro judiciário, sou esta sombra, vagando pelos enormes espaços abertos da Califórnia, sou como um daqueles anjos que se postam nas muralhas das portas da “Cidade dos anjos”, terra imaginária de Wim Wenders. E assim me sinto por alguns minutos, em que no meio da noite, vejo-me presa da realidade tendo que deixá-la em breve. Penas que se desfazem, dança que Los Angeles não poderá jamais me ver nelas incorporado. A realidade bate à porta. Dois assuntos movem a pauta de jornais, rádios e TVs americanos, durante esta minha temporada na América: as Olimpíadas de Inverno na Coréia e o massacre em Marjory Stoneman Douglas High School, em Parkland, Flórida. A América conta seus mortos, após mais uma tragédia envolvendo jovens e o uso indevido de armas. Ninguém, depois de ouvir “os tiros em Columbine”, pode ficar imune ao elemento surpresa de um ataque como este ocorrido na Escola "Marjory Stoneman Douglas" da Flórida, no dia 14 de fevereiro passado. Sobreviventes do massacre ocorrido em 1999, em Littleton, Colorado, ainda falam sobre a tragédia com um misto de ansiedade e preocupação. Anne Marie Hochhalter, 36, disse ao jornal Business Insider que  tem amigos que filtram as notícias para ela sobre a ocorrência da Florida que deixou 17 mortos e outro 17 feridos. Também eu, mesmo nao tendo vivido de perto uma tragédia similar, dou-me conta de que filtro, afasto, busco distância crítica para entender a tragédia. [caption id="attachment_118176" align="aligncenter" width="300"]© Foto da REUTERS/Mike Stocker/Pool Nikolas Cruz, assassino confesso do massacre em escola da Flórida.[/caption] Quando vejo as inúmeras análises que ganham espaço enorme na TV até hoje, 27, quando redijo esta crônica, fico pensando em "Crime e Castigo". Tal como o Raskolnikov, personagem assassino de Doistoievsky, algo do trágico ancestral parece haver na alma do garoto de 19 anos Nikolas. A polícia diz que por mais de trinta vezes, desde os nove anos, atende chamadas telefônicas de ocorrências com o citado suspeito, desde brigas com o irmão e até de agressões físicas a mãe adotiva, perpetrada pelo indigitado Cruz. O professor Felipe Pimenta, em resenha da magistral obra dostoievskiana, assinala que na origem do crime de Raskolnikov havia um pensamento repetitivo (mais do que uma neurastenia, uma psicose): se "homens como César e Napoleão foram responsáveis por milhares de mortes, entretanto, foram considerados pela história como grandes heróis e conquistadores” porque não passar à História assassinando um(a) ou muitas pessoas?. E Pimenta ainda nos instiga com esta questão: "Por que Raskólnikov pensa dessa maneira? Porque ele se vê oprimido pela velha [que vira a se tornar sua vítima] - que no livro simboliza o capitalismo  devastador que  Dostoiévski tanto odiava. //Então, Raskólnikov se questiona a respeito de uma ideia que ele teve: se Napoleão matou milhares e foi absolvido pela história, por que ele (o personagem)  também não seria se matasse a velha que vivia de juros? Não estaria ele fazendo um bem à humanidade? Essa pergunta reflete o pensamento do próprio Dostoiévski, para quem as ideias moviam os homens, e não os homens realizavam as ideias." Ora, o pequeno infrator  de Parkland parece também movido por suas "ideias" e armado não de caneta e teclado, mas com um rifle de caça (AR-15) e resolveu por tais ideias em ação. Após o deletério evento, as autoridades e os comentaristas passaram a discutir acirradamente a 2a. emenda da Constituição dos Estados Unidos, que, desde dezembro de 1791 faculta ao cidadão o direito de comprar e portar armas em condições especiais e para auto-defesa. Deixo aos juristas, sobretudo ao ilustre amigo Marcelo Franco, a tarefa de continuarem a discussão, com um suporte singular na análise de Thomas Sowell sobre a ignorância a respeito do controle de armas. O artigo da National Review está neste link: https://www.nationalreview.com/2012/12/gun-control-ignorance-thomas-sowell/ E antes de abandonar meus seis leitores nesta Destarte de despedida da América, dois pequenos tópicos. Um na voz de Sinatra os versos de Cahn e van Heusen: It's very nice to go trav'ling To Paris, London and Rome It's oh, so nice to go trav'ling But it's so much nicer Yes, it's so much nicer to come home. E, last but not least, a imagem da América vencedora nos jogos Olímpicos de Inverno 2018, com a beleza americana de 19 anos que optou por construir, ao invés de destruir e assassinar. E assim passa à história. A vida vencendo a morte, como principio civilizatório, a juventude e as ideias em ação para um fim bem mais nobre: Mikaela é a voz do amor à vida. Au revoir, mes amis. [caption id="attachment_118276" align="aligncenter" width="300"]Mikaela Shiffrin, medalha de ouro nos jogos olímpicos de inverno, 2018. Mikaela Shiffrin, atleta americana, medalha de ouro no grand slalon[/caption]

Adalberto de Queiroz, 63, é jornalista e poeta. Autor de “O rio incontornável” (Mondrongo, Bahia, 2017).

Read more: Frank Sinatra - It's Nice To Go Trav'ling Lyrics | MetroLyrics

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Crônicas da América (2)

"Com o pé na estrada" não seria o mais apropriado para descrever as viagens intercontinentais, mas se aplica como expressão meio surrada, mas ainda válida para mostrar ao caminhante que quando se ganha mundo, dos pés vêm-nos as melhores metáforas da viagem.

Pianista goiano se apresenta na Sala Itaú Cultural, em São Paulo

Otávio Henrique Soares Brandão apresentará o recital “Um outro olhar”, com músicas de Villa-Lobos, Bach e composições próprias

Começa nesta terça-feira Mostra Teatral inspirada em obras de Shakespeare

Espetáculos promovidos pelo Basileu França compõem uma programação em comemoração aos 403 anos do escritor, poeta e dramaturgo William Shakespeare.

Artista Fabiana Queiroga celebra 15 anos de carreira com mostra especial

Galeria Quadro a Quatro hospedará, a partir desta quinta-feira (6/10), mostra individual da goiana

Ateliê EH apresenta coleção de artista plástico e nova fragrância de Leonora Rocha Lima

Edição do Pirlimpimpim deste sábado (3/9) contará com lançamento do trabalho do pernambucano Fabio Melo e de Eau de Luiz

Winiká recebe exposição de desenhos e serigrafias de grandes artistas goianos

Mostra especial reúne nomes da arte em Goiás com curadoria da galerista Virgínia Goulart a partir da próxima quinta-feira (7/7)