A escritora portuguesa Lídia Jorge foi a vencedora do Prêmio Camões de Literatura de 2026, considerado a mais importante distinção literária da língua portuguesa, mantém uma relação estreita com Goiás. Em outubro de 2010, após participar de uma palestra na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás (UFG), a autora concedeu entrevista ao Opção Cultura em que definiu a ficção como um gesto de inconformismo diante do mundo.

“A ficção é um ato de rebeldia”, disse Lídia, ao tratar do ofício dos escritores e da relação entre literatura, memória, história e sociedade.

Leia também: Entrevista Lídia Jorge: “Somos inconformados com o mundo”

Romancista, contista e autora de uma peça de teatro, Lídia nasceu em Boliqueime, região do Algarve, no Sul de Portugal, em 1946. Segundo a UFG, ela é uma das escritoras portuguesas contemporâneas mais lidas no Brasil e mais estudadas nos cursos de Letras nos cursos superiores de todo o país.

O reconhecimento também se expressa por meio da Cátedra Lídia Jorge de Literatura Portuguesa, criada na UFG. A iniciativa funciona como um núcleo acadêmico dedicado ao estudo, à pesquisa, à difusão e ao intercâmbio em torno da língua portuguesa, da cultura e da literatura, com atenção especial à obra da autora. Integrada à Rede de Cátedras Camões no Brasil, a cátedra tornou a UFG a primeira instituição da rede no país a homenagear uma mulher escritora.

Lídia Guerreiro Jorge estreou na literatura em 1980 com o romance “O Dia dos Prodígios”, obra associada ao impacto da Revolução dos Cravos e à transformação de Portugal após o fim da ditadura salazarista. Antes de se firmar como uma das principais vozes da literatura portuguesa contemporânea, foi professora e viveu em Angola e Moçambique, experiência que atravessa parte importante de sua obra.

Entre seus livros mais conhecidos estão “A Costa dos Murmúrios”, “O Dia dos Prodígios”, “O Vento Assobiando nas Gruas”, “Misericórdia” e “Diante da manta do soldado”. “A Costa dos Murmúrios”, publicado em 1988, tornou-se uma das obras centrais de sua carreira ao abordar a Guerra Colonial portuguesa a partir de uma perspectiva feminina e crítica à narrativa oficial do colonialismo.

Leia também:

Cátedra Lídia Jorge na UFG é a primeira no Brasil a homenagear uma escritora