Veja o que está sendo produzido na região que desponta como nova potência agrícola de Goiás
11 maio 2026 às 19h27

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O Vale do Araguaia, no Noroeste de Goiás, vive uma transformação acelerada e já desponta como uma das principais novas fronteiras agrícolas do Brasil. A região, historicamente marcada pela pecuária extensiva, passou a atrair investimentos em lavouras irrigadas, integração lavoura-pecuária e produção de grãos, impulsionando a economia local no radar do agronegócio nacional.
Atualmente, o Vale do Araguaia já concentra uma fatia importante da produção agrícola goiana. Segundo dados apresentados por entidades do setor, a região responde por cerca de 10% da produção estadual de soja e aproximadamente 15% da safra de milho de Goiás.
Além disso, culturas como feijão, melancia, banana, sorgo, tomate e arroz irrigado também avançam na região. Entre os municípios que mais se destacam estão Nova Crixás, Britânia, Jussara, Santa Fé de Goiás, São Miguel do Araguaia e Mundo Novo.
Em Santa Fé de Goiás, por exemplo, a produção de melancia se consolidou como referência regional. Já o feijão irrigado ganhou força em diversas áreas do Vale, que atualmente possui cerca de 20 mil hectares dedicados à cultura.

A expansão agrícola ocorre principalmente sobre áreas antes ocupadas por pastagens degradadas. Com o uso de irrigação, tecnologia e correção de solo, produtores vêm alcançando altos índices de produtividade.
Segundo representantes do setor, o grande diferencial do Vale do Araguaia é a combinação entre terras relativamente baratas, topografia plana e abundância hídrica. Além da soja e do milho, produtores também apostam em sistemas integrados de lavoura e pecuária.
O modelo permite cultivar soja durante a safra e, após a colheita, utilizar a mesma área para pastagem e engorda de gado, aumentando a rentabilidade da propriedade rural. O crescimento da produção agrícola já provoca impactos econômicos diretos na região.
Municípios registram aumento da população flutuante, valorização imobiliária e maior movimentação comercial. Eventos voltados ao agronegócio, como o Conforto Experience, realizado em Nova Crixás, têm reunido produtores, empresários e investidores interessados no potencial produtivo do Vale do Araguaia.
Apesar do cenário promissor, produtores e autoridades apontam gargalos importantes para consolidar o crescimento da região. O principal deles é a limitação no fornecimento de energia elétrica, considerada hoje o maior obstáculo para ampliar a irrigação, armazenagem e industrialização da produção agrícola.
Outro desafio é a capacidade de armazenagem de grãos. Dados apresentados pela Associação dos Produtores do Vale do Araguaia de Agricultura Sustentável (Aprova) mostram que a estrutura atual consegue atender pouco mais da metade da produção regional de soja e milho.
Mesmo diante das dificuldades, estudos da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg) e da consultoria McKinsey apontam que o Vale do Araguaia possui potencial para ampliar significativamente sua área agrícola nos próximos anos. A expectativa do setor é que milhões de hectares atualmente utilizados pela pecuária possam migrar gradualmente para a agricultura de alta produtividade.
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