Conheça a nova fronteira agrícola de Goiás que promete impulsionar produção nacional
09 maio 2026 às 21h00

COMPARTILHAR
O Vale do Araguaia, região rural no Noroeste de Goiás, desponta como uma nova fronteira agrícola promissora. Caracteriza-se por terras amplas e planas, solos relativamente férteis, grande potencial hídrico e áreas de pastagens degradadas aptas à agricultura.
Um estudo encomendado pela Federação das Indústrias de Goiás (Fieg) e elaborado pela McKinsey & Company de 2025 traça cenários otimistas, mas realistas, sobre sua expansão agrícola. Segundo esses levantamentos, o Vale possui terras baratas e clima favorável, podendo elevar em muito a produção estadual e nacional de grãos.
Na prática, a região já registra crescimento veloz: embora abranja apenas cerca de 2% da produção agrícola de Goiás (cerca de 0,7 milhão de toneladas em 2024), tem apresentado expansão média anual de aproximadamente 35% desde 2019, sete vezes acima da média estadual, segundo o Instituto Mauro Borges (IMB).
Produtores locais relatam ganhos expressivos com a integração lavoura-pecuária e irrigação. Contudo, falta infraestrutura básica, sobretudo energia elétrica confiável, o que hoje é o principal gargalo.

Para se ter uma ideia de quão promissora é a região, o governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), participou nesta semana, em Nova Crixás, da segunda edição do Conforto Experience, evento voltado ao agronegócio realizado na Fazenda Conforto, que fica no Vale do Araguaia.
O encontro reuniu produtores rurais, empresários e representantes do setor agropecuário para discutir mercado, produção e investimentos na região. Segundo a organização, cerca de mil produtores participaram da programação.
Durante o evento, Daniel Vilela afirmou que o governo estadual tem priorizado ações voltadas à infraestrutura, ampliação da oferta de energia e redução da burocracia para atender demandas do agronegócio.
Faço questão de estar presente para ouvir de perto as demandas desse setor, que é a grande alavanca da economia. Esse diálogo direto é fundamental para avançarmos em políticas públicas que atendam ao agro com agilidade e eficiência, disse.
O governador também citou medidas relacionadas ao licenciamento ambiental e investimentos em energia elétrica na região do Vale do Araguaia, considerada uma das principais áreas de expansão agrícola do Estado.
O Conforto Experience é promovido pela Fazenda Conforto em parceria com a IFB Fertilizantes, empresa do setor de adubos orgânicos e organofosfatados. A proposta do evento é fomentar negócios e debates sobre inovação, produtividade e sustentabilidade no campo.
O CEO da Fazenda Conforto, Sérgio Pellizzer, afirmou que a iniciativa busca fortalecer parcerias entre produtores e empresas ligadas ao agronegócio.
“Ao longo dos anos, construímos um trabalho baseado em propósito e cooperação. São essas parcerias que nos permitem avançar com sustentabilidade, aumentar a produtividade e contribuir para o fortalecimento do agro goiano”, declarou.
A Fazenda Conforto atua nas áreas de recria, engorda e confinamento de bovinos, além da produção de biofertilizantes. Segundo a organização, a propriedade possui mais de 12 mil hectares e capacidade de confinamento superior a 62 mil animais.
Questionado pelo Jornal Opção sobre a possibilidade de o Vale do Araguaia se consolidar como a nova fronteira agrícola de Goiás, Daniel Vilela afirmou que os indicadores já apontam para um crescimento acelerado da região.
Segundo ele, a produção local aumentou cinco vezes na última década e ainda há potencial para expansão. “O Vale do Araguaia tem um potencial de alcançar 2 milhões de hectares de produção. Hoje são 150 mil hectares. Portanto, exige de nós um planejamento estrutural que potencialize aquela região”, disse.
Daniel também afirmou que o governo recebeu estudos de consultorias internacionais sobre o potencial econômico da região e defendeu investimentos públicos para estimular o desenvolvimento local. “Cabe a nós, como poder público, induzir e potencializar o desenvolvimento dessa região que, com certeza, vai garantir muita geração de oportunidades para Goiás”, declarou.

Para o prefeito de Nova Crixás Rodrigo Tavares (MDB), a expansão do agronegócio no Vale do Araguaia já provoca impactos diretos na cidade. Ele aponta crescimento acelerado da população flutuante, falta de infraestrutura urbana e dificuldades no fornecimento de energia elétrica como alguns dos principais desafios enfrentados pelo município.
As declarações foram dadas ao Jornal Opção após o evento realizado na Fazenda Conforto, propriedade reconhecida nacionalmente pela produção pecuária e por projetos ligados à inovação no agronegócio. O encontro reuniu lideranças políticas e representantes do setor agropecuário, incluindo a senadora Tereza Cristina (PP-MS).
Segundo Rodrigo Tavares, a região vive uma transformação econômica impulsionada pela expansão agrícola. “Já é uma realidade. A expansão aqui é gigantesca nos últimos anos”, afirmou.
O prefeito destacou ainda a atuação do governo estadual no chamado Grupo de Trabalho do Vale do Araguaia, criado para discutir o crescimento da região e os impactos da nova fronteira agrícola.
“O Daniel tem estado muito presente. Ele e o Caiado já lideravam um grupo de trabalho chamado GT Vale do Araguaia para tratar não só Nova Crixás, mas toda a região e essa expansão agrícola, que hoje é uma realidade”, disse.
Durante a entrevista, o prefeito ressaltou a importância da Fazenda Conforto para o desenvolvimento regional. Segundo ele, a propriedade é referência nacional na pecuária bovina e também investe em soluções sustentáveis, como um biofertilizante desenvolvido a partir de resíduos de confinamento.
“A Fazenda Conforto é uma potência. Quem chega ali fica impressionado. Todo ano vem muita gente de fora, de outros estados, para participar desses eventos”, declarou. Apesar do crescimento econômico, Rodrigo Tavares afirmou que a infraestrutura urbana do município já enfrenta dificuldades para acompanhar o ritmo da expansão.
Segundo ele, faltam moradias, vagas em hotéis e serviços básicos para atender à demanda crescente. “Aqui é um lugar que não tem aluguel mais. Não tem leito de hotel. Você chega em Nova Crixás hoje e não consegue se hospedar se não tiver uma casa”, afirmou.
Essa atração da alta produtividade está trazendo cada dia mais pessoas para cá. As despesas só aumentam, mas o município não fica com essa fortuna toda da produção.
O prefeito também reclamou da defasagem nos repasses federais, argumentando que a população flutuante não é contabilizada adequadamente nos critérios de distribuição de recursos. “Nova Crixás cresce a cada dia, mas essa população não é reconhecida pelo governo federal, que é quem faz os repasses”, disse.
Outro ponto destacado pelo prefeito foi a limitação no fornecimento de energia elétrica, considerada por ele o principal gargalo para consolidar a expansão agrícola na região. “É o maior problema para essa expansão dar a virada de chave”, afirmou.
Segundo Rodrigo Tavares, o problema atual não está na distribuição local, mas na capacidade de carga do sistema elétrico. “O problema não é de rede, o problema é de carga. A gente precisa da matriz energética. Sem energia o processo não vai para frente”, explicou.
De acordo com o prefeito, há articulação entre governo estadual, parlamentares e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para viabilizar novas linhas de transmissão na região. A expectativa, segundo ele, é que os investimentos avancem entre 2027 e 2030.
“Nunca colocaram que seria fácil. São grandes licitações e grandes leilões. Mas acredito que entre 2028 e 2029 essa energia chegue aqui com a qualidade necessária”, afirmou. Rodrigo Tavares ainda citou estudos apresentados pela Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), que apontam o Vale do Araguaia como uma das regiões com maior potencial produtivo do país.
“Nova Crixás vai levar Goiás do quarto para o segundo lugar em produção no país. Mas está constatado que precisamos dessa energia. Hoje, o nosso Eldorado é aqui”, declarou.

Expansão agrícola acelerada
Segundo o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), Ademar Leal, a transformação da região ocorre principalmente pelo avanço da iniciativa privada e pela conversão de áreas de pastagem em lavouras de grãos.
Ao Jornal Opção, o secretário afirmou que o reconhecimento da região como nova fronteira agrícola não é uma definição do governo estadual, mas resultado do crescimento observado no campo.
O que determina que ela está sendo ou não uma nova fronteira agrícola é a evolução, o crescimento, o tamanho do desenvolvimento da agricultura naquela região. Nós temos informações precisas de que isso é uma realidade, afirmou.
De acordo com Ademar Leal, o crescimento da agricultura no Vale do Araguaia ocorre em ritmo superior ao registrado em outras regiões goianas. Ele citou dados internos da Seapa que apontam expansão expressiva da área plantada e da produção agrícola nos últimos anos.
“Nós multiplicamos por cinco o tamanho da área plantada e por cinco o tamanho da safra na região nos últimos nove anos”, disse. Embora afirme que o desenvolvimento agrícola esteja sendo puxado pelo mercado, o secretário destacou que o governo estadual tem investido em infraestrutura para atender à demanda da região.
Entre as ações citadas estão obras rodoviárias, construção de pontes e ampliação da rede elétrica. Segundo ele, uma nova subestação de energia está em construção em Matrinchã e outra unidade está em fase de projeto em Mundo Novo.
“O investimento do governo é maciço e pesado para poder apoiar o desenvolvimento que vem acontecendo na região”, declarou. O crescimento acelerado da agricultura também tem ampliado a pressão sobre o sistema elétrico local.
Produtores rurais relatam dificuldades relacionadas ao fornecimento de energia, especialmente para atividades ligadas à irrigação e armazenagem. Questionado sobre o problema, Ademar Leal reconheceu a existência do gargalo energético e afirmou que o governo estadual tem atuado junto às empresas do setor e à Aneel.
“A necessidade de energia se deu muito mais rápido do que a própria velocidade do sistema público de levar essa infraestrutura”, explicou. O secretário disse ainda que participou recentemente de reuniões com representantes da Equatorial Goiás, da EDP Brasil, da ANEEL, produtores rurais e entidades do setor para discutir soluções para o fornecimento energético na região.
“Tudo o que pode ser feito pelo governo de Goiás para facilitar e dar velocidade nesse desenvolvimento está sendo realizado e não estamos medindo esforços para isso”, afirmou.
Apesar do crescimento recente, a Seapa não trabalha com um prazo oficial para consolidação do Vale do Araguaia como polo agrícola consolidado. Segundo o secretário, a velocidade da expansão dependerá principalmente do cenário econômico do agronegócio.
“O que vai atrasar, no momento, é realmente o momento difícil que o agro está vivendo”, afirmou. Ele citou fatores como preço das commodities e taxas de juros como determinantes para novos investimentos no campo.
Ainda assim, avaliou que a região possui condições favoráveis para continuar crescendo. “Lá tem área, clima, topografia e fertilidade. Então realmente é uma região que está transformando as pastagens, principalmente as degradadas, em áreas de extrema produtividade”, disse.
Atualmente, a produção agrícola do Vale do Araguaia é dominada principalmente pelas culturas de soja e milho. O secretário, porém, destacou o crescimento de outras atividades agrícolas, como melancia, banana, feijão e tomate.

Segundo ele, municípios como Jussara e Santa Fé de Goiás têm se destacado na produção de melancia. “Santa Fé virou um grande polo produtor de melancia”, afirmou. Ademar Leal também disse que produtores estudam a viabilidade do cultivo de café na região, embora os projetos ainda estejam em fase inicial.
Ao explicar o conceito de fronteira agrícola, o secretário afirmou que o processo envolve a transformação de áreas tradicionalmente voltadas à pecuária em regiões de produção agrícola intensiva.
Ainda em consórcio com a pecuária, que é o caso da região, você deixa aquelas terras que eram pastagens degradadas e as convertem em áreas de muita produtividade, afirmou.
Segundo ele, o avanço tecnológico, a adaptação de variedades agrícolas e o trabalho de pesquisa desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) ajudaram a viabilizar a expansão agrícola no Vale do Araguaia. “Nós tivemos a oportunidade de produtores ganharem dinheiro naquela região que até então era 100% destinada à pecuária”, concluiu.

Britânia contribuiu para o fortalecimento da região
A prefeita de Britânia, Maria do Desterro (PL), afirmou ao Jornal Opção que o Vale do Araguaia vive um processo de fortalecimento da agricultura e deve se consolidar como uma das principais fronteiras agrícolas de Goiás nos próximos anos.
Segundo ela, a combinação de clima, disponibilidade de água e qualidade do solo tem atraído investimentos em lavouras irrigadas e ampliado a produção de grãos na região.
“O Vale do Araguaia é um celeiro de riqueza, por diversas razões: solo, água. Tudo aqui é favorável, principalmente para a agricultura. Tem muita gente investindo em agricultura irrigada por aqui”, disse.
A prefeita afirmou que a economia de Britânia ainda é sustentada pela agropecuária, mas destacou que a agricultura ganhou força nos últimos anos. “No passado era mais voltado para a pecuária, mas hoje eu vejo que já tem muita lavoura. Acho que houve um fortalecimento da agricultura nos últimos oito anos”, afirmou.
Segundo Maria do Desterro, o município possui produção relevante de soja, milho e, principalmente, feijão. Ela citou produtores e propriedades rurais que vêm expandindo o cultivo agrícola na região.
Apesar do avanço da produção agrícola, a prefeita reconheceu que a infraestrutura ainda é um dos principais entraves ao desenvolvimento da região, especialmente na área energética.
Energia ainda é um grande desafio. Esse pessoal todo que está produzindo aqui tem muita dificuldade com essa questão. Poderia produzir muito mais se tivesse energia. E, no período mais quente, isso se intensifica, afirmou.
Maria do Desterro disse, no entanto, acreditar em melhorias futuras no setor energético e destacou que o problema não é exclusivo de Britânia. “Não é um problema isolado daqui, é uma questão nacional”, avaliou.
Na área logística, a prefeita citou como principal obra para o escoamento da produção a construção de uma ponte, por meio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). A estrutura será construída na GO-324, na região entre o Lago do Tigre e Água Limpa.
“Essa ponte vai beneficiar demais a questão do escoamento, porque hoje tem que dar uma volta muito grande”, afirmou. De acordo com a prefeita, o consórcio responsável pela obra já iniciou a instalação do canteiro para o começo da construção.
Ela afirmou ainda que o governo estadual melhorou as condições das rodovias na região nos últimos anos. “Temos que reconhecer que esse governo melhorou realmente as estradas. É bem melhor do que foi no passado”, disse.
Embora Britânia tenha potencial turístico, Maria do Desterro afirmou que o setor ainda não sustenta a economia local. “Estamos tentando resgatar esse potencial turístico que a cidade apresenta, mas as pessoas não sobrevivem disso aqui. É da agropecuária mesmo”, declarou.
Ao final da entrevista, a prefeita defendeu maior atenção do poder público ao Vale do Araguaia e reiterou o potencial econômico da região. “Se tem um lugar que ainda pode desenvolver no Brasil é o Vale do Araguaia porque ainda tem muita coisa para ser explorada aqui”, concluiu.

Visão dos produtores
O avanço da agricultura no Vale do Araguaia já deixou de ser apenas uma promessa e se consolidou como realidade, segundo o presidente da Associação dos Produtores do Vale do Araguaia de Agricultura Sustentável (Aprova), Antônio Celso Barbosa Lopes. A sede da instituição fica em Britânia.
Em entrevista ao Jornal Opção, o produtor afirmou que a região vive uma “expansão gigantesca” nos últimos anos, impulsionada principalmente pela migração de áreas de pecuária extensiva para a agricultura irrigada.
“Já é uma realidade. A expansão aqui é gigantesca nos últimos anos”, afirmou Celso. Segundo ele, o crescimento da produção tem revelado problemas estruturais históricos da região, especialmente relacionados à armazenagem de grãos, energia elétrica e infraestrutura viária.
“O déficit de armazenagem que tem aqui é o maior gargalo que nós temos hoje aqui”, disse. “Nós estamos criticamente prejudicados, nós não temos armazém para depositar a mercadoria.”
O dirigente relatou que a demanda crescente por energia elétrica também se tornou um obstáculo para a expansão agrícola. Segundo ele, algumas parcerias entre produtores rurais e a concessionária de energia ajudaram a amenizar o problema.
“Fizeram algumas parcerias público-privadas, a Equatorial com alguns produtores. Isso está dando uma aliviada, mas realmente é um dos gargalos do crescimento aqui: a energia elétrica”, afirmou.

Apesar das dificuldades estruturais, Celso afirmou que a região continua atraindo investidores do agronegócio, principalmente devido ao potencial da agricultura irrigada e ao custo ainda considerado acessível das terras.
“O solo aqui é bem pobre, mas ele é bem plano, ele é bem agricultável”, explicou. “O apelo aqui é a agricultura irrigada. Nós temos abundância de água.” Segundo ele, o custo-benefício da região ainda é considerado vantajoso pelos produtores.
“As terras aqui não são muito caras. Esse é o atrativo principal do pessoal vir para cá ainda”, disse. O presidente da associação destacou que o Vale do Araguaia vive um processo acelerado de transformação econômica.
“É uma região que está migrando da pecuária extensiva para a agricultura. É incrível isso”, afirmou. Mesmo com as dificuldades, o dirigente afirmou acreditar no potencial econômico e disse que o setor segue otimista com o futuro do Vale do Araguaia. “A gente está acreditando muito na região”, concluiu.

De acordo com os dados apresentados pela associação, a região respondeu, na safra 2024/2025, por 7,16% da área plantada de milho em Goiás e 15,16% da área de soja do Estado. A produção total estimada foi de 947,4 mil toneladas de milho e 2,09 milhões de toneladas de soja.
O levantamento aponta que os 42 municípios que compõem o Vale do Araguaia possuem, atualmente, 85 unidades armazenadoras cadastradas na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com capacidade total de 1,67 milhão de toneladas.
O volume representa apenas 54,9% da produção regional de milho e soja da safra 2024/2025, estimada em mais de 3 milhões de toneladas. O documento da Aprova aponta também que toda a região estudada representa somente 9,1% da capacidade total de armazenagem de Goiás e 11,1% do número de unidades armazenadoras cadastradas no Estado.

Segundo a associação, a insuficiência logística compromete a competitividade do agronegócio regional e aumenta os custos de produção. “A implantação dessa unidade representará um importante avanço para o fortalecimento do setor produtivo regional, proporcionando redução dos custos logísticos, maior segurança no armazenamento e escoamento da produção”, afirma o ofício encaminhado pela Aprova.
O documento foi elaborado para defender a instalação de uma unidade de armazenagem e suprimento de grãos em Santa Fé de Goiás.

Em entrevista ao Jornal Opção, o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO), Clodoaldo Calegari, corroborou com os demais entrevistado ao afirmar que o Vale do Araguaia Goiano já se consolidou como uma das principais fronteiras agrícolas do Estado, mas ainda enfrenta gargalos estruturais que limitam o avanço da produção, especialmente na área de energia elétrica.
Segundo Calegari, a região já responde por mais de 10% da produção de soja de Goiás e por cerca de 15% da safra de milho. “O Vale do Araguaia de Goiás já é uma realidade. Hoje responde por algo em torno de 10% da soja do Estado e talvez algo próximo a 15% do milho, mas ainda há muito que crescer”, afirmou.
Embora a soja seja a principal cultura da região, o dirigente destacou a diversificação da produção agrícola. Entre as alternativas, ele citou o milho safrinha, o sorgo, o feijão e os sistemas integrados de lavoura e pecuária.
“O produtor planta soja e, após a colheita, semeia braquiária ou outro tipo de capim e coloca o bezerro na área. Esse animal pastoreia por três ou quatro meses e depois é terminado em confinamento ou em pastagem reservada”, explicou.
“Existe essa integração entre lavoura e pecuária com muita força e crescimento.” De acordo com o presidente da Aprosoja-GO, o potencial de expansão agrícola no Vale do Araguaia ainda é elevado.
A estimativa é de que cerca 2 milhões de hectares, atualmente ocupados por pecuária extensiva, possam ser convertidos em áreas agrícolas ao longo dos próximos anos. “Estimamos que isso poderia acontecer. Talvez, imediatamente, 1/4 disso já possa virar lavoura em poucos anos”, disse.

Apesar do potencial, Calegari afirma que o principal obstáculo para o crescimento da região é a deficiência energética. “A questão energética é o grande gargalo limitador”, ressaltou. Segundo ele, há um esforço conjunto entre o governo estadual, entidades representativas do agronegócio e o Ministério de Minas e Energia para ampliar a infraestrutura elétrica na região.
Um dos avanços, conforme relatou, foi a realização de um leilão para implantação de um ponto de suprimento de energia em Matrinchã, que deve atender municípios da parte baixa do Vale do Araguaia, como Jussara, Santa Fé de Goiás e Britânia.
“Estamos tentando trabalhar para colocar isso no leilão de outubro ou novembro deste ano, para que não fique para março do ano que vem”, afirmou. “Entre sair o leilão e executar as obras de transmissão e distribuição há um espaço de alguns anos, e isso pode retardar o avanço do Vale.”
Além da energia, o dirigente citou a necessidade de melhorias na malha viária e ampliação da capacidade de armazenagem de grãos. “Há poucas indústrias para consumo em regiões próximas, então a armazenagem pesa muito para o produtor”, explicou.
Calegari também destacou a importância logística da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), que deve se conectar à Ferrovia Norte-Sul em Mara Rosa. Segundo ele, a chegada da ferrovia pode transformar Goiás em um polo multimodal para escoamento da produção agrícola.
“Com o avanço da energia, acreditamos que é possível permitir que Goiás tenha, quem sabe, um pátio de manobras e uma plataforma multimodal de conexão com a Norte-Sul”, afirmou.
Apesar do cenário promissor, o presidente da Aprosoja-GO reconheceu que o setor enfrenta dificuldades econômicas. Ele citou o aumento dos custos de produção, especialmente com fertilizantes, combustíveis e energia, além da queda nos preços internacionais das commodities agrícolas.
“Hoje a nossa conta não fecha. Temos juros muito elevados e dificuldade de acesso ao crédito”, declarou. “Talvez isso atrase um pouco os investimentos, mas a médio prazo essa realidade não deve mudar.”
Para Calegari, o Vale do Araguaia segue como uma das principais apostas para a expansão agrícola brasileira. “Hoje o Vale do Araguaia de Goiás é tido como uma das grandes fronteiras agrícolas que o Brasil pode implementar para produção de alimentos para o mundo”, concluiu.

Exemplo do Matopiba
O termo nova fronteira agrícola refere-se a áreas de expansão recente da produção, geralmente a partir da conversão de pastagens pouco produtivas em lavouras comerciais com auxílio de tecnologias modernas.
O exemplo mais conhecido no país é o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia). Como nele, o Vale do Araguaia se destaca por atrair migrantes do agro tradicional. A Embrapa observa que, em novas fronteiras, “o preço baixo das terras” e a topografia “plana” aliadas a avanços tecnológicos e sementes adaptadas viabilizam a produção de soja, milho, algodão, em áreas antes degradadas.

Geograficamente, o Vale do Araguaia engloba 11 municípios goianos: Araguapaz, Aruanã, Britânia, Crixás, Faina, Matrinchã, Mozarlândia, Mundo Novo, Nova Crixás, São Miguel do Araguaia, Uirapuru, e se estende a partes do Mato Grosso, Tocantins e Pará.
Em Goiás, é um cinturão de grãos: hoje já responde por cerca de 10% da soja e 15% do milho do Estado. Os números são da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg), apresentados ainda em 2025. Sete municípios da região concentram a maior parte da produção estadual de feijão.

Dados da Aprova apontam 20 mil hectares de feijão irrigado na região, com produtividade média de cerca de 50 sacas por hectare. Além da soja e milho, há feijão, arroz irrigado, e até frutas voltadas para exportação em estudo pela McKinsey.
Em três anos, o Vale ganhou cerca de 70 mil hectares de soja nova, segundo empresários locais. Outra vantagem é o potencial hídrico: com irrigação adequada, plantios em pastos degradados podem ter produtividades até três vezes maiores do que sem água extra.
Estatísticas oficiais confirmam o fôlego do Vale. Em 2023, Goiás bateu recorde de produção agrícola (114,6 milhões de toneladas totais) e respondeu por 10,7% do total nacional, índices majoritariamente sustentados pelo Centro-Oeste. Embora o Vale do Araguaia ainda seja pequena parte desse volume, o ritmo de expansão, com crescimento anual de 35% desde 2019, é notável.

| Indicador | 2020 | 2025 (proj.) | Fonte |
|---|---|---|---|
| Área plantada de soja (ha) no Vale | ~150 mil¹ | ~220 mil¹ | Produtores locais (Aprova) |
| Produção de soja (t) no Vale | ~ 0,5 mi¹ | ~0,8 mi¹ | Produtores / IMB (projeção) |
| Safra total de Goiás (t) | 104 mi² | 115 mi (2023)² | IBGE/LSPA |
| Preço médio da terra arável em Goiás (R$/ha) | 7.000³ | (estável)³ | Media Fundação Getúlio Vargas⁴ |
| PIB do agro em Goiás (R$) | ~18 bi² | (em alta)² | SEAPA (estimativa) |
| Empregos no agro em Goiás | 300 mil² | +5% vs 2020² | IBGE/PNAD Agrícola (2020)⁵ |

Em 2025 a Fieg apresentou o estudo “Oportunidades e Desafios para o Desenvolvimento do Vale do Araguaia”, elaborado pela consultoria McKinsey. O levantamento analisou solo, clima, logística e mercados, ressaltando a vocação exportadora da região.
Em eventos públicos, o presidente da Fieg, André Rocha, tem citado referências históricas: lembra que a cidade de Rio Verde só explodiu após atração de indústria de alimentos na década de 1990, e compara a atual potencialidade do Vale do Araguaia com aquele caso pioneiro.
O governo de Goiás tem anunciado obras na região. Desde 2023 foram inaugurados vários trechos de rodovia (GO-336, GO-156, GO-454, ponte em Araguapaz) e seguem projetos em execução (melhorias na GO-164 e GO-244.
Na área de serviços sociais, o Vale recebeu até uma policlínica regional em Mozarlândia (R$20,5 mi) e programas de patrulhamento mecanizado para assistência rural.
Gargalo crítico unânime: energia elétrica
A situação é agravada por um impasse entre concessionárias. A Equatorial Energia e a EDP Brasil divergem sobre a responsabilidade pelo fornecimento em determinadas áreas do Vale, o que, na prática, tem atrasado a expansão da rede.
A Equatorial Goiás afirmou, em nota enviada ao Jornal Opção, que os problemas no fornecimento de energia no Vale do Araguaia estão relacionados à localização da região, que está no “final do sistema de distribuição”, distante dos principais pontos de suprimento de energia elétrica do Estado. [Confira a nota na íntegra ao final da reportagem]
“Na prática, isso significa que o fornecimento depende de longas linhas de transmissão, com menor redundância e menor flexibilidade operacional, o que pode tornar o sistema mais sensível a oscilações e interrupções”, estaca um trecho da nota.
A empresa sustenta que a solução definitiva depende da implantação de um novo ponto estruturante de suprimento de energia para a região. A obra será executada pela EDP, vencedora de um leilão realizado pelo Governo Federal em outubro do ano passado.
De acordo com a Equatorial, a nova infraestrutura permitirá ampliar a capacidade e a confiabilidade do fornecimento de energia no Vale do Araguaia. Enquanto a obra não é concluída, a concessionária afirma que mantém ações de manutenção, modernização e reforço da rede elétrica.
A distribuidora informou ainda que já investiu mais de R$ 6,8 bilhões em expansão, modernização e reforço do sistema elétrico em Goiás, incluindo construção de subestações, novos alimentadores, ampliação de redes e substituição de equipamentos antigos.
A empresa destacou também os investimentos realizados na regional de Iporá, responsável por atender municípios do Vale do Araguaia. Segundo a concessionária, no primeiro trimestre de 2026 foram executadas 17.362 obras na região, número superior ao inicialmente previsto.
A Equatorial afirmou ainda que os indicadores da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontaram 2025 como o melhor ano da série histórica em Goiás em relação à duração e frequência de interrupções no fornecimento de energia. Segundo a empresa, houve redução de reclamações registradas em canais de atendimento e órgãos de defesa do consumidor.

A EDP rebateu a Equatorial Goiás sobre os problemas no fornecimento de energia no Vale do Araguaia e afirmou que sua atuação no Estado se restringe à transmissão de energia, enquanto a responsabilidade pela distribuição é da concessionária responsável pelo atendimento aos consumidores.
Ao Jornal Opção, a empresa explicou que transmissão e distribuição são etapas diferentes do sistema elétrico. “A transmissão é justamente o processo que faz o intermédio entre a geração de energia e a distribuidora, que acaba levando a energia para a casa das pessoas”, afirmou em nota.
Segundo ela, a transmissão corresponde às linhas de alta tensão e subestações que transportam energia das usinas até as redes das distribuidoras. Já a distribuição envolve a entrega da energia ao consumidor final. “Distribuição é tudo aquilo que chega na tomada da sua casa”, disse.
O representante também demonstrou estranheza com a declaração da Equatorial de que a solução para o Vale do Araguaia dependeria exclusivamente das obras conduzidas pela EDP. “O que estou achando estranho é justamente a Equatorial dizer que nós somos responsáveis pela distribuição de energia, quando não é”, afirmou.

Questionada se a infraestrutura de transmissão já estaria disponível para atendimento da distribuidora, ele respondeu que os projetos estão em andamento e reforçou que a EDP atua apenas na etapa de transmissão.
“A Equatorial é responsável pela distribuição de energia. Nós somos apenas a transmissão”, declarou. A EDP atua em Goiás desde 2022, quando assumiu a gestão da Celg T após vencer um leilão no valor de R$ 2,1 bilhões. O portfólio da empresa no Estado inclui 756 quilômetros de linhas de transmissão e 14 subestações.
Segundo a companhia, mais de R$ 480 milhões já foram investidos até 2025 em modernização e expansão da infraestrutura de transmissão em Goiás. Em agosto do ano passado, a empresa anunciou um novo pacote superior a R$ 400 milhões para obras entre 2025 e 2027.
Entre as intervenções previstas estão instalação de sistemas de teleproteção, alteamento de linhas, substituição de equipamentos, ampliação da capacidade de subestações e implantação de cabos de fibra óptica em nove linhas de transmissão, totalizando 473 quilômetros de cobertura.
A companhia afirma que os investimentos devem ampliar a confiabilidade do sistema elétrico, reduzir falhas e interrupções e aumentar a capacidade de carga da rede, incluindo regiões como o Vale do Araguaia. “Estamos investindo para que Goiás tenha uma rede de transmissão mais segura, digital e preparada para o futuro”, informou a empresa em nota.
A reportagem voltou a questionar a Equatorial, que informou que não disse sobre a EDP ser responsável por distribuir energia, mas sim responsável pela construção, da infraestrutura e sobre ter ganhado leilão. A empresa esclareceu que segue com a mesma nota.

O Ministério de Minas e Energia (MME) informou, em nota ao Jornal Opção, que o governo federal prevê a implantação de novas subestações em Mundo Novo como parte de um pacote de obras voltado ao reforço do sistema elétrico no noroeste de Goiás e no Vale do Araguaia.
As intervenções fazem parte de estudos elaborados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Segundo a pasta, o principal eixo do projeto é a criação da Subestação Mundo Novo 2, com capacidade de 230/138 kV, considerada estratégica para ampliar a oferta de energia e garantir maior estabilidade ao fornecimento na região.
O investimento total previsto é de R$ 1,93 bilhão, sendo R$ 1,56 bilhão destinados à rede básica e de fronteira e outros R$ 360,77 milhões para obras de distribuição. De acordo com o MME, o planejamento integra um conjunto de ações voltadas à expansão da infraestrutura energética em Goiás, incluindo obras já contratadas nos leilões de transmissão realizados em 2025 e 2026.
Os projetos foram definidos a partir de estudos técnicos que apontaram gargalos no atendimento ao Oeste e ao Noroeste Goiano, áreas que vêm registrando crescimento da produção agropecuária e aumento da demanda por energia.
O estudo da EPE prevê que, em 2027, seja realizada a licitação de um novo ponto de suprimento regional na área de transmissão. O plano inclui a implantação das subestações Mundo Novo 2, em Goiás, e Cocalinho, em Mato Grosso, além de linhas de transmissão interligando Itapaci, Mundo Novo, Nova Crixás e São Miguel do Araguaia aos novos empreendimentos energéticos.
Além da Subestação Mundo Novo 2, os estudos também contemplam a construção da Subestação Mundo Novo 3 e a ampliação da malha energética regional. O projeto inclui a instalação de novos transformadores de 50 MVA para reforçar a estabilidade de tensão e ampliar a capacidade de atendimento nas cidades do Vale do Araguaia.
Ainda segundo o ministério, a Subestação Cocalinho 2, em Mato Grosso, também integra o planejamento para otimizar o fornecimento de energia nas áreas de divisa entre os dois estados.
O MME informou que os projetos estão atualmente em fase de detalhamento técnico. Após essa etapa, as obras deverão ser incorporadas ao Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (POTEE) e posteriormente leiloadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Nota da Equatorial na íntegra:
“A Equatorial Goiás esclarece que a região do Vale do Araguaia está localizada no final do sistema de distribuição, distante dos principais pontos de suprimento de energia. Na prática, isso significa que o fornecimento depende de longas linhas de transmissão, com menor redundância e menor flexibilidade operacional, o que pode tornar o sistema mais sensível a oscilações e interrupções.
A solução definitiva para ampliar a oferta e a qualidade da energia na região está vinculada à implantação de um novo ponto estruturante de suprimento, viabilizado por leilão conduzido pelo Governo Federal. O certame foi realizado em outubro do ano passado e teve como vencedora a EDP, responsável pela construção da infraestrutura que permitirá a injeção de energia no sistema da distribuidora.
A companhia reforça que a conclusão dessa obra é essencial para fortalecer o atendimento no Vale do Araguaia, ampliando a confiabilidade e a capacidade de distribuição. Enquanto isso, segue executando ações contínuas de manutenção, modernização e reforço da rede.
Os investimentos em expansão, reforço e modernização da rede superam R$ 6,8 bilhões, com a incorporação de milhares de quilômetros de novas redes, além da construção e ampliação de subestações, novos alimentadores e substituição de equipamentos antigos por novos e mais modernos. Essas intervenções fazem parte do plano de reconstrução e modernização do sistema, e seu andamento pode ser acompanhado em tempo real pela população por meio do portal Trabalhômetro: https://trabalhometroequatorialgo.com.br/, plataforma pioneira entre companhias de energia do país.
No primeiro trimestre de 2026, apenas na regional de Iporá, que abrange municípios do Vale do Araguaia, foram realizadas 17.362 obras, superando em 519 o volume inicialmente planejado para o período. Em 2025, o desempenho também ficou acima da expectativa: a previsão era de 128.818 obras, mas a execução foi 60% superior ao planejado.
Em paralelo, os dados mais recentes da Agência Nacional de Energia Elétrica confirmam que 2025 foi o melhor ano da série histórica para Goiás, com 12,66 horas no DEC e 5,87 vezes no FEC – os menores índices já registrados desde 2001, refletindo menos tempo e menor frequência de interrupções para os clientes. Como reflexo, entre 2023 e 2025, a Equatorial Goiás registrou redução de 34% nas reclamações em 1º nível, 14% na Ouvidoria e 41% nas demandas junto ao Procon, além de alcançar índice médio de retenção de 95% no atendimento presencial do Procon Goiás em 2025, evidenciando a evolução na qualidade do serviço e no relacionamento com os clientes.”
Nota da EDP
“A EDP, empresa que atua em todos os segmentos do setor elétrico brasileiro, atua em transmissão no estado de Goiás desde 2022, quando assumiu a gestão da Celg T, adquirida em leilão por R$ 2,1 bilhões. O portfólio inclui 756 quilômetros de linhas de transmissão e 14 subestações. Desde então a EDP já destinou mais de R$ 480 milhões em investimentos até 2025, em um plano contínuo de modernização e expansão de sua infraestrutura.
Em agosto do ano passado, anunciamos um investimento de mais de R$ 400 milhões na ampliação e modernização da infraestrutura de transmissão de Goiás entre 2025 e 2027. Este ano, os aportes estão direcionados para reforços e melhorias como a instalação de teleproteção, alteamento de linhas, substituição de equipamentos e ampliação de capacidade em subestações estratégicas – especialmente as localizadas na região metropolitana (Goiânia Leste, Xavantes, Anhanguera e Pirineus) e no norte do estado (Itapaci). Já nos próximos anos, o foco será na digitalização das subestações e em novos pontos de conexão.
As obras trarão maior confiabilidade e segurança operacional, reduzindo falhas e interrupções, além de ampliar a eficiência do sistema, com maior capacidade de carga, flexibilidade e menores perdas elétricas. Entre os destaques está a instalação de cabos de fibra ótica em nove linhas de transmissão da EDP em Goiás, o equivalente a 473 km de cobertura. Esses incrementos reforçam a confiabilidade da rede elétrica, além de ampliar a infraestrutura de fibra ótica no estado, essencial para a nova economia.
Estamos investindo para que Goiás tenha uma rede de transmissão mais segura, digital e preparada para o futuro. As obras em execução reduzem falhas, aumentam a eficiência e ampliam a integração do sistema, enquanto contribuem, também, com a conectividade do estado. Com isso, criamos as bases para impulsionar desde a transição energética até o fomento de novos polos de tecnologia que dependem de energia estável e comunicação de alta capacidade.
Todas essas obras e contribuem para o desenvolvimento socioeconômico da região, incluindo o Araguaia, conhecida por seu potencial turístico e agropecuário. O nosso foco é darmos andamento a um planejamento rigoroso, com uma execução consistente, para que o estado tenha uma rede de transmissão cada vez mais robusta e preparada para o futuro.”
Nota do MME na íntegra:
“O Ministério de Minas e Energia (MME) informa que tem o compromisso com o fortalecimento da infraestrutura energética de todo o país. Só para o estado de Goiás, existe um plano de obras para reforçar o sistema elétrico na região noroeste, além dos leilões já realizados em 2025 e 2026, que contam com obras focadas no oeste do estado, realizados com base nos estudos realizados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
O atendimento específico ao Vale do Araguaia está previsto no Estudo de Atendimento à Região Noroeste de Goiás, da EPE, que identificou soluções estruturantes com a criação da Subestação Mundo Novo 2 (230/138 kV). O investimento total previsto é de R$ 1,93 bilhão, sendo R$ 1,56 bilhão para rede básica e de fronteira e R$ 360,77 milhões para obras de distribuição.
Para o ano de 2027, o estudo já prevê a licitação na área de transmissão para um novo ponto de suprimento regional, com a implantação das subestações Mundo Novo 2 (GO) e Cocalinho (MT), além das linhas de transmissão conectando Serra da Mesa, Itapaci, Mundo Novo 2, Cocalinho e Canarana.
Além disso, o estudo da EPE prevê a construção da Subestação Mundo Novo 3 e ampliação da malha para as subestações de Nova Crixás e São Miguel do Araguaia, incluindo novos transformadores (50 MVA) para garantir a estabilidade de tensão, e a implantação da Subestação Cocalinho 2 (MT) para otimizar o atendimento nas divisas estaduais.
Os projetos estão na fase de detalhamento técnico. Após esta etapa, as obras serão incorporadas ao Plano de Outorgas (POTEE) e leiloadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).”
Leia também:

