Combate às superbactérias leva governo a banir cinco antimicrobianos na pecuária
05 maio 2026 às 17h06

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O uso de melhoradores de desempenho à base de antimicrobianos relevantes para a medicina humana e veterinária está proibido no Brasil. A medida veta a utilização, importação, fabricação e comercialização desses produtos, antes empregados para acelerar o ganho de peso e prevenir doenças no gado, mas associados ao aumento do risco de surgimento de bactérias resistentes.
Entre os compostos proibidos pela Portaria SDA/Mapa nº 1.617 estão avoparcina, bacitracina, bacitracina de zinco, bacitracina metileno dissalisilato e virginiamicina. A norma estabelece que substâncias já fabricadas ou importadas antes da publicação poderão ser utilizadas por até 180 dias. As empresas com registro desses produtos devem comunicar o Mapa em até 30 dias; após esse prazo, os estoques remanescentes deverão ser recolhidos.
A medida acelera uma mudança estrutural na pecuária brasileira, exigindo que produtores adotem alternativas que não representem riscos à saúde humana e animal. De acordo com o zootecnista e gestor comercial da Nutriganho, Fernando Carlos, o setor já vinha se antecipando a esse cenário, com investimentos em soluções nutricionais sem o uso de antibióticos.
“Existem tecnologias que permitem manter o desempenho sem recorrer a esses ativos, como o uso de óleos essenciais e taninos. São estratégias que atuam no equilíbrio ruminal e na saúde do animal de forma mais sustentável”, explicou.
Segundo ele, esse movimento não é recente. “Há mais de duas décadas, já existem operações que optaram por não utilizar esses aditivos, focando em nutrição mais eficiente e manejo. Agora, a tendência é de expansão com a nova regra”, afirmou.
Além do aspecto sanitário, a decisão também acompanha exigências do mercado internacional, onde cresce a demanda por produtos de origem animal com restrições ao uso de antimicrobianos. A expectativa é de que a medida estimule o desenvolvimento de novas tecnologias nutricionais.
“O setor passa por uma evolução. A produtividade continua sendo importante, mas cada vez mais associada à qualidade, à segurança alimentar e à sustentabilidade”, concluiu o especialista.
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