Trabalhadores de cooperativas recebem salários maiores e permanecem mais tempo nos empregos em Goiás
05 junho 2026 às 12h29

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Empregados de cooperativas em Goiás recebem salários mais altos e trocam menos de emprego do que trabalhadores de empresas de outros segmentos. É o que mostra um levantamento realizado pela Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape), da Universidade Federal de Goiás (UFG), com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego.
Segundo o estudo, um trabalhador de cooperativa vinculada ao Sistema OCB/GO recebeu, em média, R$ 2.987 por mês em 2023. O valor é R$ 1.046 superior à remuneração média registrada nas demais empresas goianas, que ficou em R$ 1.941.
A pesquisa também identificou menor rotatividade entre os profissionais do setor. Enquanto as cooperativas registraram menos de 40 substituições de trabalhadores por ano, as empresas não cooperativistas apresentaram média de 51,6 trocas anuais no mesmo período analisado, entre 2019 e 2023.
A retenção de profissionais tem se tornado um desafio para empresas de diversos setores. Nesse cenário, representantes do cooperativismo atribuem parte dos resultados a modelos de gestão focados na participação dos colaboradores e no desenvolvimento profissional.
“Hoje, um dos nossos grandes diferenciais é o cuidado com as pessoas. Trabalhamos continuamente para construir um ambiente organizacional que conjugue bem-estar e produtividade”, afirma o presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira.
Nos últimos anos, cooperativas goianas também passaram a figurar em rankings de qualidade do ambiente de trabalho. Entre elas estão Sicoob Engecred, Sicoob Emprecred e Sicoob Unicentro Norte BR, reconhecidas pela consultoria Great Place to Work (GPTW) entre as melhores empresas para trabalhar da região Centro-Oeste. Outras cooperativas, como Sicredi, Unimed Cerrado, Sicoob Unicentro BR e Central Sicoob Uni, também receberam certificações em diferentes edições da premiação.
Na avaliação de gestores do setor, a construção de ambientes mais participativos passa pela adoção de mecanismos permanentes de diálogo com os colaboradores.
Na Uniodonto Goiânia, pesquisas de clima organizacional, reuniões com lideranças e canais de feedback são utilizados para orientar mudanças internas.
“As informações levantadas servem como base para a implementação de melhorias, sempre alinhadas aos valores do cooperativismo e às necessidades dos colaboradores”, afirma a gerente de Gestão de Pessoas da cooperativa, Renata Borges.
No Sicoob Engecred, a política de desenvolvimento profissional inclui bolsas de estudo, apoio para certificações e participação em eventos técnicos. De acordo com a gerente da Área de Gente, Gestão e Cultura, Lígia Maria Pires Alencar do Vale, a cooperativa registrou mais de 60 horas de treinamento por colaborador em 2025.
Para a colaboradora Saula Yanka Brito, o incentivo à formação profissional faz diferença na trajetória dos trabalhadores. “Percebo que o Sicoob Engecred compreende que investir na capacitação dos colaboradores gera melhores resultados e, por isso, não mede esforços para promover esse desenvolvimento”, relata.
A mesma lógica é adotada na Unimed Cerrado. Segundo a gerente de Desenvolvimento Humano, Lina Souza de Oliveira, o modelo cooperativista favorece a participação dos trabalhadores nas decisões e fortalece a relação com as lideranças.
“O cooperativismo orienta uma forma de gestão baseada em corresponsabilidade, diálogo e construção coletiva. Isso fortalece a relação entre lideranças e colaboradores e amplia os espaços de escuta”, afirma.
Para a assistente de Mercado Maria Luisa Sousa Peres, a valorização das pessoas impacta diretamente o engajamento das equipes. “A valorização das pessoas, o incentivo ao diálogo e o suporte oferecido aos colaboradores fazem com que nos sintamos parte importante dos resultados da organização”, destaca.
Os dados da UFG indicam que esse modelo de gestão pode ter reflexos não apenas no ambiente corporativo, mas também em indicadores concretos do mercado de trabalho, como remuneração e permanência dos profissionais nas empresas.
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