Goiânia é a 2ª capital do país mais preocupada com enchentes
05 junho 2026 às 11h50

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Um estudo feito e divulgado nesta semana pelo Instituto Cidades Sustentáveis mostrou que 50% dos moradores da capital goianiense apontaram as enchentes e alagamentos como os principais problemas ambientais da cidade. O levantamento mostrou ainda que esse percentual colocou Goiânia na segunda colocação entre as as 10 capitais mais pesquisadas, ficando atrás apenas de Porto Alegre, onde o índice chega a 64%.
Esse resultado evidencia uma virada de chave na percepção pública sobre os impactos reais da urbanização e da crise climática. No cenário nacional, o receio de ter a casa invadida pela água superou preocupações históricas, como a poluição do ar. Ao todo, 39% dos entrevistados no país elegeram os alagamentos como o principal gargalo ambiental de suas cidades, um salto de sete pontos percentuais em comparação ao levantamento anterior.

Em Goiânia, o temor da população não é infundado e encontra amparo em um crônico déficit de engenharia urbana. Relatórios recentes apontam que a capital goiana convive hoje com mais de uma centena de pontos críticos de inundação e dezenas de áreas mapeadas sob risco hidrológico e geológico. O diagnóstico reforça a pressão sobre o poder público por investimentos urgentes e contínuos em obras de macrodrenagem e políticas de prevenção.
O calor excessivo ainda é o principal impacto das mudanças climáticas na vida dos goianienses (29%), mas houve queda em relação ao ano anterior (49%). Em compensação, cresceu a preocupação com o preço dos alimentos (de 8% para 19%).
Entre as medidas que os moradores querem ver da prefeitura, o destaque foi o salto de 29% para 48% na defesa de construções sustentáveis — crescimento de 19 pontos, um dos maiores da pesquisa.
Queimadas
As queimadas continuam entre as principais preocupações ambientais dos moradores de Goiânia. De acordo com a pesquisa “Viver nas Cidades”, 31% dos entrevistados citaram o problema como um dos mais relevantes para a capital goiana, um dos maiores índices registrados entre as dez capitais analisadas. O percentual coloca Goiânia atrás apenas de cidades localizadas na Amazônia Legal, onde os incêndios florestais e a degradação ambiental costumam ter maior visibilidade e impacto direto na população.
O dado chama atenção por refletir uma realidade recorrente no Cerrado, especialmente durante os períodos de estiagem, quando o aumento dos focos de incêndio compromete a qualidade do ar e afeta a saúde da população. A preocupação dos goianienses também revela uma percepção crescente dos efeitos das mudanças climáticas e da necessidade de ações mais efetivas de prevenção e combate ao fogo, tanto em áreas urbanas quanto nas regiões de preservação ambiental que cercam a capital.
Estudo
Ao todo, foram ouvidos 3,5 mil moradores de dez capitais brasileiras entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. O levantamento avaliou a percepção da população sobre os principais problemas ambientais e os impactos das mudanças climáticas nas cidades.
Além do território goiano e da capital gaúcha, o sinal de alerta acendeu forte em outras grandes metrópoles. Em Belo Horizonte, o índice chegou a 49%, seguido de perto por Recife (41%) e Rio de Janeiro (40%), evidenciando que o colapso do escoamento urbano diante de eventos climáticos extremos virou a nova regra, e a principal cobrança nas maiores cidades do Brasil.
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