Sucessor de Ali Khamenei não comparece ao funeral do pai; irmãos rezam diante dos caixões
05 julho 2026 às 13h55

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A ausência do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, marcou as cerimônias fúnebres de seu pai neste domingo, 5, no segundo dia de homenagens a Ali Khamenei, morto aos 86 anos nos bombardeios conjuntos dos Estados Unidos e de Israel, em 28 de fevereiro. Enquanto três de seus irmãos, Mostafa, Masoud e Meysam, prestavam homenagens diante dos caixões expostos no Grande Mosalá Imam Khomeini, em Teerã, o sucessor designado do regime seguia sem nenhuma aparição pública desde março.
Segundo a agência de notícias Reuters, Mojtaba ficou ferido e desfigurado nos mesmos ataques que deflagraram a guerra no Oriente Médio. Desde então, o novo líder supremo tem se comunicado apenas por meio de mensagens escritas, o que amplia as especulações sobre sua real condição de saúde e sua capacidade de exercer o comando.
Mostafa, de 64 anos, clérigo xiita discreto e filho mais velho de Khamenei, compareceu às cerimônias como uma figura de peso nos círculos religiosos. Masoud, de 52 anos, controla o Escritório para Preservação e Publicação das Obras de Khamenei, uma ampla estrutura de propaganda responsável por zelar pelo legado político e religioso do pai. Meysam, o caçula, de 48 anos, também atuou no órgão, mas mantém perfil público ainda mais reservado.
As cerimônias deste domingo reuniram milhares de fiéis e autoridades de alto escalão, em uma demonstração de devoção ao Estado teocrático. Antes das orações, o poeta Mohammad Rasouli assumiu o microfone e puxou gritos de “Morte aos EUA!” e “Morte a Israel!”. Em seguida, elevou o tom ao lançar a primeira ameaça direta de morte contra o presidente americano durante os funerais.
“Por que o homem mais bastardo do mundo ainda está vivo?”, questionou Rasouli, em referência a Donald Trump.
A multidão respondeu com aplausos e voltou a ovacioná-lo quando o poeta afirmou que “o mundo já não é mais um bom lugar para” Trump. Cartazes e pichações pedindo a morte de Trump e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também ocupavam o Grande Mosalá.
Os caixões de Ali Khamenei, de sua filha, do genro, da nora e da neta de apenas 14 meses permaneceram expostos ao ar livre, sob uma cobertura de vidro, após um dia de câmara ardente reservado a familiares, líderes iranianos e autoridades estrangeiras. A República Islâmica organiza uma semana de procissões em massa, que ainda incluirá a transferência dos restos mortais para locais sagrados xiitas no vizinho Iraque.
Khamenei governou o Irã de 1989 até o ataque aéreo direcionado que encerrou sua trajetória política e mergulhou a região em um novo conflito armado.
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