A pré-candidata do PSB ao Senado por São Paulo, Simone Tebet, reagiu às declarações do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que questionou o fato de ela e Marina Silva (Rede) disputarem uma vaga pelo estado sem terem iniciado suas trajetórias políticas em território paulista.

Em entrevista à CNN na quarta-feira, 9, Tebet respondeu às críticas com uma referência indireta ao próprio histórico do governador. “Sou corintiana, não flamenguista, e pago imposto em São Paulo há dez anos. Não precisei dar endereço alheio para me candidatar”, afirmou.

A declaração faz alusão ao fato de Tarcísio ter nascido no Rio de Janeiro e construído sua carreira técnica antes de ingressar na política paulista, onde foi eleito governador em 2022. Tebet, por sua vez, é natural de Mato Grosso do Sul.

Também na quarta-feira, durante agenda em Campinas (SP), a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva saiu em defesa de Tebet e classificou as críticas do governador como contraditórias. Segundo ela, Tarcísio adota critérios diferentes para homens e mulheres que ingressam na política paulista.

Marina afirmou que o governador utiliza “dois pesos e duas medidas” e sugeriu que há um componente de preconceito de gênero no discurso. Para a ex-ministra, mulheres são frequentemente tratadas como “estrangeiras” quando disputam espaços políticos fora de seus estados de origem, enquanto homens não enfrentam o mesmo tipo de questionamento. Nascida no Acre, Marina atualmente exerce mandato de deputada federal por São Paulo.

As manifestações ocorreram após um evento realizado no interior paulista, no qual Tarcísio criticou as candidaturas de Tebet e Marina ao Senado. Ao lado do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), pré-candidato ao Senado em sua chapa, o governador afirmou que ambas desenvolveram suas carreiras políticas em outros estados e argumentou que elas não escolheram São Paulo para servir à população ao longo de suas trajetórias.

Durante o discurso, Tarcísio declarou que Tebet representou Mato Grosso do Sul e Marina, o Acre, e afirmou que elas teriam perdido espaço político em seus estados de origem. O governador também disse acreditar que as duas não serão eleitas em São Paulo e defendeu que o estado seja representado por candidatos com histórico de atuação local, citando Derrite como exemplo.

As críticas chamaram atenção porque o próprio Tarcísio mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo durante a campanha de 2022, quando foi escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para disputar o Palácio dos Bandeirantes. Na época, ele declarou residência em São José dos Campos. A alteração chegou a ser alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Federal, mas o procedimento foi posteriormente arquivado.

Marina já havia abordado o tema no fim de julho, quando sua candidatura ao Senado foi anunciada na chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT). Na ocasião, afirmou que a tentativa de classificá-la e a Tebet como “forasteiras” revelava uma postura misógina. Segundo ela, homens vindos de outros estados costumam ser recebidos sem resistência, enquanto mulheres enfrentam questionamentos sobre sua legitimidade para disputar cargos eletivos.

A ex-ministra também relembrou sua relação pessoal com São Paulo, afirmando que o estado foi decisivo em momentos críticos de sua vida. Marina contou que recebeu tratamento no Hospital das Clínicas após enfrentar graves problemas de saúde e disse manter um vínculo afetivo com o estado, que considera símbolo de acolhimento para brasileiros de diferentes regiões.

No cenário eleitoral, Marina Silva e Simone Tebet aparecem entre os nomes mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto para as duas vagas ao Senado por São Paulo, à frente dos candidatos apoiados por Tarcísio, André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP). A disputa ocorre paralelamente à eleição para o governo paulista, que volta a colocar frente a frente Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad, adversários no segundo turno de 2022.

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