Às vésperas do Dia dos Namorados, uma reflexão tem ganhado espaço nos consultórios de psicologia: o parceiro continua ocupando papel central na vida amorosa ou se tornou apenas mais um elemento da rotina? A psicóloga Caroline Dias Braga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), afirma que muitos casais têm substituído a conexão emocional pela administração das demandas do dia a dia.

Segundo a profissional, esse comportamento é descrito pelo termo “Síndrome do Parceiro Acessório”. Embora não seja um diagnóstico clínico, a expressão define situações em que o companheiro passa a ser percebido mais pela função que exerce do que pela relação afetiva construída ao longo do tempo.

“O parceiro passa a ser visto mais pela função que exerce do que pela pessoa que é”, explica Caroline. Para ela, o problema nem sempre está relacionado à falta de amor, mas ao espaço cada vez menor reservado para o relacionamento em meio a trabalho, filhos, tarefas domésticas e compromissos cotidianos.

A especialista observa que a dinâmica costuma se intensificar após a formação da família. Questões práticas passam a dominar as conversas, enquanto o interesse genuíno pela vida, pelos sentimentos e pelos projetos do outro perde espaço. “O ‘como você está?’ é substituído por ‘quem busca na escola?’”, resume.

Nos atendimentos, Caroline relata que é comum encontrar casais que funcionam como uma equipe eficiente para resolver problemas, mas que deixaram de cultivar momentos de intimidade e troca emocional. O resultado é um afastamento gradual, muitas vezes sem discussões ou conflitos aparentes.

Entre os sinais de alerta, a psicóloga destaca o desconhecimento sobre os sonhos, preocupações e objetivos atuais do parceiro. Para ela, quando essas informações deixam de fazer parte da convivência, a relação pode estar entrando no chamado “piloto automático”.

A recomendação é investir em atitudes simples para fortalecer o vínculo, como reservar momentos para conversar, compartilhar atividades de lazer, retomar interesses em comum ou criar espaços dedicados exclusivamente ao casal. “O importante é criar oportunidades para que o relacionamento exista além das obrigações”, afirma.

Quando apenas uma das partes percebe o distanciamento, Caroline orienta a busca pelo diálogo e, se necessário, por acompanhamento psicológico. Segundo ela, o suporte profissional pode ajudar a reconstruir a comunicação e compreender as necessidades emocionais envolvidas na relação.

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