Professora da Faculdade de Educação da UFG morre de Covid

“Como docente, era uma professora que se aproximava de seus estudantes, tendo empatia e atendendo-os quando precisavam”

A professora da Universidade Federal de Goiás Maria Emilia de Castro Rodrigues morreu na segunda-feira, 8, em decorrência de complicações derivadas da Covid-19, aos 45 anos.

Maria Emilia: mais uma vítima da Covid-19

Maria Emília, que era professora da Faculdade de Educação, tinha mestrado em Educação para Universidade Federal de Goiás.

Sobre Maria Emilia todos são unânimes: era uma grande mestra, que aliava o conhecimento a uma infinita paciência para ensinar. “É mais uma vítima do descalabro da saúde pública do Brasil”, afirma um professor. “O governo Bolsonaro é apontado como um dos mais irresponsáveis do mundo no combate à pandemia do novo coronavírus”, afirma outro professor.

O sepultamento será na terça, 9, às 16h30, no Cemitério Memorial Parque, em Goiânia. Mas com presença restrita ao seu marido e uma de suas filhas.

Nota divulgada por professora da Faculdade de Educação

A você, Maria Emília, nosso reconhecimento, nosso carinho e nossa saudade.

No meio de tanta dor que nos atravessa, tomo parte do tempo, para falar de Maria Emília. O nosso último adeus era naquele momento um até breve. Ela, delicadamente me deu duas mudas de planta, como sempre fazia. Tão bonitas, tão vistosas, em um vasinho cuidadosamente arrumado por ela. Enfeita a minha mesa e perfuma a minha alma, acalentando a dor de perdê-la em um momento de tantas perdas, da ida de pessoas tão queridas. Me disse que ali resumia a sua vida, as escolhas dali para a frente, como aquela atividade a transportava para uma outra realidade tão verde, tão humana do cuidado com a terra.

Naquela conversa curta eu esquecia que o país tinha 250 mil mortos pela pandemia. Ela iria buscar seus materiais na FE e era difícil para ela essa despedida, porque ali estava uma vida de dedicação e trabalho. Me pus hoje a pensar sobre a brevidade da nossa passagem, da rapidez das coisas e de como pequenas atividades podem ser as últimas. Essa colega tão humilde era uma gigante nas atitudes, na generosidade. Em uma época de tanta maldade, e de sua consequente banalização, Emília tinha gestos doces e um jeito de falar encantador. Tivemos a oportunidade de viajar algumas vezes, e em vários momentos, a conheci como mãe dedicada, esposa amorosa e avó apaixonada pelas suas netas. Como docente, era uma professora que se aproximava de seus estudantes, tendo empatia e atendendo-os quando precisavam. Hoje conversava com um colega, que pessoas como ela não deveriam partir. Ela está nos nossos corações e mentes e tenho orgulho de ter convivido e conhecido essa grande mulher!

Fraternalmente,

Amone Inacia, da Faculdade de Educação da UFG

Leia sobre um presidente que não assume sua responsabilidade

Bolsonaro, a República dos Cemitérios e a dança mortal dos machões

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.