Polícia faz busca e apreensão na casa de Paulo Henrique da Farmácia, presidente da Goiás Turismo
10 junho 2026 às 16h39

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O presidente da Goiás Turismo, Paulo Henrique da Farmácia (Republicanos), foi um dos alvos da operação deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta quarta-feira, 10, que apura um suposto esquema de cobrança de propina para a liberação e renovação de alvarás de eventos culturais em Goiânia durante a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz.
Além de Paulo Henrique, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão contra outros ex-integrantes da administração municipal. A investigação também determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 12 pessoas suspeitas de participação no esquema.
Paulo Henrique da Farmácia foi secretário municipal de Desenvolvimento e Economia Criativa (Sedec) na gestão passada. Atualmente, ocupa a presidência da Goiás Turismo no governo estadual.
O Jornal Opção entrou em contato com Paulo Henrique para solicitar posicionamento sobre a operação e os mandados cumpridos nesta quarta-feira. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Segundo a Polícia Civil, os fatos investigados envolvem ex-servidores comissionados que atuavam em órgãos responsáveis pela análise e emissão de licenças para realização de eventos na capital. Até o momento, não houve prisões.
Em nota, a Prefeitura de Goiânia informou que os fatos apurados ocorreram na administração anterior e não possuem relação com a atual gestão. O município também afirmou que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Relembre o caso
A investigação teve início após a denúncia de um empresário do setor de eventos que relatou ter sido alvo de cobranças ilegais para conseguir autorizações e renovar alvarás de funcionamento em Goiânia.
De acordo com o delegado Danilo Victor Souza, responsável pelo caso, empresários precisariam pagar propina para obter a liberação dos eventos. Em alguns casos, a cobrança ocorria somente após a realização da atividade, quando parte do lucro obtido seria repassada a agentes públicos envolvidos no processo.
“Você podia trabalhar, mas para ter o alvará teria que pagar uma propina. Geralmente esse pagamento ocorria depois da apuração do que a empresa conseguiu lucrar com o evento. Ela tinha que pagar um rateio para agentes públicos envolvidos com o processo de liberação desse evento”, afirmou o delegado.
As investigações também apontam que a vantagem indevida nem sempre era financeira. Conforme os depoimentos colhidos pela Polícia Civil, algumas empresas teriam sido obrigadas a promover eventos gratuitos em locais de interesse da administração municipal como condição para conseguir a autorização de funcionamento.
O principal denunciante relatou prejuízo superior a R$ 400 mil em razão das supostas exigências ilegais. Segundo ele, a situação tornou inviável a continuidade das atividades empresariais na capital.
A Polícia Civil ressalta que o foco da investigação não é o desvio de recursos públicos, mas a suposta prática de corrupção por meio da cobrança de propina para liberar ou renovar alvarás. A operação desta quarta-feira busca reunir novas provas e aprofundar a identificação da participação de cada investigado no esquema.



