Alvo de operação sobre suposta cobrança irregular para renovação de alvarás, Luan Alves diz que “não foi informado e não sabe do que se trata”
10 junho 2026 às 13h02

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Por meio de nota encaminhada à imprensa, o vereador Luan Alves (MDB) disse que, “a Polícia Civil esteve em minha residência cumprindo mandado de busca e apreensão por uma operação da qual não tive acesso sequer aos autos até o momento.” A operação em questão investiga 12 agentes públicos que são suspeitos de extorquir empresários para conseguir ou renovar alvarás de funcionamento de eventos culturais em Goiânia.
“Eu não estava presente. De nada fui informado, não sei do que se trata e reforço que nada foi encontrado em minha casa. Estou no aguardo das apurações e à disposição para prestar esclarecimentos e contribuir com o trâmite legal da investigação”, finalizou o texto.
De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), as fraudes ocorreram durante a gestão passada e os suspeitos eram funcionários comissionados alocados nas Secretaria de Desenvolvimento e Economia Criativa, Secretaria da Mulher, por meio da Diretoria de Eventos; Secretaria Municipal de Governo (Segov) e Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), cuja qual Luan Alves era presidente na gestão de Rogério Cruz. Todos eles já foram afastados das funções, segundo a Polícia Civil.
De acordo com o delegado Danilo Victor Souza, empresários da área de eventos precisariam pagar propina para obter autorização para realizar suas atividades ou renovar os alvarás. O valor não seria fixo. Conforme a investigação, após a realização dos eventos, parte do lucro obtido seria repassada aos agentes públicos envolvidos. “Você podia trabalhar, mas para ter o alvará teria que pagar uma propina. Geralmente esse pagamento ocorria depois da apuração do que a empresa conseguiu lucrar com o evento. Ela tinha que pagar um rateio para agentes públicos envolvidos com o processo de liberação desse evento”, destaca o delegado.
Ainda de acordo com Danilo, o principal denunciante relatou que precisou interromper suas atividades na cidade após sofrer sucessivas cobranças ilegais. Segundo a investigação, o prejuízo acumulado ultrapassou R$ 400 mil. “Ele resolveu interromper as suas atividades na cidade porque não suportava mais as cobranças indevidas. Em virtude disso, depois de um prejuízo de mais de R$ 400 mil, teve que deixar a atividade.”
Diante da suspeita de que o esquema possa ter atingido outras empresas, o delegado-titular da Deccor, Francisco Lipari, destaca que possíveis vítimas procurem à delegacia e formalizem denúncias. Segundo ele, essas informações são fundamentais para ampliar as investigações e responsabilizar os envolvidos.
“É importante que eventuais empresas que tenham sido vítimas dessas solicitações de vantagem indevida, dessas solicitações de propina, procurem a delegacia e tragam até nós a notícia-crime dos fatos.”
Sobrea possibilidade de as empresas recuperarem os prejuízos causados pelo suposto esquema, Francisco explicou que isso dependerá da evolução das investigações e do andamento do processo judicial. Caso haja condenação dos envolvidos, poderá ser estabelecida a obrigação de reparar os danos às vítimas.
“Ao final da investigação, com o indiciamento e a futura denúncia dos investigados, é bem possível que se estabeleça a obrigação de restituir o dano causado a essas pessoas.”



