A Polícia Federal identificou uma série de vantagens que teriam sido concedidas ao senador Jaques Wagner (PT-BA) por pessoas ligadas ao Banco Master, no contexto da investigação que apura um suposto esquema de corrupção, tráfico de influência e fraudes financeiras envolvendo a instituição.

As suspeitas embasaram a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que autorizou a nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira, 18. Entre os benefícios investigados estão a aquisição de um apartamento de alto padrão em Salvador, a compra de ingressos para apresentações da cantora Taylor Swift, viagens em aeronaves particulares, transferências financeiras para empresa ligada à família do parlamentar e a apreensão de dólares em espécie em um endereço vinculado ao senador.

Segundo a PF, o foco desta etapa da investigação é a relação entre Jaques Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-controlador do Banco Pleno e apontado pelos investigadores como um dos principais articuladores dos interesses do Banco Master.

De acordo com a decisão judicial, a proximidade entre os dois teria criado um ambiente favorável para negociações reservadas envolvendo interesses privados da instituição financeira junto ao poder público.

Apartamento de luxo em Salvador

Um dos principais pontos investigados é a compra de um imóvel de alto padrão na capital baiana. A Polícia Federal sustenta que a aquisição teria sido viabilizada por meio da empresa Epítome S.A., abastecida com recursos de fundos relacionados ao Banco Master.

As investigações indicam que Wagner teria encaminhado informações do empreendimento a Augusto Lima, que posteriormente acionou terceiros para conduzir a negociação. A PF afirma ainda que as tratativas continuaram mesmo após o início das primeiras fases da Operação Compliance Zero.

O imóvel faz parte de um empreendimento voltado ao público de alta renda e ainda está em construção.

Ingressos para shows de Taylor Swift

Outro ponto levantado pelos investigadores envolve a compra de ingressos para apresentações da cantora Taylor Swift.

Segundo a PF, entradas para o show realizado em São Paulo, em novembro de 2023, teriam sido adquiridas por determinação de Augusto Lima, ao custo superior a R$ 63 mil. Os investigadores afirmam que os ingressos foram destinados a familiares do senador.

A decisão também menciona uma apresentação da artista em Los Angeles, nos Estados Unidos, embora os autos não esclareçam se houve efetivamente a aquisição de ingressos para o evento internacional.

Transferências para empresa ligada à família

A investigação também aponta movimentações financeiras que somam R$ 3,5 milhões para a BN Financeira Ltda., empresa ligada ao núcleo familiar de Jaques Wagner.

Segundo a PF, os recursos teriam sido transferidos pela PKL One Participações S.A., empresa administrada por uma parente de Augusto Lima e vinculada ao grupo empresarial relacionado ao Banco Master e ao Credcesta.

Mensagens encontradas pelos investigadores mostram que familiares do senador teriam solicitado auxílio financeiro a Augusto Lima antes da concretização da transferência.

A Polícia Federal afirma que a BN Financeira possuía estrutura empresarial limitada e, mesmo assim, recebeu valores considerados elevados em contratos que envolviam empresas associadas ao grupo financeiro investigado.

Dólares apreendidos

Durante o cumprimento dos mandados, a PF apreendeu cerca de US$ 49 mil em espécie, valor equivalente a aproximadamente R$ 250 mil.

Jaques Wagner afirmou que os recursos têm origem legal e seriam provenientes de diárias recebidas durante viagens oficiais ao exterior realizadas ao longo do mandato parlamentar. Segundo ele, parte dos valores também foi adquirida por meio de operações bancárias regulares para custear deslocamentos internacionais.

O senador declarou que não possui qualquer irregularidade a esconder e informou ter recebido uma ligação de solidariedade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a operação.

Viagem em aeronave particular

Os investigadores também apuram uma viagem realizada em outubro de 2023 para a chamada Ilha da Paixão, localizada na Região Metropolitana de Salvador.

Mensagens extraídas do celular de Augusto Lima indicariam que ele colocou uma aeronave particular à disposição de Jaques Wagner e de familiares para o deslocamento até o local. A ilha é apontada pela Polícia Federal como propriedade do empresário.

Suspeita de atuação em favor do Banco Master

A PF investiga se o senador atuou em favor de pautas de interesse do grupo financeiro no Congresso Nacional.

Entre os temas analisados estão propostas para ampliar a margem do crédito consignado, alterações relacionadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e iniciativas que poderiam impactar diretamente os negócios do Banco Master e do Credcesta.

Os investigadores também apuram possíveis movimentações políticas relacionadas à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

Operação Compliance Zero

A Operação Compliance Zero teve início em 2025 para investigar supostas irregularidades na atuação do Banco Master e de seu controlador, Daniel Vorcaro.

Ao longo das fases da operação, as apurações passaram a abranger suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial, corrupção, uso indevido de informações sigilosas e influência sobre agentes públicos.

Além de Jaques Wagner, outras autoridades e aliados do grupo financeiro também são alvo das investigações.

Todos os citados negam qualquer prática ilegal e afirmam que irão demonstrar a regularidade de suas condutas durante o andamento do processo.

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