O Partido dos Trabalhadores (PT) manifestou apoio ao senador Jaques Wagner (BA) após ele ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, 18. A investigação apura supostas vantagens recebidas pelo parlamentar em articulações relacionadas ao Banco Master.

Em nota, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que Wagner mantém a confiança da legenda e declarou acreditar que o senador esclarecerá os fatos investigados. Segundo ele, todas as denúncias envolvendo o Banco Master devem ser apuradas e eventuais responsáveis punidos.

O diretório estadual do PT na Bahia também saiu em defesa do senador. A sigla afirmou confiar na conduta de Wagner e ressaltou que ele já foi alvo de acusações anteriores que não resultaram em condenações ou comprovação de irregularidades.

De acordo com a PF, Jaques Wagner teria atuado em pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional. Os investigadores apontam que o senador manteve interlocução com o empresário Augusto Lima, ex-sócio da instituição financeira, durante discussões sobre crédito consignado, mudanças no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e na fiscalização da negociação envolvendo a possível aquisição do banco pelo Banco Regional de Brasília (BRB).

A corporação investiga a participação do parlamentar em três episódios específicos: a apresentação de emenda a uma medida provisória sobre ampliação da margem consignável; a tramitação da PEC 65/2023, que trata de regras relacionadas ao FGC; e a fiscalização parlamentar da operação de compra do Banco Master pelo BRB.

A PF sustenta que Wagner teria sido o principal beneficiário de vantagens custeadas por integrantes ligados ao Banco Master. Entre os benefícios apontados estão a aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, o uso de aeronaves vinculadas ao empresário Augusto Lima e ingressos para um camarote em um show internacional nos Estados Unidos, avaliados em R$ 63,3 mil.

Líder do governo Lula no Senado, Wagner nega envolvimento em qualquer irregularidade relacionada ao Banco Master. A investigação também identificou mensagens trocadas entre o senador e Augusto Lima sobre a compra de um imóvel em Salvador, além de conversas referentes à obtenção de ingressos para um evento musical na Califórnia.

Outro ponto levantado pela PF é a utilização de aeronaves ligadas ao empresário. Em um dos episódios citados pelos investigadores, ocorrido em outubro de 2023, um avião teria sido colocado à disposição do senador e de familiares para uma viagem à Ilha da Paixão, propriedade associada ao ex-sócio do Banco Master.

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