Para poder votar, Cunha vai questionar regimento da Câmara

Em Goiânia, peemedebista diz que há “inconstitucionalidade” no artigo que impede presidentes de Legislativos de opinar sobre projetos 

Deputado Eduardo Cunha concede coletiva de imprensa na Alego | Foto: Y. Maeda

Deputado Eduardo Cunha concede coletiva de imprensa na Alego | Foto: Y. Maeda

O presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou, durante coletiva de imprensa em Goiânia na tarde desta sexta-feira (25/9), que pretende questionar o regimento interno da Câmara Federal. O motivo seria uma possível “inconstitucionalidade” no artigo que impede o presidente da Casa de votar em projetos.

A informação veio após ser questionado se, caso o PMDB aceite os ministérios que o governo federal estaria lhe oferecendo, o partido ficaria “obrigado” a votar de acordo com determinação do Planalto.

“Acredito que não, mas essa pergunta deve ser feita ao líder do PMDB [Leonardo Picciani]. A mim, como presidente da Câmara, só cabe exercer meu papel institucional, independente da minha militância como deputado, na qual tenho minhas opiniões. Lá, eu nem me expresso e nem posso votar, infelizmente, porque gostaria, mas o regimento me impede. Acho até que esse artigo é inconstitucional, quero questioná-lo, quero votar e se eu votasse, votaria contra o governo”, respondeu.

Cunha rompeu com o governo Dilma (PT) em julho e, desde então, tem sido voz ativa na defesa da saída do PMDB da base aliada. Inclusive, nas convenções do partido (que deve ser realizadas em novembro) garantiu que vai lutar por tal convicção.

Para ele, as especulações de que o Planalto estaria negociando ministérios em troca de apoio na Câmara e no Senado são negativas para o partido. “Me sinto, como peemedebista, duas vezes contrariado. Primeiro, porque eu acho que tínhamos que sair do governo e, segundo, porque não concordo com o debate, pois o PMDB fica tachado como fisiologista, ou seja, precisa receber mais cargos para exercer aquilo que é sua opção política”, completou.

CPMF

Em Goiânia para uma série de compromissos oficiais, Cunha realizou mais uma edição do Câmara Itinerante na Assembleia Legislativa, debatendo com deputados estaduais e federais questões como Pacto Federativo e atribuições do Legislativo.

Em entrevista coletiva, o presidente foi questionado sobre a volta da CPMF e, novamente, afirmou que será difícil que o projeto passe. “Não acredito que vá ser aprovada, sou contrário, não só por ser CPMF, sou contrário à qualquer solução do déficit das contas púbicas por meio de aumento de carga tributária. Solução, para mim, é corte de gastos”, sustentou.

Ainda sobre o assunto, o presidente classificou a CPMF como um imposto “pernicioso”, que vem “em cascata”, é “inflacionário” e “contamina a produtividade de setores que tem rentabilidade apertada”. “A CPMF faz mal a economia, tanto que quando acabou, logo em seguida começou o crescimento, porque a medida descontaminou o processo produtivo”, arrematou.

 

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