A professora Elisflávia Rodrigues se prepara para celebrar neste domingo, 10, Dia das Mães, uma data que há poucos meses parecia incerta. Diagnosticada com câncer no intestino durante a gestação, com metástase nos ovários, ela passou por uma cesariana de alta complexidade em Goiânia e agora acompanha o primeiro mês de vida da filha, Olívia, em casa, enquanto segue o tratamento oncológico.

O caso foi identificado durante o pré-natal realizado no Hospital América, em Goiânia. Após a alta hospitalar, Elisflávia afirma que vive um período de adaptação e reconstrução ao lado da filha e da família. Segundo ela, a maternidade trouxe força durante o tratamento. “Esses dias têm sido maravilhosos. A Olívia veio para me dar força e tem me ensinado o que é ser mãe”, contou.

Segundo o ginecologista e obstetra Clayton Souza Fortunato Filho, a paciente apresentava uma gestação de alto risco, com hipertensão e diabetes gestacional, quando exames apontaram alterações que levaram à descoberta da doença. “Por volta das 29 semanas, identificamos um aumento importante do volume abdominal e cistos ovarianos volumosos. Solicitamos exames mais detalhados, que revelaram um tumor de sigmoide com metástases ovarianas, caracterizando um câncer já em estágio avançado”, afirmou o médico.

Inicialmente, a equipe médica pretendia prolongar a gravidez até pelo menos a 34ª semana, para aumentar a segurança da bebê antes do início do tratamento contra o câncer. No entanto, a piora no quadro clínico de Elisflávia levou à antecipação do parto.

Com 31 semanas e três dias de gestação, ela passou pela cesariana, considerada de alta complexidade. Durante o procedimento, além do nascimento da bebê, foi realizada uma redução parcial do tumor intestinal.

De acordo com o cardiologista pediátrico e diretor-médico da unidade, Wesley Medeiros, a cirurgia exigiu atuação conjunta de diferentes especialidades. “Montamos uma equipe com cirurgião oncológico, garantimos UTI materna e neonatal, além de todo preparo prévio para o nascimento da bebê, como maturação pulmonar e neuroproteção”, disse.

O caso já havia sido acompanhado anteriormente pelo Jornal Opção, que mostrou o momento em que a professora descobriu a doença e precisou passar pela cirurgia de emergência para salvar mãe e filha. Confira a reportagem em vídeo abaixo.

A professora também destacou a importância do apoio familiar durante o processo. “A gente passou por um tempo de muita aflição. Agora estamos aproveitando para ficar juntos, celebrar”, afirmou.

O caso também chama atenção para a importância do acompanhamento pré-natal, não apenas para o desenvolvimento do bebê, mas para a identificação de problemas de saúde materna. Segundo os médicos envolvidos, o monitoramento contínuo e a atuação multidisciplinar foram decisivos para a condução do tratamento e para o desfecho clínico.

Neste primeiro Dia das Mães, Elisflávia pretende comemorar de forma reservada, ao lado da família, enquanto continua o tratamento contra o câncer e acompanha o desenvolvimento da filha recém-nascida.

Elisflávia, o marido Laio e a filha Olívia recém-nascida | Foto: Divulgação

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