Há exatos cem anos, o italiano Ettore Bugatti registrou o slogan “Le Pur Sangre Des Automobiles” para seus preciosos automóveis. E ele tinha razão; afinal, sua empresa não produzia automóveis, mas joias de engenharia exclusivas: a velocidade em estado bruto. Uma espécie de diamante da área automobilística.

Desde o início, a Bugatti fez da exclusividade sua marca principal — sempre baseada na produção artesanal de carros que justifica os milhões de euros pagos por uma obra-prima em quatro rodas (ou duas, no caso da bicicleta). Ao encomendar o carro hoje, o comprador tem de esperar pelo menos dois anos, até a entrega.

A fábrica produz apenas 80 carros por ano e todos são personalizados ao extremo, o que, automaticamente, os torna itens de colecionador. Modelos como o La Voiture Noire (uma unidade  vale US$ 18 milhões) e o Bruillard (único, motor W16) definem o topo do luxo — muitas vezes superando R$ 50 milhões em negociações secretas.

Gustavo Lima com sua Bugatti Foto Divulgação
Gusttavo Lima e sua bike Bugatti | Foto: Reprodução

Clientes precisam ter história e reputação

Clientes: não basta ter dinheiro; a Bugatti prioriza colecionadores com reputação e histórico, agindo como um clube fechado.

Edições extremamente limitadas: modelos como Cerntodieci têm apenas dez unidades no mundo.

Um carro artesanal: o foco é intenso em materiais nobres como fibra de carbono azul e acabamentos personalizados como o único Chiron no Brasil.

Obras de arte de 50 milhões de reais

Desempenho e valor: os carros da Bugatti são considerados obras de arte, com motores W16 e chegam a valer mais de R$ 50 milhões.

Puro sangue: a potência extrema de alguns modelos produzidos, como o Chiron, é tão elevada que supera limites de engenharia viária de muitos países, entre eles o Brasil, porque são incompatíveis com o uso comum em estradas.

Bicicleta Bugatti
Bike Bugatti: beleza, luxo e qualidade | Foto: Divulgação

Bikes milionárias

Nos últimos anos, a marca expandiu seu DNA de design para outras áreas, como roupas, perfumes, linhas de cosméticos, miniaturas de automóveis, acessórios como chaveiros, bonés, carteiras e bikes.

A Bugatti lançou, recentemente, uma bicicleta feita em parceria com a Factor Bikes. São 250 unidades em todo o mundo. Valor: US$ 23.599. No Brasil, não sai por menos de R$ 120mil.

250 unidades globais é menos do que a Ferrari vende num bom mês no Brasil. E vamos combinar que, para quem paga R$ 50 milhões num carro da Bugatti, R$ 120mil para uma bicicleta não é nada. É aquisição para multimilionários.

A Federação Internacional de Ciclismo estipula até 115mm a largura máxima do garfo de uma bike de competição. A Bugatti expandiu para 147mm. Resultado: uma bicicleta mais veloz com ganho extra de 2 watts em velocidade, por isso a Bike Bugatti não participa de competições oficiais.

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Gustavvo Lima e seu objeto de desejo: um Bugatti de 50 ou 60 milhões de reais | Fotos: Reproduções

O jeito Bugatti de ser

O quadro da bike é feito com trama de carbono azul, o mesmo usado nos carros. Foi uma opção da Bugatti, mas isso fez a bicicleta ficar mais pesada e menos eficiente. Então, por que comprá-la?

Simplesmente, porque ela traz em seu design a mesma trama visual do interior de um Bugatti Chiron e do Tourbillon. Quem encomenda o carro, também vai querer a bike. Pura escolha de linguagem e, sim, de beleza. Simples e chique assim — já que toda marca de hiper-carro, como a Ferrari, Lamborghini e Aston Martin, tem uma bicicleta. É um mercado inteiro erguido nessa lógica. Luxo com alta qualidade.

No universo do ultra-luxo, a bike não é algo independente, mas um acessório do hiper-carro. Um outfit necessário. É quase um “chaveirinho” do automóvel.

No Brasil, essas bicicletas só poderão rodar em condomínios fechados ou clubes exclusivos. E transportadas somente em carros blindados. Já quando estiver em casa, ficarão expostas numa garagem climatizada ao lado do supercarro.  Ostentação? Luxo para quem pode comprar luxo.

Em Goiânia, um famoso foi visto pedalando uma Bugatti por aí. O hiper-carro dele é uma Chiron azul assim como a bike. Quem será esse goiano com acesso exclusivo ao mercado do ultra-luxo, onde nada faz sentido com uma régua comum?

Não se trata de um goiano de nascença, e sim de um goiano por adoção. O cantor sertanejo Gusttavo Lima (seu nome de batismo é Nivaldo Batista Lima, nascido em Minas Gerais) é dono da bike e, por consequência, tem um automóvel Bugatti na sua ampla garagem de Bela Vista de Goiás. Trata-se de um Bugatti Chiron, que foi adquirido, no fim de 2024, por cerca de 50 (ou 60) milhões de reais.

Gusttavo Lima, que o país conhece como O Embaixador, tem 36 anos, 1,83m, e é casado com a bela Andressa Suita.

Dono de uma fortuna estimada em 1 bilhão de reais, Gusttavo Lima pode comprar Bugatti, Ferrari, Lamborghini, Aston Martin e, claro, avião. De acordo com experts em mercado financeiro, o cantor é uma máquina de produzir dinheiro. É um “banco” em forma de artista da música, do show business.