Nilson Jaime assume a cadeira 16 da Academia Goiana de Letras em junho
28 maio 2026 às 10h00

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A Academia Goiana de Letras (AGL) já tem seu novo imortal para a cadeira de número 16. Nilson Jaime, de 64 anos, natural de Palmeiras de Goiás, foi o escolhido para ocupar o posto que pertenceu a nomes como Luiz Augusto Paranhos Sampaio e Gercino Monteiro Guimarães. O martelo foi batido no dia 26 de março, após uma eleição que terminou empatada em 15 votos contra 15, e o critério de desempate acabou favorecendo Nilson.
A posse está marcada para a tarde do dia 25 de junho, quando Nilson Jaime fará o compromisso oficial e receberá o distintivo da casa. Além disso, um dos momentos mais aguardados da cerimônia ficará por conta de seu neto, Miguel, que terá a honraria de colocar a foto do avô na galeria de membros da AGL.
Em entrevista ao Jornal Opção, Nilson Jaime detalhou os bastidores da disputa e a emoção da vitória. “É um concurso aberto, abre um edital e as pessoas se inscrevem. Houve dois candidatos, o professor Solemar Oliveira e eu, e fui o escolhido. É um voto secreto, os membros foram 31 votantes, um voto em branco e 15 votos para cada um”, revelou.
“Eu levei pelo critério de idade, eu sou mais velho que ele”. O telefonema com o resultado, segundo ele, veio primeiro do juiz de direito Abílio Wolney, membro da academia, e depois a presidente da instituição, Lêda Selma de Alencar, confirmou formalmente a notícia. Nilson Jaime também não escondeu a satisfação de suceder Luiz Augusto, por quem tinha grande estima, e de dar sequência a uma trajetória que começou com o patrono Henrique Silva, jornalista que editou a prestigiada revista “Informação Goyana” entre 1917 e 1935.
A trajetória de Nilson Jaime até chegar à AGL é, contudo, tudo menos linear. Antes de se tornar escritor e historiador, ele foi professor de matemática e física e engenheiro agrônomo. Seu primeiro livro, publicado em 2001, era técnico e tratava de matemática básica. Depois de se aposentar como agrônomo em 2015, ele decidiu mergulhar de cabeça na pesquisa e na literatura.
O resultado não demorou a aparecer: ele lançou um volume de 1.200 páginas chamado “Família Jayme — Genealogia e História”, seguiu com “Frederico Jayme Filho: 50 anos de vida pública” e, mais recentemente, assumiu a editoria geral da coleção “Goiás 300 anos”, que prevê 18 livros, seis já publicados, outros quatro em fase final de produção.
Atualmente, Nilson Jaime está debruçado sobre um projeto muito especial: o livro que conta os 50 anos do Jornal Opção, com prefácio de Irapuan Costa Junior, colunista e também membro da Academia Goiana de Letras. “Estamos finalizando a história do Jornal Opção”, afirmou.
E essa ligação afetiva com o veículo vem de longa data: em 1975, ainda menino em Palmeiras de Goiás, ele trabalhou como jornaleiro e vendeu o primeiro número do Opção na cidade. “A edição foi impressa nas oficinas da Folha de Goiás para fazer uma experiência. Então, eu tive o prazer de ser o primeiro a entregar essa edição do Jornal Opção”, recordou. Anos depois, a relação deixou de ser apenas nas bancas e passou para as páginas já que Nilson Jaime escreveu, por bastante tempo, a coluna Periscópio no próprio Jornal Opção. Ele calcula que publicou pelo menos 50 artigos no espaço, transitando por várias áreas do conhecimento – crítica literária, ciência, história e ensaios.
Para além das letras e da história, Nilson Jaime carrega uma bagagem científica impressionante. Doutor em Agronomia com ênfase em mirmecologia (o estudo das formigas), ele fez a primeira pesquisa sobre as espécies que vivem dentro de Goiânia, analisando dez bairros aleatórios. “As formigas são os animais mais prevalentes do planeta Terra. Se você juntar todos os vertebrados, incluindo o homem, as formigas pesam quatro vezes mais. Então quem manda no planeta não são os humanos, são as formigas”, explica.
Ele também revela uma curiosidade digna de um novo projeto: a “Atta goiana”, uma formiga cortadeira encontrada uma única vez em 1950 por um engenheiro agrônomo na região do Araguaia e jamais vista novamente.
No próximo dia 1º de julho, Nilson Jaime alcançará outro feito, ele irá dar uma palestra no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), a instituição cultural mais antiga do país. O tema escolhido foi “O Bandeirantismo Paulista e a Colonização Mameluca de Goiás”, e a apresentação, marcada para às 15h, será transmitida pelo YouTube.
“Esse é um tema que os historiadores pouco exploram. A questão do bandeirantismo, a importância que ele teve para o bem ou para o mal. Quer dizer, é algo que aconteceu, mas é muito pouco estudado. Eu não entendo como você pode compreender bem a história de Goiás, sem estudar os bandeirantes de São Paulo”, defende.
Enquanto aguarda a posse na AGL, Nilson Jaime mantém uma rotina intensa. Ele trabalha oito dias por mês como auditor fiscal da Receita Estadual no Tocantins, onde é vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico local, e nos dias livres se dedica à escrita e à gestão cultural em Goiânia como vice-presidente da Associação Goiana de Imprensa (AGI) e do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG).
Presidindo o Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis para os Povos do Cerrado (Icebe), ele lidera a reforma da casa que será um museu dedicado ao escritor. “Nossa participação certamente está trazendo uma ressignificação da obra de Bernardo Élis, que estava fora de catálogo há bastante tempo”, comemora.
Além da reforma física do espaço, Nilson Jaime tem colocado em prática um agitado calendário de difusão cultural. Só no ano passado, por exemplo, ele e sua equipe realizaram cerca de 20 palestras em escolas, universidades e academias. Este ano, o grupo irá lançar o livro “Tronco” e já publicou o conto “A Enxada”, que está sendo distribuído gratuitamente nas escolas. “Isso tudo, certamente, dá uma projeção para o trabalho que a gente pode desenvolver em prol da cultura de Goiás”, avalia o escritor.
Pai de três filhas (nutricionista, dentista e engenheira agrônoma) e avô de quatro netos, ele faz questão de dividir os holofotes com a família. “O meu neto vai colocar a minha foto lá na academia. Ele ficou muito feliz com o convite, já comprou roupa, ele quer entregar”, emociona-se.
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