Morreu na madrugada desta segunda-feira, 29, em Goiânia, o professor Nestor Pereira da Mota, aos 86 anos. Fundador do Instituto Goiano de Yoga e pioneiro da prática no Centro-Oeste, ele foi vítima de insuficiência respiratória decorrente de uma pneumonia. O velório será realizado nesta terça-feira, 30, no Cemitério Parque Memorial, mas o horário do sepultamento ainda não foi definido, pois a família aguarda a chegada de um dos filhos, que trabalha na embaixada brasileira na França.

Conhecido como o “Gandhi do Cerrado”, apelido carinhoso dado por Frei Tito, Nestor dedicou quase 50 anos de sua vida a disseminar o yoga na região. Ele costumava dizer que a filosofia oriental não era apenas uma “onda”, mas um “oceano”. Sua trajetória, no entanto, foi forjada na resistência: ex-noviço dominicano e preso político durante a ditadura militar, ele usou o yoga nos porões do Presídio Tiradentes para manter o equilíbrio e ajudar companheiros de cela como Frei Betto e o próprio Frei Tito. Essa história, inclusive, é registrada no livro Batismo de Sangue.

Após ser libertado, Nestor fundou o Instituto Goiano de Yoga em 1971, baseando-se em preceitos científicos indianos. Ao longo de cinco décadas, levou as posturas e a disciplina do Hatha Yoga clássico a empresas, repartições públicas, escolas e comunidades. Ele defendia a prática como um caminho de ética e autolibertação, alertando com frequência sobre os perigos da rotina moderna: “O executivo atual está sendo executado pelo próprio cotidiano”, dizia, criticando o esgotamento que negligencia o autocuidado.

Natural de Porto Nacional, no Tocantins, Nestor deixa a esposa e parceira de trabalho, Lyra Galvão e Silva Mota, três filhos e seis netos. O “Gandhi do Cerrado” se despede, mas deixa um legado profundo de paz e consciência para as próximas gerações.

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