Moradores do Setor Jaó denunciam invasão de drones em residências; saiba o que fazer nessa situação
27 maio 2026 às 12h57

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Já viu um drone sobrevoando dentro da sua própria residência? Essa cena é uma constância para os moradores do Setor Jaó, em Goiânia. A prática, que começou no ano passado, tem gerado denúncias constantes por invasão de privacidade e violação de domicílio.
De acordo com o Artigo 21 do Código Civil Brasileiro, a inviolabilidade da vida privada e da intimidade é garantida, permitindo que qualquer ato que fira este direito seja contestado judicialmente. Além disso, o Artigo 150 do Código Penal tipifica o crime de violação de domicílio, protegendo a liberdade e a intimidade doméstica. Contudo, mesmo com respaldo legal, os residentes do bairro horizontal se sentem reféns de operadores anônimos que usam a tecnologia para espionar o dia a dia alheio.

Em entrevista ao Jornal Opção, a presidente da Associação dos Moradores do Setor Jaó (Amojaó) e também do 31º Conselho de Segurança, Adriana Garcia Reis, afirmou que a horizontalidade do bairro acaba incentivando “pessoas físicas que usam do seu lazer” para sobrevoar os quintais.
A presidente destacou que a situação prejudica diretamente a individualidade dos vizinhos. “Isso acaba tirando a liberdade do morador, porque, às vezes, o morador está dentro de casa, de roupa íntima, e, de repente, ele dá de cara com um drone que faz a filmagem”, descreveu Adriana.
A polícia, conforme relatou a líder comunitária, tem agido em parceria com os moradores. “Quando a gente chega a visualizar e o morador fala a tempo, a polícia militar já chegou a seguir alguns drones para ver a origem deles”, afirmou. Do mesmo modo, segundo Adriana, a Polícia Civil está na fase de investigação. O grande desafio, porém, é a rapidez dos aparelhos. “Eles aparecem e desaparecem de forma muito rápida, então, às vezes, é difícil até para a viatura acompanhar o local em que ele fez o pouso”. Por isso, Adriana orienta que os residentes também denunciem o caso à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Ela ainda relata que já recomendou para os moradores fazerem, se possível, a captura dos drones que estejam dentro de suas residências e levarem o aparelho até a delegacia. “Porque se está dentro do meu quintal, vendo meus filhos, vendo a segurança da minha casa, vendo meus horários, eu acho que entra na questão da invasão de propriedade”. Ela fez questão de frisar: “Eu não estou falando para ninguém destruir o drone, eu estou falando para capturá-lo e levá-lo na delegacia”.
Do ponto de vista legal, o delegado do 26º Distrito Policial do Setor Jaó, Claudio Antônio Domingos da Silva, admitiu que o fenômeno é um desafio novo. “Não é uma coisa que a gente vê todos os dias e todas as horas”, ponderou.
Em sua fala, ele reconheceu a dificuldade de enquadrar a conduta. “Eu acho que não tem uma legislação específica para isso, sabe? O que estão fazendo com esses drones (…) Cada casa é um caso, cada situação a gente tem que analisar e enquadrar penalmente”.
Apesar das dúvidas, o delegado seguiu a mesma linha da presidente dos moradores. “Eu vou aconselhar: se caso um drone estiver dentro da sua propriedade e for possível pegá-lo, pegue e traga na delegacia e faça a denúncia. Faça filmagens e fotos da situação também”, orientou.
Para ele, a invasão pode, dependendo do contexto, configurar até importunação sexual, como no exemplo de uma pessoa tomando banho de piscina. “A gente vai analisar o caso e ver o que pode ser feito”, concluiu o delegado.
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